24 de abril, 2014 - Belém

Palavra de Deus, fonte de comunicação - parte 9


Continuando a reflexão sobre a Palavra de Deus, que é ação privilegiada na vida dos seres humanos, queremos descobrir, cada vez mais, elementos de comunicação para aperfeiçoarmos nossa conduta humana. A comunicação que vem de Deus é vital e essencial para todos nós. Não podemos nunca cansar de atingir nosso saber por meio dessa fonte inexaurível.

Lendo o trecho de Lucas 1, 46-55, podemos descobrir a dimensão crítica-profética da comunicação. O cântico do Magnificat é o louvor a Deus pela sua ação na história da humanidade. O louvor é um esteio fundamental da práxe comunicativa. Não se pode ser ótimos comunicadores na tristeza, de rosto fechado, trancados em nós mesmos, obstaculando cada possibilidade aos outros, nossos possíveis interlocutores. 

Por exemplo, de que maneira é comunicada a nossa pastoral? É alegre, triste, feliz, serena ou queixosa? A nossa vida familiar como vive a comunicação? O Magnificat é uma demonstração dos vários caminhos complicados e difíceis que a comunicação pode enfrentar, e o aspecto positivo que tem na história: 'entre as gerações'. 'Dispersou os soberbos nos pensamentos deles'. Então, aqueles que não são capazes de comunicar são dispersos. 

No entanto, 'aqueles que são humildes e temem a Deus' sabem comunicar de geração em geração: no coração das pessoas (Lc 1, 52); no âmbito político e social (Lc 1,51-53); no povo da promessa (Lc 1, 54-55). Esta capacidade de comunicar penetra a vida na sua integridade. Qualquer escolha que podemos fazer sempre se revela redutiva e incompleta e, portanto, não satisfatória. 

É necessário ficar presente que na nossa busca comunicativa sempre falta algo para podê-la, completamente, satisfazer e rende-la, ao mesmo tempo, bastante objetiva. Neste sentido, o comunicador que tem uma intimidade com Deus, como Maria, perscruta atentamente em cada direção para descobrir por meio das coisas ou fatos que, às vezes, podem até parecer insignificantes para a sociedade, no entanto, revelam a grande sabedoria do plano de Deus. 

Estes são os comunicadores da Boa Nova que focalizam pontos alternativos que os grandes meios de comunicação não têm capacidade, ou não querem ver ou considerar. Além do mais, uma excelente comunicação tem que ter sempre uma boa porcentagem de humildade, enquanto necessita ter presente o aspecto relacional do processo comunicativo. 

Uma verdadeira comunicação é sempre aberta. Analisa cada elemento enriquecedor que influencia o coração humano. A grande sabedoria, portanto, consiste em reconhecer que estamos sempre em busca de um maior conhecimento. O cântico do Magnificat poderia ser o nosso hino e se tornar o guia da profissionalidade comunicativa. A acolhida da comunicação divina, como Maria fez, é fundamento da capacidade de comunicar na história e, ao mesmo tempo, a antecipação da comunicação da outra vida que nos espera, o Paraíso. 

Outro elemento importante que Maria nos mostra nessa interação comunicacional divina é a falta de medo. Quantas vezes acontece conosco deixar de comunicar por falta de coragem? E este medo nos isola e nos enfraquece como pessoas. O medo é um grande inimigo da verdadeira comunicação. Na medida em que aperfeiçoarmos a nossa maneira de comunicar, certamente teremos mais coragem de se pronunciar em qualquer situação, até a mais ameaçadora. Hoje a nossa sociedade necessita de uma comunicação que tenha a coragem de criticar qualquer situação que possa degradar a vida da humanidade.

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