26 de dezembro, 2014 - Belém

Queremos paz


Paz! Paz! Está chegando o novo ano e todos somos convidados a pensar, rezar e transmitir paz. Quanto ela é desejada pelos seres humanos! Mas, infelizmente, constatamos, todos os dias, como é difícil vivê-la. Parece que o nosso pequeno planeta, de fato, tem certa rejeição em viver a paz. Por que isso? Talvez, precisamos focalizar a questão para que todos nós possamos contribuir por uma assim chamada política da paz. Esta é possível por meio de uma informação de paz. Paz e informação. Duas realidades fundamentais para a convivência humana. Parece que estão em risco. O nosso mundo, onde o progresso avança sempre mais e a tecnologia dos meios de comunicação se expande com ritmos acelerados, mostra-nos a real ligação e dependência entre esses dois fatores, a comunicação e a informação. 

Aliás, já dizia S. João Paulo II, elas representam hoje um poder que poderia bem servir a causa da paz, mas também criar tensões e provocar guerras e violações dos direitos humanos. Segundo McLuhan, nós estamos determinados pela tecnologia, ou seja, pelo determinismo tecnológico e, por isso, para ele, a única solução é desconectar o cabo de força da tomada, isto é, cortar esse tipo de comunicação. Certamente, nós não estamos de acordo com esse tipo de afirmação, embora reconheçamos que a situação seja preocupante. Porém, achamos que o ser humano possa encontrar as soluções por meio da sua capacidade do saber e do dialogar. No entanto, nos questionamos: será que estamos ensaiando, vivendo esta dimensão do saber e do dialogar? 

Pelo menos nós da Igreja nos interrogamos o que estamos fazendo, de fato, em relação a isso. Despertemos, porque a paz tem pressa, não pode nos esperar, porque bilhões de crianças, mulheres e homens estão vivendo de maneira dramática.  A paz começa nos corações. Não é simplesmente a ausência da guerra nem é promovida apenas para evitar o conflito mais vasto. Ao contrário, ajuda a orientar o nosso raciocínio e as nossas ações para o bem de todos. Ela se torna uma filosofia de ação que nos ajuda a sermos todos responsáveis pelo bem comum e nos obriga a dedicarmos todos os nossos esforços para a sua causa. 

Vejamos, por exemplo, como a informação é submetida a limitações e condicionamentos políticos e econômicos, arriscando, assim, de ser sempre menos independente, livre e insuficiente. Desde sempre, a guerra como o terrorismo se alimentam por uma informação facciosa, parcial e duvidosa que gera medo, ódio e violência. Ao mesmo tempo, cada vez que se esconde ou se muda a verdade, que se obscurece uma manifestação ou projeto de paz, que se privilegiam os interesses de uns no lugar do bem comum, cumpre-se assim um grave atentado à construção da paz. O santo João Paulo II escreveu: 'As formas e as maneiras como são apresentadas situações e problemas tais como o desenvolvimento, os direitos humanos, as relações entre os povos, os conflitos ideológicos, sociais e políticos, as reivindicações nacionais, a corrida para ter mais armas, para fazer alguns exemplos, influem diretamente em formar a opinião pública e criar mentalidades orientadas no sentido da paz ou abertas, no entanto, para soluções de força'. 

Continuou o santo: 'a comunicação social, se quiser ser instrumento de paz, deverá superar as considerações unilaterais e parciais, removendo preconceitos, criando, no entanto, um espírito de compreensão e de recíproca solidariedade'. Infelizmente, os grandes e poderosos meios de informação difundem uma falsa ideia da paz que se associa a inércia, renúncia, entrega, resignação, impotência. As imagens, palavras e atitudes irresponsáveis transmitem princípios e comportamentos que corroem as raízes por uma cultura da paz. Porém, a paz se gera e mantém com uma informação e uma comunicação livre, se preocupa com o bem comum, é próxima aos direitos e as necessidades das pessoas. Assim sendo, uma livre informação pode crescer somente na paz. 

Por fim, S. João Paulo II falou: 'A aceitação leal da lógica da pacífica convivência nas diversidades exige a constante aplicação do método do diálogo, o qual, reconhecendo o direito à existência e à expressão de todas as partes, afirma o dever que essas têm de se integrar com todas as outras, para conseguir aquele bem superior, que é a paz'. Por isso, eu acredito na paz, porém, não podemos nos iludir que isto aconteça sem uma nossa colaboração. O nosso papel é fundamental em acreditar que é possível se dedicar para dar a nossa contribuição. Nesse sentido, não devemos 'dormir', mas acordar as nossas aspirações para uma cultura de paz. Que o ano 2015 seja marcado por todos nós numa grande colaboração de construção da paz. 

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net