13 de novembro, 2014 - Belém

Os pobres aumentam no mundo


A Oxfam, Comitê da Oxford de Combate à Fome, uma confederação de 13 organizações e mais de 3.000 parceiros, que atua em mais de 100 países na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça (Wilkipédia), relata que, em 2009, ano de explosão da crise econômica global, os números dos grandes bilionários no mundo é praticamente redobrado. Só para ter uma ideia, segundo a Oxfam, entre 2013 e 2014, as 85 pessoas mais ricas do mundo têm a mesma riqueza da metade da população mais pobre do mundo. Em números, para ter uma noção mais concreta, esses poderosos ricos, aumentaram a riqueza de 668 milhões de dólares por dia, isto é, quase meio milhão de dólares a cada minuto. Com a crise financeira, dizem que temos no planeta 805 milhões que sofrem a fome. Portanto, o quadro é o seguinte: os ricos mesmos se tornaram uns seletos que aumentam cada vez mais a própria riqueza, e os pobres crescem. 

Diz o relatório que esse fenômeno está presente em qualquer lugar do planeta. Por exemplo, até na África, na região subsaariana, junto aos 358 milhões de pessoas em extrema pobreza convivem 16 bilionários. Perante um quadro como este, onde a diferença entre ricos e pobres é maior do que 30 anos atrás, é evidente que toda essa selvagem desigualdade paralisa o crescimento dos povos. O diretor executivo da Oxfam Internacional, WinnieByanyima, sintetizou o relatório com essas palavras: 'Esses dados nos mostram uma realidade que não podemos esconder: a extrema desigualdade econômica hoje não é um incentivo ao crescimento, mas um obstáculo ao bem-estar da maioria. Até que os governos do mundo não tomem providências para contrasta-la, a espiral da desigualdade continuará a crescer, com efeitos corrosivos sobre as instituições democráticas, sobre às iguais oportunidades e sobre a estabilidade global'. 

A Oxfam menciona, por exemplo, que no Quênia, nos próximos cinco anos, mais três milhões de pessoas poderiam ingressar na miséria se o próprio governo não adotar medidas para diminuir desigualdade de renda. Também a Índia, embora nos últimos vinte anos tenha reduzido os níveis de pobreza absolutos, se conseguisse obstaculizar o recém-aumento da desigualdade, nos próximos cinco anos, salvaria da pobreza outras 90 milhões de pessoas. Acrescentou WinnieByanyima: 'Em um mundo no qual as pessoas mais ricas do mundo têm mais dinheiro de quantos poderiam conseguir gastar no arco da própria vida, cada ano tem 100 milhões de pessoas que caem na pobreza porque são obrigadas a pagar pela assistência sanitária e milhões de crianças que não tem possibilidades de ir para escola. 

Para Oxfam, focar a atenção sobre o crescimento incontrolado da desigualdade econômica extrema não quer dizer querer apontar o dedo contra os mais ricos, mas estimular os líderes globais a fazer políticas eficazes para garantir às pessoas mais pobres a possibilidade de ter uma existência melhor'. Não podemos esquecer que grandes personagens como o papa Francisco, o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, e outros nos alertaram sobre esse grande desafio da desigualdade dos nossos tempos. Nesse sentido, a Oxfam indica nove pontos principais a se trabalhar para combater a desigualdade extrema:

1. Instituir comissões nacionais sobre desigualdade e tornar transparente a atividade de lobbyng;

2. Por fim à diferença salarial de gênero; iguais direitos hereditários e de propriedades de terra; coleta de dados para avaliar o impacto das políticas econômicas sobre as mulheres e as meninas;

3. Garantir a passagem dos salários mínimos aos salários dignos, com o objetivo de uma proporção de retribuição 20:1 entre dirigentes e trabalhadores;

4. Garantir a transparência sobre os incentivos fiscais e avaliar a possibilidade de um imposto sobre a riqueza global;

5. Eliminar o uso de paraísos fiscais também por meio de uma lista negra e sanções; cobrar das empresas conforme à própria real atividade econômica;

6. Tirar taxas sanitárias e garantir a educação escolar gratuita;

7. Investir mais nos medicamentos, inclusos os genéricos a menor preço;

8. Garantir uma renda de base por bolsa familiar eajuda desemprego e aposentadorias;

9. Avaliar constantemente a eficácia dos projetos de sustentação aos cidadãos na luta à desigualdade e na promoção da participação democrática.   

Finalizando, posso dizer que podemos reverter esse quadro cruel da extrema pobreza, além da ação dos próprios governantes, também pela nossa participação. Eu posso testemunhar que, com a nossa Ong ‘Missão Friuli Amazônia’, muitas pessoas colaboram com doações para promover a juventude pobre. 

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net