28 de dezembro, 2015 - Belém

2016 de paz


Paz! Paz! No novo ano 2016 todos são convidados a pensar, rezar e transmitir paz. Porém, todos os dias, constatamos como é difícil vivê-la. Parece que o nosso pequeno planeta, de fato, tem certa rejeição em viver a paz. Por que isso? Talvez, precisamos focalizar a questão para que todos nós possamos contribuir por uma assim chamada política da paz. Esta é possível por meio de uma informação de paz. Paz e informação. Duas realidades fundamentais para a convivência humana. Parece que estão em risco. O nosso mundo, onde o progresso avança sempre mais e a tecnologia dos meios de comunicação se expande com ritmos acelerados, mostra-nos a real ligação e dependência entre esses dois fatores, a comunicação e a informação. 

Aliás, dizia o papa S. João Paulo II, elas representam hoje um poder que poderia bem servir a causa da paz, mas também criar tensões e provocar guerras e violações dos direitos humanos. Segundo McLuhan, nós estamos determinados pela tecnologia, ou seja, pelo determinismo tecnológico e, por isso, para ele, a única solução é desconectar o cabo de força da tomada, isto é, cortar esse tipo de comunicação. Certamente, nós não estamos de acordo com esse tipo de afirmação, embora reconheçamos que a situação seja preocupante. Porém, achamos que o ser humano possa encontrar as soluções por meio da sua capacidade do saber e do dialogar. No entanto, nos questionamos: será que estamos ensaiando, vivendo esta dimensão do saber e do dialogar? 

Pelo menos nós da Igreja nos interrogamos o que estamos fazendo, de fato, em relação a isso. Despertemos, porque a paz tem pressa, não pode nos esperar, porque bilhões de crianças, mulheres e homens estão vivendo de maneira dramática.  A paz começa nos corações. Não é simplesmente a ausência da guerra nem é promovida apenas para evitar o conflito mais vasto. Ao contrário, ajuda a orientar o nosso raciocínio e as nossas ações para o bem de todos. Ela se torna uma filosofia de ação que nos ajuda a sermos todos responsáveis pelo bem comum e nos obriga a dedicarmos todos os nossos esforços para a sua causa. 

Vejamos, por exemplo, como a informação é submetida a limitações e condicionamentos políticos e econômicos, arriscando, assim, de ser sempre menos independente, livre e insuficiente. Desde sempre, a guerra como o terrorismo se alimentam por uma informação facciosa, parcial e duvidosa que gera medo, ódio e violência. Ao mesmo tempo, cada vez que se esconde ou se muda a verdade, que se obscurece uma manifestação ou projeto de paz, que se privilegiam os interesses de uns no lugar do bem comum, cumpre-se assim um grave atentado à construção da paz. 

O papa Francisco escreveu: “Embora o ano 2015 tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e atos terroristas, com as suas trágicas consequências de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma «terceira guerra mundial por pedaços», todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também do ano 2015 incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença.”

Continua o papa Bergoglio: “Penso também nos jornalistas e fotógrafos, que informam a opinião pública sobre as situações difíceis que interpelam as consciências, e naqueles que se comprometem na defesa dos direitos humanos, em particular os direitos das minorias étnicas e religiosas, dos povos indígenas, das mulheres e das crianças, e de quantos vivem em condições de maior vulnerabilidade. Entre eles, contam-se também muitos sacerdotes e missionários que, como bons pastores, permanecem junto dos seus fiéis e apoiam-nos sem olhar a perigos e adversidades, em particular durante os conflitos armados.”

Infelizmente, os grandes e poderosos meios de informação difundem uma falsa ideia da paz que se associa a inércia, renúncia, entrega, resignação, impotência. As imagens, palavras e atitudes irresponsáveis transmitem princípios e comportamentos que corroem as raízes por uma cultura da paz. Porém, a paz se gera e mantém com uma informação e uma comunicação livre, se preocupa com o bem comum, é próxima aos direitos e as necessidades das pessoas. Assim sendo, uma livre informação pode crescer somente na paz. 

Por fim o papa diz: “Desejo dirigir um tríplice apelo: apelo a abster-se de arrastar os outros povos para conflitos ou guerras que destroem não só as suas riquezas materiais, culturais e sociais, mas também – e por longo tempo – a sua integridade moral e espiritual; apelo ao cancelamento ou gestão sustentável da dívida internacional dos Estados mais pobres; apelo à adopção de políticas de cooperação que, em vez de submeter à ditadura dalgumas ideologias, sejam respeitadoras dos valores das populações locais e, de maneira nenhuma, lesem o direito fundamental e inalienável dos nascituros à vida.”

Que o ano 2016 seja marcado pelo apelo do papa pela PAZ.

*Claudio Pighin, sacerdote e jornalista.

E-mail: clpighin@claudio-pighin.net