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17 de novembro, 2008 - 07h29 - Educação

Professor valorizado gera aluno qualificado


Por: Fonte: O Liberal

Pesquisa realizada nos países com os melhores desempenhos em educação aponta o segredo do sucesso. Os modelos variam, mas o foco que os aproxima é a valorização do professor. Isso inclui a seleção dos melhores, a preparação para atuar nos casos mais complexos, o pagamento de salários mais atrativos e, consequentemente, o estímulo à carreira.

A pesquisa foi realizada este ano pelo escritório americano de consultoria McKinsey. Foram escolhidos os 20 países com os melhores desempenhos. Dez foram selecionados entre os classificados no Programa de Avaliação Internacional de Alunos.

Cada um teve seus dados analisados sob vários aspectos, da relação direta entre os resultados positivos e os gastos para manutenção e investimento em Educação ao impacto indireto da estrutura familiar. Nenhum desses aspectos teve resultado tão impactante quanto as ações que buscaram a qualificação do professor.

Sistemas considerados excelentes ou com alto desempenho estabeleceram critérios para a escolha dos seus profissionais, por exemplo.

Coréia, Finlândia e Cingapura/Hong Kong buscaram os melhores graduados. Segundo a pesquisa, o primeiro tem os 5% melhores da graduação, enquanto o segundo tem os 10% e o terceiro tem os 30%.

Na Finlândia, apenas um em cada 10 candidatos é aceito como professor. A triagem inclui a verificação sobre se o candidato está entre os 10% melhores da faixa etária e prova para conferir o alto grau de conhecimento no idioma e em matemática.

Há também entrevistas para verificar aptidões e personalidade, além de monitoramento na universidade para identificar quem está adequado ao ensino e quem não está. Todo esse cuidado visa, ainda, manter elevado o nível de ingresso na profissão docente.

Em Xangai e no Japão, outra estratégia foi promover a interação entre os professores para a promoção das melhores práticas. Professores dos dois países se juntam em equipes para criar lições que servirão de modelo para os demais.

Em Xangai, cada professor é obrigado a observar as aulas de colegas em pelo menos seis opornidades por semestre. Práticas consideradas excelentes são, ainda, discutidas com instrutores como forma de garantir a replicação do exemplo.

Curto prazo - Segundo a análise, o investimento no professor pode ter impactos substanciais a curto prazo. Na Inglaterra, por exemplo, não houve melhoria nos níveis de alfabetização entre 1948 e 1997 e o bom desempenho ficou estagnado em cerca de 63%. Quando a qualificação do professor se tornou estratégica, a partir de 1998, os resultados apareceram em três anos. O número de alunos que atingiu o nível esperado de alfabetização subiu para quase 75%.

Em Boston, professores melhor qualificados elevaram de 43% para 77% o número de alunos que atingiu a nota padrão em Leitura, no Exame de Avaliação do Estado de Massachusetts, entre 1998 e 2004.

A trajetória de dois alunos da mesma idade é colocada como outra prova de que os melhores sistemas de ensino têm os melhores professores. Foi considerado que ambos apresentavam 50% de aproveitamento quando estavam com oito anos.

O aluno do professor enquadrado entre os 20% melhores chegou aos 11 anos com aproveitamento de 90%. Já o que estudou com o docente integrado ao grupo dos 20% piores atingu a mesma idade com um desempenho de 37%, portanto, pior do que quando entrou no sistema.

Tomando esses dados como referência, a McKinsey concluiu que tentar melhorar o calibre de quem entrará na escola não alcança nenhum impacto a curto prazo, enquanto o rigor na seleção é considerado desafiador e a qualificação dos professores da rede e a replicação de bons modelos entre as escolas é possível em pouco tempo.




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