03 de fevereiro, 2014 - Belém

A internet em 2014


Desde o surgimento dela até hoje, podemos notar como foi exaltante a trajetória de sua evolução. Já escrevi bastante sobre isso, fazendo colocações positivas e, ao mesmo tempo, negativas. Mas posso dizer agora que esta inovação tecnológica se torna tão essencial e natural na vida das pessoas, que cria certa dependência. Veja, por exemplo, o uso da energia elétrica. Ninguém de nós a enxerga nem a percebe, em certo sentido. Porém, se a eliminássemos da nossa vida, sentiríamos muita falta. Aliás, entraríamos em crise.

Parece que está começando também esse fenômeno com a internet: ela se torna tão natural na nossa vida que não podemos mais ficar sem ela. Todos nós estamos assistindo, em cada setor da sociedade, que o seu uso se tornou um imperativo. Normalizou-se como um bem necessário e vital da nossa sociedade. Tanto é verdade que não precisa mais explicar isso ou aquilo sobre internet, porque tudo se dá por descontado, enquanto faz parte do cotidiano. Por qualquer coisa que precisamos no nosso dia a dia, a gente faz sempre referência a esse bem indispensável.

Até o serviço público é determinado por esse fenômeno. Assim sendo, podemos dizer que teremos, nesse ano, mais conectividade ubiqua, isto é, pervasiva, e cada vez mais econômica. A conectividade por si só não é mais suficiente, mas precisa incrementar os serviços e novas soluções ligadas ao fenômeno da internet. Isto vai aumentar, com certeza, o uso da rede mundial de computadores. Não é difícil prever que esse ano, aliás, para os anos sucessivos, vai ser marcado por essa ação digital pervasiva.

Pode-se notar que os dispositivos tecnológicos são cada vez mais reduzidos e pequenos, assim permitem certa facilidade de acesso à rede e, consequentemente, à conexão. Teremos uma tendência para a ligação móvel presente em todo lugar. Com isso, até as populações menos favorecidas poderão ter acesso à internet com uma tecnologia mais simples e mais abordável financeiramente. Hoje a cultura se torna sempre mais digital. Observamos como o jornalismo, a música, o cinema, as fotografias, os livros, as igrejas, políticas, esportes se digitilizam rapidamente.

Talvez a questão da educação ainda ande um pouquinho devagar. Na verdade, temos muitos projetos e muitas promessas por parte do governo, mas que não passam disso. Por exemplo, para um país continental como o Brasil, o sistema digital pode ter um papel preponderante para uma maior partilha de objetivos e realizações que possam promover o povo como um todo. Ações de inclusão. O uso da tecnologia digital proporciona, inclusive, uma certa satisfação das pessoas, porque lhes permite superar distâncias, maiores contatos e informações e abordagem de realidades que no passado era quase impossível.

No entanto, todos temos de apreender a vigiar aquilo que estamos fazendo, as nossas opções que influenciam os nossos comportamentos. Aqui entra em jogo, também, a sensibilidade da nossa privacidade por meio da gestão dos dados pessoais. Essa maturidade em saber gerir a internet tem que crescer com a mesma velocidade que cresce a inovação digital. É verdade que essa mídia não é mais um espaço de inovação, mas é objeto de contínua renovação. É cada vez mais importante. É o lugar onde nós assemblamos a nossa percepção do mundo e nisto se concentram as nossas decisões.

Porém, conforme umas publicações que eu vi, dizem que um por cento mais rico do mundo poderá controlar agora o que nós vemos na internet.

É em jogo a nossa liberdade digital. Certamente, a internet em 2014 terá um papel preponderante na vida das pessoas e na sociedade. 

Cláudio Pighin é sacerdote, jornalista italiano naturalizado brasileiro, doutor em teologia, mestre em missiologia e comunicação.

Email: clpighin@claudio-pighin.net