02 de maio, 2014 - Belém

Palavra de Deus, fonte de comunicação - parte 10


Já que a comunicação é tudo para nós, apresentamos, hoje, outros elementos bíblicos que podem plasmar uma espiritualidade ao comunicador, que são os exemplos dos dois grandes protagonistas do Novo Testamento: Pedro e Paulo. Dois personagens que apresentam comportamentos diferentes, porém, muito importantes por uma espiritualidade comunicativa.

Em João 21, 15-19, em que constatamos a passagem na qual Jesus Ressuscitado aparece aos apóstolos, o Mestre questiona Pedro por três vezes. Pedro é grosseiro, rude, pescador, homem que avança e retrocede. Ao perguntar, pela primeira vez, se Pedro o amava, Jesus, em verdade, quer saber quem é Ele na visão de Pedro. E para o comunicador, o que significa o projeto de Deus? Qual é o nome de Deus?

Na segunda pergunta, Jesus quer saber 'quem tu és, tu que dizes de me amar? Que significa amar a Deus? O que diz a tua consciência? Tu sabes quem sou eu? Qual é o teu relacionamento com Deus?' Na terceira vez, a pergunta alcança outro nível de compreensão: 'quem são os outros? Você está disposto a conduzir o meu rebanho?'

Observa-se, assim, um Jesus que questiona e insiste com as suas perguntas para conscientizar de como se enraíza uma comunicação que vai além da simples notícia ou simples meio. É nesta esfera que se constrói uma espiritualidade do comunicador: busca de Deus, da pessoa e dos outros. Pedro percebe ser frágil. E a resposta dele se torna cada vez mais cumprida.

O fato é que Deus está olhando no fundo da pessoa. No fim, Pedro dá a resposta com a sua vida. O que significa o amor? É o relacionamento de Pedro com os pobres. A verdadeira oração concilia 'montanha e estrada'. Na montanha, Jesus enxerga o rosto dos pobres e, na estrada, sente a necessidade da oração, uma intimidade com o Pai.

Paulo, ao contrário de Pedro, é culto. É também um cidadão romano. Homem seguro da própria tradição, zeloso, que persegue todos os seguidores de Jesus. Fiel a sua religião. Nesta perseguição aos cristãos, Paulo se questiona acerca da coragem deles não obstante serem perseguidos. E, neste sentido, Paulo vive quatro momentos decisivos em sua vida. O primeiro momento é o da queda.

Caindo do cavalo, Paulo cai num certo sentido daquela sua auto-suficiência. Quem não cai do cavalo tem dificuldade de compreender o projeto de Deus e de comunicar-se com os pobres. A profissionalidade do comunicador, muitas vezes, leva-o a ter um papel de destaque numa sociedade como a nossa. O fato de aparecer ou de pertencer ao mundo da mídia o anima, levando-o a ter atitudes de superioridade e acreditar na sua onipotência.

Por isto, não percebe que está em cima de um cavalo, cavalgando. No entanto, os outros continuam andando com os burrinhos. O comunicador que anda na linha reta, muitas vezes não percebe a realidade que está ou seu redor. O profissional da comunicação precisa cair no chão, isto é, fazer-se mais próximo aos outros, em particular, aqueles que não contam na sociedade.

Os nossos cavalos, os projetos que temos que queremos ter como os mais importantes, servem para derrubar os outros, deixando a estrada sem obstáculos para alcançar os nossos sucessos pessoais. É necessário se despojar de nossas verdades e seguranças que acumulamos ao longo de nosso percurso de vida profissional para ser mais atenciosos as coisas simples que veem do solo terreno. O segundo momento é a da cegueira. A luz cega Paulo. Por incrível que pareça, às vezes precisa se tornar cegos para enxergar. Fechar os olhos para sentir a vida que nos indica caminhos novos. Quem não é capaz de ficar calado, não pode dizer nada de novo. Paulo por três dias fica cego e no terceiro dia as escamas caem dos seus olhos. As últimas defesas caem. O bom comunicador é aquele que é capaz de retirar cada defesa, resistência para se sentir transparente na sua vida.

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