12 de fevereiro, 2015 - Belém

As redes sociais informam ou desinformam?


Por que notícias falsas correm rapidamente nas redes sociais? Qual a intenção de tudo isso? Para que serve esse tipo de (des) informação? Em síntese, poderíamos dizer que as falsas informações percorrem de forma extraordinárias as redes sociais porque é através delas que se tenta firmar as amizades com pessoas de mesmo caráter e que trocam conteúdos entre si. Todos nós sabemos que a informação é um fenômeno de contagio social e, nesse sentido, nunca, como hoje, vimos a grande importância que assumiu a mídia como informação. Essa vitalidade das notícias tem uma semelhança entre as pandemias e a maneira como circula uma falsa notícia nas redes sociais, mas também tem grandes diferenças. 

A partir dessas considerações se torna difícil prever e analisar suas dinâmicas. A essa altura, podemos nos questionar: sobre esse tipo de ação nas redes, é possível considera-la como inteligência grupal-comunitária ou poderia ser considerada uma ignorância grupal-comunitária? Provavelmente, por que não considera-la as duas faces da mesma moeda? Uma coisa é certa: a informação é um fenômeno de contágio social. Assim que recebo, por exemplo, algumas informações dos meus amigos ou conhecidos e começo a repassa-las. É como se tivesse sido infectado. E, por sua vez, eu infecto os outros. Portanto, como se defender dos vírus das redes? 

Falando de informação, a sociedade tem uma grande incidência sobre a possibilidade de contágio.  E se por acaso essas informações vierem de amigos ou de pessoas que simpatizamos e que confiamos porque têm os mesmos interesses e pensamentos, então têm ainda mais importâncias as informações. Assim sendo, é possível prevê onde, quanto e quando se difunde uma informação falsa? Perante esse questionamento, precisamos compreender o que é uma notícia falsa, o que é desinformação. Às vezes, é simples para entender, às vezes, é meio complicado. Portanto, compreender qual é a percepção do mundo a respeito de uma determinada notícia pode ser bem complexo. 

Precisamos detalhar o espaço, o ambiente onde nasce essa falsa notícia; identificar as pessoas com quem se mantém o contato constantemente e seus costumes de vida, e assim por diante. Com essas novas tecnologias que invadem qualquer território pode ser mais possível identificar elementos para uma melhor analise da realidade e, assim, cruzar as notícias e identifica-las. Mas se isso é verdade para peneirar melhor as notícias, também é verdade que se podem difundir cada vez mais notícias falsas. Essas redes sociais, colocando a disposição de todos quaisquer tipos de notícia, podem iludir muitos de saber tudo, de estar informado de maneira eficiente. No entanto, isso não é verdade. 

É bem sabido, sobretudo para quem se dedica na área de comunicação, que às vezes são necessários anos de estudo para compreender determinadas notícias. Vejam, por exemplo, essas tão martirizadas notícias de conflitos e guerras no mundo, ou a violência no nosso meio: quem sabe a verdade? Requer conhecimento bem profundo que saiba fazer uma correta leitura da notícia. Para tudo isso é precisa preparação. No final, em todas as coisas que se fazem no dia a dia dificilmente se improvisa: conhecimento e experiência se tornam os ingredientes principais da nossa ação. Com tudo isso, temos que admitir que tudo o que corre nas redes sociais são, automaticamente, verdadeiras informações. 

Alias, pode se tornar uma ignorância coletiva, na medida em que as redes divulgam falsas notícias ou informações. É urgente, nesse sentido, estabelecer uma escala de valores. Isto nos dará mais capacidades de vigiar as notícias. Não somente isso, mas também nos alertar sobre os valores reais que aparecem através dessas informações. É urgente nos conscientizar para evitar abrir um grande conflito entre a idade da inteligência coletiva e da ignorância coletiva. Infelizmente, essa ignorância coletiva pode mudar a própria realidade: compreender uma coisa por outra pode levar a situações desastrosas. É um retrocesso da convivência humana. É recomendável, deste modo, quando se quer lançar uma notícia, embora pensando de fazer um favor aos outros e amigos, sempre verifica-la. 

Para fazer isso, pode-se pesquisar até um motor de busca, procurar um site que alerte sobre as falsas notícias ou consultar pessoas que sejam peritos de tal assunto e argumento. Com isso, sentimos de aumentar sempre mais o nosso monitoramento cotidiano sobre aquilo que se comunica nas redes, para analisar até que ponto as informações sejam corretas. Assim, ajudamos fazer transparecer a verdade das notícias.

 *Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

Email: clpighin@claudio-pighin.net