26 de setembro, 2014 - Belém

Eleições 2014 - Voto consciente


As eleições estão chegando e eu quero publicar um ‘alerta’ da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para os eleitores: votar em candidatos “Ficha Limpa”, para melhor contribuir para uma sociedade justa, solidária e fraterna. É, na verdade, esse momento uma oportunidade para firmar a democracia entre nós. A Igreja, através da CNBB, a convite do TSE, também faz a sua campanha “Voto Consciente”. É uma iniciativa para orientar os seus fiéis e todos os brasileiros e brasileiras a votarem firmados na ética e na cidadania à luz do evangelho. A Igreja, dizem os nossos bispos, participa na vida política do país devido a sua ‘consciência evangélica de sua missão’. 

Diz o documento dos bispos: “O papa Bento XVI lembra que a Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça”. A CNBB, preocupada com a vida do povo e de uma política que não contribui para o avanço da democracia, acrescenta: “Assistimos, infelizmente, a um forte desencanto da população em relação à política. Contribuem para isso, mais que as inúmeras denúncias de corrupção e desvio de conduta, a impunidade e a complacência com os culpados. É oportuno, portanto, recordar que a recuperação da política passa pela moralização dos políticos como verdadeiros 'homens de Estado' e não 'negociantes do poder', enredados em jogadas pessoais. Isso exige romper os laços entre política e negócios privados. Estamos convencidos de que um dos caminhos para se alcançar este propósito é uma reforma política ampla e consistente que estanque os caminhos da corrupção e amplie os canais de participação popular nas decisões do Estado”. Nesse sentido, os pastores da nossa Igreja insistem na importância de lançar a campanha do voto consciente para contribuir com a recuperação de uma política correta: “A campanha que lançamos quer contribuir exatamente para a recuperação da política como a construção do bem comum, recolocando-a no patamar do qual jamais deveria ter saído. Evidentemente, a Lei da Ficha Limpa sozinha não é suficiente para alcançar esta meta. A ela devem se somar outras leis e iniciativas que façam desta meta uma obstinação de todos que prezam pela ética e pela justiça no trato das coisas públicas”. 

Os senhores bispos reconhecem e aplaudem as iniciativas legais que tentam purificar a ação legislativa e administrativa do Estado: “A Lei 9.840, que combate a compra de votos e o uso da máquina administrativa, fruto também de iniciativa popular, merece toda nossa atenção. Ela é responsável pelo afastamento de inúmeros políticos cujos comportamentos feriram a ética. A recente Lei de Acesso à informação se revelou um eficaz instrumento também para a transparência no financiamento das campanhas eleitorais. Inspirado nela, o TSE tomou a inédita decisão de exigir dos candidatos a prestação de contas dos recursos de campanha ainda durante o processo eleitoral, como já haviam feito alguns juízes eleitorais em determinados estados do país. São iniciativas cidadãs dessa natureza que ajudarão a tornar as eleições limpas e a recuperar a política que, do ponto de vista da ética, significa ‘o conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre os indivíduos, grupos, nações que ofereça condições para a realização do bem comum’". A CNBB é consciente que essa campanha “Voto Consciente” pode ajudar a fortalecer a cidadania e a democracia no País. Somente essa participação poderá promover um avanço democrático. A CNBB termina o texto agradecendo o TSE pelo honroso convite em participar da campanha “Voto Limpo”. Com isso, diz o documento: “Com este nosso trabalho, tornemos presente entre nós o Reino de Deus, que é justiça e fraternidade.” O texto é assinado pelo Secretário Geral da CNBB - Dom Leonardo Ulrich Steiner. E o TSE, através da ministra Cármen Lúcia Rocha, agradeceu à CNBB, “que cumpre um papel histórico no Brasil no sentido de fazer com que a cidadania seja respeitada”. E continuou a ministra: “Me sinto honrada de, representando o TSE, estar junto com a CNBB nessa caminhada por um Brasil em que cada um assuma a responsabilidade com a sua história e, principalmente, com a história que é de todos”.

*Claudio Pighin, sacerdote, jornalista italiano naturalizado brasileiro, doutor em teologia, mestre em missiologia e comunicação.
E-mail: clpighin@claudio-pighin.net