11 de dezembro, 2014 - Belém

Catequese viva


Nosso amado papa Francisco, o Pedro entre nós, orienta-nos a ajudar jovens e crianças de hoje a fazer uma experiência “da verdade e do amor”. Mais que palavras, o santo padre insiste que devemos oferecer aos mais novos exemplos e testemunhos. A catequese hoje encontra dificuldades na preparação de crianças e jovens. Pela falta de conhecimento dos menores de 18 anos e pela própria aridez do ensino catequético, percebemos uma pobreza de recepção entre os catequizandos. De fato, existe uma catequese empenhada nas paróquias e comunidades, mas sem alcançar os resultados esperados.

Já encontrei catequistas desanimados porque não veem consequências positivas, frutos desse ensino na vida dessa juventude. “Parece-me que quando dou aula de catequese há um vazio, porque as crianças são intranquilas, irrequietas, têm dificuldades de prestar atenção ou de acompanhar um raciocínio. Enfim, é mais confusão que ensino”, comentou certa vez um catequista. A essa altura, precisamos nos questionar: por que as crianças e jovens de hoje têm dificuldades em seguir a catequese? Como se faz catequese para um público infanto-juvenil que vive a nova cultura digital? Como testemunhar a fé aos pequenos?

As crianças e os jovens de hoje estão, demasiadamente, mergulhados em uma cultura estimulada pelas imagens. Então, a educação passa, necessariamente, por esse tipo de comunicação, e aí a gente se pergunta: até que ponto nossa catequese é permeada por uma comunicação das imagens? Quem nos ensina a melhor interpretar esse tipo de catequese é o nosso querido papa Francisco. Um dia, encontrando-se com uma turma de meninos e meninas na capela de Santa Marta, no Vaticano, ele fez uma catequese através do diálogo. Pergunta e resposta animaram o encontro, com o papa fazendo o papel do catequista. 

Francisco faz questão de indagar: “Ensinamos a caminhar no amor e na verdade? Ou o ensinamos com as palavras, mas a nossa vida pega outro rumo? Um cristão deve se preocupar com as crianças e com os jovens para transmitir a fé, transmitir aquilo que vive, que está no seu coração. Nós não podemos ignorar as plantinhas que crescem”. Portanto, não é suficiente um repasse de doutrinas e verdades da fé, mas precisamos que tudo isso passe necessariamente pela vida de quem catequiza. Deve-se viver para depois transmitir. Para ser verdadeiro catequista, é preciso ter a atitude de irmão, de pai, de mãe, de irmã, lembra o papa. 

É um envolvimento pleno de vida das coisas de Deus. Insiste o santo padre Bergoglio: “Todos nós temos uma responsabilidade de dar o melhor que temos; e o melhor que nós temos é a fé: doa-la a eles, mas doa-la com o exemplo! Com as palavras não serve. Hoje as palavras não servem! Neste mundo da imagem, todos estes têm o celular e as palavras não servem... Exemplo! Exemplo! O que dou a eles?” Nesse sentido, o papa logo dá o testemunho de como catequizar através do diálogo. Ele lhes pergunta por que foram pra missa dele. Depois de certo silêncio, alguém teve coragem de abrir a boca e dizer: “Para te ver!”. 

Então, o papa respondeu: “Também eu gosto de ver vocês”. Continuou o papa perguntando se receberam a Primeira Comunhão, ou a Crisma e logo em seguida diz para todos que o Batismo ‘abre a porta à vida cristã’ e, a seguir, inicia um ‘caminho longo por toda a vida’. Um caminho marcado pela verdade e pelo amor, e que se seguirá com outros Sacramentos que irão enriquecer esse percurso cristão. Este caminho, o papa faz questão de frisar, se deve vive-lo como Jesus: “Nesses Sacramentos, pergunto-vos, a oração é um Sacramento? Forte: Não! É verdade, não! A oração não é um Sacramento, mas devemos rezar. Não sabem se devem rezar? Eis, bem: sim! Rezar o Senhor, rezar Jesus, rezar Nossa Senhora, porque eles nos ajudam neste caminho da verdade e do amor. Entenderam? Vocês vieram para me ver, quem foi que falou? Tu. É verdade. Mas também para ver Jesus. Tá certo? Ou deixamos de lado Jesus?” As crianças responderam: “Não!” Continuou o papa: “Agora, Jesus vem no altar. E O enxergaremos todos! É Jesus! Neste momento, devemos pedir a Jesus que nos ensine a caminhar na verdade e no amor. 

Vamos dizer todos juntos: ‘Caminhar na verdade e no amor’”. Concluindo, o papa nos ensina que também a catequese tem que ser impregnada de comunicação para se tornar viva e eficaz, e a Pascom( Pastoral da comunicação) pode ajudar nisso.      

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net