26 de fevereiro, 2015 - Belém

Campanha da Fraternidade 2015


A Igreja Católica no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, desta vez, com o tema “Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” (Mc 10,45). Fiel à sua vocação evangelizadora, a Igreja quer servir ao povo, estar próxima dele, para colaborar na construção do Reino de Deus, onde não existe exclusão e o ser humano tem respeito e dignidade. E tudo isso hoje é mais urgente, porque a nossa sociedade está longe de viver esses valores do Reino de Deus. Está demais concentrada em viver os seus valores que não se identificam com os de Jesus o Cristo. 

Assim sendo, é urgente o imperativo ‘viver a fraternidade’. O papa Francisco quis participar dessa campanha da quaresma e enviou uma bonita mensagem. Segue na íntegra: “Queridos irmãos e irmãs do Brasil! Aproxima-se a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Tempo de penitência, oração e caridade. Tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus, através da sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d’Ele «O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos» (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha «Fraternidade: Igreja e Sociedade».

De fato, a Igreja, enquanto «comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade» (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo» (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade - propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II - como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro. 

A contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cfr. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das realidades terrenas (cfr. Idem, 36), encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer «assumir evangelicamente, e a partir da perspectiva do Reino, as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser humano» (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. 

Lembremo-nos que «cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Exort. Apost.Evangelii gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, «porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos» (Discurso na Comunidade de Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.

Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz «Eu vim para servir» (cf. Mc 10, 45), nos ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressureição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.” (Franciscus PP.)

Portanto, o papa nos encoraja a não se deixar levar pela situação ou dizer “o que posso fazer perante tanta injustiça e miséria?” Mas despertar o interesse que cada um de nós pode se tornar protagonista do Reino de Deus na nossa vida. Que temos, sim, capacidade de fazer, de verdade, fraternidade nessa sociedade tão conturbada. 

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net