20 de novembro, 2014 - Belém

O suícidio aumenta no mundo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que 800 mil pessoas cometem suicídio a cada ano no planeta. A informação está no site do jornal italiano La Repubblica (www.repubblica.it). Para entender a gravidade da coisa, imagine uma cidade como Natal, capital do Rio Grande do Norte, desaparecendo anualmente. Eu confesso que imaginava, sim, a dramaticidade da questão, mas não que fosse desse tamanho. Assim sendo, o nosso mundo está longe da verdadeira vida. Diz a OMS que somente 28 países têm estratégias para prevenir esta cruel realidade. E no Brasil, com que frequência os suicídios são cometidos?

Encontrei resposta no endereço virtual da revista Istoe (www.istoe.com.br): 'Estima-se que 25 pessoas cometam suicídio por dia. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a tendência é de crescimento dessas mortes entre os jovens, especialmente nos países em desenvolvimento. Nos últimos vinte anos, o suicídio cresceu 30% entre os brasileiros com idades de 15 a 29 anos, tornando-se a terceira principal causa de morte de pessoas em plena vida produtiva no País (acidentes e homicídios precedem)', publicou o site. Continuando a OMS sobre estimativa de suicídio no nosso planeta, em 2020, se alcançará 1,5 milhão de pessoas, que representam 2,4 de todas as mortes. 

Ainda sobre os números, o relatório da OMS, em Genebra, diz que 75% do total dos suicídios acontecem nos países com baixa e média renda. Nesse ponto, eu não posso contestar os números, mas creio que não seja somente esse fator que determina essa calamidade humana, porque, então, como explicar os suicídios nos países ricos? Isto significa que não é uma questão econômica, mas uma realidade bem mais complexa que vai da questão pessoal, na sua totalidade, a uma questão social na sua globalidade. Aquilo que me parece é que muitas vezes o suicídio não é considerado como um dos maiores problemas de saúde pública, aliás, o assunto é evitado por muitos.

O suicídio é considerado como algo vergonhoso ou que marginaliza. Parece-me que a ciência, ultimamente, levantou a questão, definindo a causa do suicídio ligada mais a um fator físico do que psíquico. Isto significa que não é questão totalmente deliberada do sujeito que comete o suicídio, mas uma questão de disfunções do próprio corpo. As crises sociais e pessoais podem contribuir, sem ser a causa, para esse triste fenômeno do suicídio. A incidência dos suicídios em certos países europeus é mais alta na faixa etária acima dos setenta anos. No entanto, em outros países, as incidências mais elevada se registram entre os jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. 

Segundo a OMS, esse tipo de tragédia se pode também prevenir através de pesquisas finalizadas que possam elucidar a questão para uma terapia definida. Nesse sentido, os governos têm que investir mais para perseguir esse objetivo científico em favor da saúde da pessoa. Poderia dizer, de maneira bem popular, que é um câncer que precisamos encara-lo com firmeza e dedicação. O suicídio é um sério problema de saúde pública e não podemos nos deixar levar pela fatalidade dos fatos. Quanta dor e, sobretudo, impotência de poder falar porque há medo de não ser entendido? Quando uma família é submetida a essa prova, sente-se mais isolada e ainda mais com mil sensos de culpa. 

Única saída é se fechar em si. Conforme o documento de OMS, o Brasil teve um aumento de suicídios entre 2000 e 2012 de 10,4%. Segundo o relatório, o Brasil lidera entre os países Latino-Americanos na prática de suicídios. Outro elemento que me chama atenção, conforme esse documento, é que o número de mulheres que se suicidam é maior que os homens, nesse período de doze anos. Em números, as mulheres que tiraram a própria vida correspondem a 17,80%; os homens, 8,20%. A OMS pretende realizar até o ano 2020 uma redução de suicídios em 10%. 

Outro aspecto que salienta a Organização é que a mídia, em geral, pode condicionar as pessoas a cometerem o suicídio quando publica notícias com detalhes espetaculares de suicídios de outras pessoas. E as pessoas mais fracas, por vários motivos, se tornam vulneráveis a esse condicionamento. Certamente, o aspecto mais importante de tudo isso é a prevenção, fruto de uma colaboração de toda a sociedade e comunidade. O suicídio é uma derrota para toda a nossa convivência.

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net