29 de maio, 2014 - Belém

Comunicação e Cultura do Encontro


Domingo, 1º de junho 2014, celebra-se a Jornada Mundial das Comunicações Sociais, instituída pelo Concílio Vaticano II (decreto 'Entre as Maravilhas', 1963). O papa Francisco nos enviou uma mensagem para aprofundar a importância da comunicação, em um contexto cheio de tecnologia. Assim escreveu o pontífice: 'Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação nos deixam mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e, às vezes, muito acentuadas'.

Francisco consta que, na verdade, todo esse progresso tecnológico não proporcionou, em mesma medida, um progresso de fraternidade. Aliás, essa humanidade sofre demais. Continua o Santo Padre: 'O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e, até mesmo, infelizmente, religiosas'. Parece que todo avanço dado pela explosão da nova tecnologia da comunicação não melhorou o mundo sob o aspecto da convivência das pessoas. Nesse sentido, o sucessor de Pedro insiste para mudar essa realidade, dando-nos uma sugestão. 

'A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente, a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos', diz Francisco. A mídia deve assumir mais um papel de ajudar a criar uma cultura do encontro, porque é através disso que o ser humano pode projetar melhor a vida, uma vida de fraternidade. Assim sendo, nós não podemos pensar que essa nova tecnologia é simplesmente o instrumento a disposição do ser humano, e nada a mais. 

Prossegue o papa Bergoglio: 'O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído'. O santo Padre gosta de questionar as pessoas e diz: 'Como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – o que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros?'.

São perguntas que nos estimulam a encontrar respostas vitais. Rever a nossa maneira de fazermos comunicação. Uma comunicação que promova o ser humano. Continua o papa: 'Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro'.

Uma verdadeira comunicação, portanto, não é somente se fazer próximo do outro, mas de ajuda-lo a superar as dificuldades da vida. A andar pelas estradas da sociedade. Às vezes, me pergunto: até que ponto a nossa comunicação, tanto individual quanto institucional, faz o papel do samaritano? De fato, acrescenta o sucessor de Pedro: 'Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, isto nos leva a destruição'. Porém, o papa não somente alerta, mas encoraja a usarmos a nova tecnologia: 'Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos'. Celebrando esse Dia Mundial da Comunicação somos convidados a fazermos da nossa vida um testemunho cristão na nova mídia digital, para que se descubra a maravilha da vida em Deus.    

*Claudio Pighin, sacerdote, jornalista italiano naturalizado brasileiro, doutor em teologia, mestre em missiologia e comunicação.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net