12 de agosto, 2016 - Belém

Eucaristia – fonte da vida


Nos dias 15 a 21 de agosto celebra-se em Belém do Pará o Congresso Eucarístico Nacional. Pergunto-me: O que a Eucaristia significa para nós que celebramos Jesus Eucarístico?        A nossa participação na Santa Missa nos torna integrantes da comunidade do Senhor Ressuscitado, e que na profunda comunhão com o seu Senhor louva e contempla o Deus vivo e verdadeiro. Podemos dizer, com toda certeza, que a Eucaristia nos coloca dentro do grande mistério da Ressurreição do nosso mestre Jesus.

        Portanto, Eucaristia e ressurreição formam um binômio que não pode ser separado.  Por isso, celebrar a Eucaristia é antecipar o futuro glorioso da ressurreição, que é reservada àqueles que doam a própria vida por causa de Jesus e o seu Evangelho. 

        Toda vez que celebramos a Eucaristia estamos renovando essa capacidade de doação de si, embora possa ser até cruenta essa doação, porque discernimos um futuro de vida sem fim. Como consequência de tudo isso, é natural despertar o desejo de louvar ao nosso Deus. Nesse sentido, a Eucaristia é também louvor pela vida, não obstante como nos diz o evangelista São João: “Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24).

        A Eucaristia se torna, igualmente, esperança para o ser humano. Abre novos horizontes que o mundo nunca será capaz de dar. Dessa maneira, as pessoas se tornam mais motivadas a viverem a própria humanidade; ter coragem a encarar o dia a dia da própria vida. Se entrarmos nessa ótica da Eucarística, principalmente vivê-La, transformaremos, com certeza, a nossa realidade. Essas considerações nos mostram, de fato, que a Eucaristia assume toda a nossa humanidade para lhe dar plenitude conforme o seu Criador a concebeu. Ela é assim divina e humana contemporaneamente; é o tempo de "exaltação" do ser humano, dando-lhe razão ao seu ser.

        Como resposta a uma sociedade que se concentra exclusivamente numa felicidade materialista, em ter cada vez mais, temos a Eucaristia, que vem clarear nossos olhos para a essência da vida. Pois, para o mundo, é feliz quem acumula muito, quem tem reservas cambiais sem fim, grandes depósitos bancários, muitos imóveis, isto é, acreditam em uma salvação terrena. A visão Eucarística, no entanto, não se limita aos "olhos da matéria", a uma concepção de ter, possuir unicamente propriedades materiais que não podem enxergar além dos seus horizontes, mas nos auxilia a compreender que a verdadeira felicidade tem um futuro sem fim na sintonia com o seu Criador que é Deus.

        Não tem jeito, o ser humano não se auto gerou, portanto, precisamos sempre resgatar essa verdade de dependência para poder entender qual é o seu destino. Justamente, a Eucaristia nos ajuda a discernir além do nosso agir corporal. É a capacidade de confiar que não somos derrotados, mas somos vencedores de vida, porque o nosso Deus está conosco. Logo, a Eucaristia é uma presença de esperança bem vital, de vida eterna.

        Eu penso que uma sociedade privada dessa realidade se torna sem grandes perspectivas de vida e, consequentemente, a sua ação se limita a um fazer circunstancial, restrito ao confinado saber humano. Lembro-me quando ainda era um jovem seminarista da Diocese de Concordia-Pordenone, na Itália, quando tive uma experiência muito significativa a respeito.

        Os formadores daquele tempo nos ensinaram também a viver na realidade concreta de fazer opções constantemente pelo Nosso Senhor Jesus; não nos limitavam às aulas teóricas. Um ano, durante as minhas férias de verão, encaminharam-me a dar assistência a um sacerdote de Veneza, padre Giuseppe Spanio, que tinha esclerose múltipla.

        Essa doença chegou a paralisar o sacerdote, o qual precisou de total assistência. Ele tinha somente a mãe, que já estava de idade avançada, para ajudá-lo. Portanto, imaginem aquela cena com o sacerdote na cadeira de rodas e a mãe velhinha que se puxava de uma cadeira para outra servindo o filho padre doente.

        Um dia eu estava fazendo a barba dele, então, perguntei-lhe, visto que não celebrava mais a Eucaristia, como exercia o seu sacerdócio. E ele, com calma e tranquilidade, respondeu-me que agora estava celebrando um sacerdócio de doação total da sua vida. Estava imitando Jesus na cruz. Ele tinha certeza absoluta que a sua vida enferma era uma Eucaristia que nunca acabava.

        O sacrifício da sua vida era uma participação à doação na cruz de Jesus para a redenção do mundo. Eu aprendi com essas lições de vida que a Eucaristia não pode ser reduzida simplesmente a ritos, por quanto lindos possam ser, mas precisa ser encarnada na própria vida. Quando se celebra desse jeito a Eucaristia, certamente o nosso ser não fica o mesmo, mas se preenche de perspectivas de vida superiores as do mundo. (Essa reflexão foi tirada do meu livro: “Eucaristia – fonte da vida”).

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net