16 de abril, 2014 - Belém

Palavra de Deus, fonte de comunicação - parte 8


Continuando a reflexão, com base na vivência de Maria, Mãe de Jesus, queremos discorrer hoje sobre o fato de que podemos ser grandes comunicadores. Por que isto? Porque temos a possibilidade de escutar ou perceber a presença de Deus no passar dos nossos dias. Porém, o problema é que, talvez, falamos muito de Deus, mas temos dificuldade de experimentá-lo. Tenho a impressão de sermos como papagaios que repetem muito bem aquilo que aprenderam, mas não temos consciência daquilo que nós pronunciamos.

Depois da saudação que perturbou Maria, Deus continuou sempre, por meio de seu intermediário, o dialogo, revelando de maneira progressiva o seu projeto para sua criatura preferida. Isto demonstra que Deus pode entrar na vida das pessoas sem deixar a sua iniciativa pela metade ou incompleta. Ele sabe dialogar porque é plenamente consciente de sua própria identidade. Mas, afinal, o comunicador sabe dialogar com os outros? Que tipo de identidade ou identificação busca? 

Tudo isto reconfirma que a base de uma verdadeira e boa comunicação precisa de uma dimensão contemplativa. O anjo, na sua segunda intervenção, revela o projeto de Deus. E Maria toma coragem e começa a apresentar um primeiro pedido de esclarecimento. Muito simples e objetiva, declara a sua incapacidade de realizar este projeto. Assim o dialogo vai se intensificando e mostrando como Deus, quando age, não deixa de alcançar os seus objetivos e a criatura que confia nele não será desiludida.

Por isto, Maria, entendendo tudo isso, submete-se a iniciativa do Senhor: 'sou a tua serva'. O comunicador é aquele que dialoga para tentar compreender a vida que se desenvolve na historia da humanidade, não somente horizontalmente, mas também verticalmente. Como podemos comunicar, se não somos capazes de ir além dos horizontes que estamos acostumados, por meio de nossos raciocínios? Se temos uma visão míope das coisas, que comunicação podemos fazer?

Comunicação é também se abrir ao outro. É reconhecer que ele (o nosso próximo) pode revelar algo de importante. Além do mais, a verdadeira comunicação é sempre pronta a descobrir aquilo que de novo está acontecendo. Tudo isto dá uma grande força de vida ao ser humano. O comunicador se manifesta também por meio da modulação da voz. Sabemos que 38% da comunicação acontecem com a modulação da voz humana: o tom, a força de emissão e a harmonia.

A voz é um elemento essencial para aquele que deseja melhorar a sua capacidade de se comunicar com os outros. Isto porque é ela que dá mais informação do mundo interno da sua pessoa, revelando elementos mais escondidos do ser humano. 'Pois quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança extremeceu de alegria em meu ventre', disse Isabel a Maria. 

É normal perguntarmos como curamos a nossa voz. Muitas vezes, arriscamos não sermos nós mesmos porque queremos imitar os outros, em particular, aqueles que mais nos fascinam. Porém, precisamos buscar cada vez mais a nossa personalidade, rendendo assim visível o carisma, dom de Deus.

No entanto, para fazer isto, temos a necessidade de nos conhecer melhor. Ter uma maior capacidade de introspecção, uma intimidade com nós mesmos. Descobrir toda a riqueza da nossa pessoa, que não é pouca coisa. Nós nos conhecemos no mais intimo de nossa natureza? Temos intimidade com aquilo que somos? Temos conhecimento da profundidade de nosso coração? Temos, por acaso, medo de ficar a sós com o nosso silencio?

A comunicação dialógica entre Maira e Isabel é um magnífico encontro que revela, por meio da linguagem gestual e verbal, aquilo que vibra nos nossos corações. Quando acontece uma comunicação, ela não pode ficar estática, mas deve se dinamizar, projetando-se além do próprio eu. Como vivemos a nossa comunicação? Pensamos somente a nós mesmos de maneira egoística ou buscamos compartilhá-la com os outros? 

Maria percebe que Isabel a compreendeu perfeitamente. E, assim, sente-se humanamente bem acolhida, estimada e apreciada. A amabilidade deste encontro é a imagem do comunicador humano satisfeito. É a ícone de um verdadeiro ato comunicativo. O verdadeiro comunicador descobre sempre algo de bom no outro, embora possa parecer, às vezes, muito estranho ou, talvez, até considerado louco. Sabemos, portanto, dar humanidade a nossa ação de comunicadores? É acolhedora a nossa comunicação?

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