10 de julho, 2014 - Belém

Capitalismo e socialismo: quem depois deles?


O século XXI nos obriga a fazer novas opções politicas e econômicas. Eu diria também que nos obriga a fazer boas escolhas nas próximas eleições. Questionemos, portanto! No século passado, estávamos acostumados a pensar e agir com dois polos opostos que se combatiam mutuamente: capitalismo e socialismo. A nova ideologia que vai entrar será, com certeza, muito superior à concepção restrita do passado de mercado, economia e concepção da mesma vida. Todo mundo sabe, inclusive a pessoa mais simples da sociedade, que a maneira de conduzir a vida do passado já foi e agora é outra coisa, totalmente diferente. Em síntese, era resumido assim: tínhamos as economias de planejamento estatal, centralizadas, representadas pela ex-União Soviética; e tínhamos também a economia capitalista, de mercado livre. 

A economia socialista praticamente caiu nos anos de 1980, e, naturalmente, a seguiram os sistemas políticos comunistas europeus; a segunda, a capitalista, está se desintegrando aos olhos de todos pelas crises constantes que a assolam. Parece evidente que tudo isso vai marcar o fim do tipo de capitalismo de mercado livre que se impôs ao mundo a partir dos governos de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Assim sendo, o futuro, inclusive como o presente e o passado, pertence às economias mistas em que o público e o privado sejam de fato vinculados reciprocamente. Como fazer isso? Essa é a questão para se enfrentar. 

Vendo rapidamente o cenário político do passado, a partir dos anos de 1950, o socialismo deveria somente garantir uma distribuição igualitária dos bens, esquecendo-se de todo o resto, e, assim, se podia tranquilamente confiar no sistema capitalista como certeza de única geração de riqueza. Mas o que acontece? A partir dos anos 1970, com o avanço cada vez mais da globalização, aumentaram as dificuldades e as ameaças à concepção socialdemocrata inglesa e todos os seus seguidores. E o Reino Unido não respeitou mais as regras do mercado e vendeu as suas indústrias a quem mais oferecia. O país deixou de fabricar bens para a exportação e se concentrou totalmente em se tornar um centro mundial dos serviços financeiros. Torna-se desse jeito em uma economia mixta. 

De qualquer forma, uma coisa é certa: não sabemos como se sair dessa atual crise. Ninguém faz exceções. Nenhum governo ou bancos centrais sabe, embora tentem de todo tipo de saídas ilusórias como se fossem a solução do problema (isto, sobretudo, em clima eleitoral). Além do mais, temos que reconhecer a dependência dos governos às normas do livre mercado. De toda maneira, não acredito que uma nação, apostando no máximo do crescimento econômico e de competitividade comercial, seja a verdadeira solução para essa crise. Precisamos resgatar aquela persuasão que aponta o crescimento econômico como meio e não um fim. Sim, porque o fim nada mais é que efeitos, resultados, com as possibilidades cada vez melhores de vida para as pessoas. 

Até que tivermos, por exemplo, condições de vida miseráveis, de favelas, os índices econômicos, por mais que possam ser muito positivos, não revelam superação de crise. Não é suficiente dizer que o PIB (Produto Interno Bruto) alcançou níveis consideráveis, altamente positivos, se não foi possível influenciar na mudança de vida de extrema pobreza de milhões de pessoas. Os cidadãos têm direito de viver naqueles lugares tão horríveis? Todo mundo tem uma assistência sanitária e educacional digna? Portanto, o teste de uma política progressista não é privada, mas pública; não é suficiente o aumento do crédito e do consumo per capita, mas a ampliação das oportunidades e capacidades de todos em ter uma melhor vida pelo meio da ação coletiva. 

Para isso, são necessárias decisões públicas diretas para alcançar melhorias sociais coletivas pelas quais todo mundo seria beneficiado. E qual o problema maior que hoje estamos enfrentando? É a crise do meio ambiente. Também isso não foge daquela lógica política da coletividade: do livre mercado à ação pública. As eleições estão chegando e tudo isso devemos refletir. Qualquer escolha que seja positiva deve passar para essas mudanças que acabei de escrever. 

Será que teremos tempo e coragem para fazer? Com certeza, não podemos perder tempo.   

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista. 

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net