06 de março, 2014 - Belém

Palavra de Deus, fonte da comunicação - parte 2


Continuando a aprender com o Evangelho, refletiremos agora sobre o comportamento de Jesus no episódio da multiplicação dos pães. Em Mateus 14, 13-21, percebemos a atitude do Mestre e do povo que o cercava. Sabendo Jesus da morte de João Batista, por parte de Herodes, ele se retira do lugar onde se achava, em um barco, e o povo seguiu seus passos. Era uma grande multidão aquela que Jesus viu alcançando a beira. 

Olhando aquele povo fiel à sua Palavra, Jesus teve compaixão. Este sentimento é manifestado, sobretudo, ao aproximar-se dos doentes; e com eles ficou até a noite. Os discípulos se aproximaram dele dizendo-lhe que o lugar era desabitado e praticamente já entardecera. Então, os discípulos aconselharam-no a se despedir do povo, porque não tinham como alimentá-lo. 

Esta notícia alcançou Jesus empenhado na ação do seu ministério. Era um aviso preocupado, que fez Jesus responder de forma muito calma: 'não precisa que eles vão embora, vocês mesmos deem o que comer a eles'. Naturalmente, os discípulos responderam: 'temos somente cinco pães e dois peixes'. A resposta procurou persuadir Jesus de que isto era impossível acontecer: 'traga-os aqui', ordenou Ele.

Depois, Jesus se dirigiu aos presentes e ordenou a eles que sentassem sobre a grama. Levantou os olhos aos céus, agradeceu a Deus, partiu os pães, entregou-os aos discípulos para que o entregassem ao povo. As palavras do evangelista Mateus conseguem colocar de modo simples, mas de um jeito eficaz, o confronto entre a atitude de Jesus e dos discípulos obedientes, que fazem tudo quanto diz o Mestre.

Tratava-se de uma questão que poderia ter acabado em uma discussão, num bate boca. No entanto, a calma de Jesus encontra a total adesão dos discípulos à sua recomendação. A inquietude deles logo se acalma e com uma prontidão imediata se puseram à disposição do Divino Mestre, que no entardecer realiza o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. 

Que fosse um milagre, a narração de Mateus o sublinha com uma nota de crônica, embora breve, salientando todos os elementos do fato. 'Todos comeram à vontade e se encheram doze cestos de pães que sobraram. Aqueles que tinham comido eram cinco mil pessoas, sem contar as mulheres e as crianças'. Este trecho nos ajuda a fazer muitas reflexões a respeito.

Nós nos limitamos a citar o sentimento de compaixão que Jesus teve quando desceu do barco e encontrou a multidão que estava esperando-o. É o carinho do pastor em relação a suas ovelhas, às quais se dedica pregando e sarando. Na comunicação, a compaixão é um ingrediente importante para criar uma boa sintonia entre quem comunica e os seus destinatários.

Com certeza, aquele que é arrogante, soberbo, orgulhoso ou pelo menos transmite também indiretamente essa impressão, colocará sérios obstáculos à comunicação. A mensagem terá dificuldade para chegar aos seus destinatários pelas antipatias que podem nascer no relacionamento entre aquele que comunica e aquele que recebe, independentemente da preciosidade da mesma mensagem.

Outro elemento importante para que a comunicação possa acontecer é a necessidade de uma mediação, de uma empatia e de recíproca compreensão de Jesus, os discípulos e a massa. E a ação de conjunto de Jesus com os apóstolos, revela-nos que precisamos saber trabalhar juntos, em grupo, para fazer acontecer a comunicação, porque sozinhos se torna quase impossível.

Quem pensa em fazer tudo por si mesmo é bem provável que persiga um caminho sem saída. Na comunicação típica de massa se notam poucas as palavras ousadas de Jesus. Nenhuma falação, mas essencialidade objetiva, lembrando que o personagem é o ser humano seguro de si. De fato, toda a narração da multiplicação dos pães põe em evidência a segurança do Mestre. Uma verdadeira comunicação não pode se manifestar através das incertezas e inseguranças de seus objetivos. Sabe o que ela faz.

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