07 de agosto, 2013 - Belém

Artigo: Jogando contra na reeleição presidencial



As ameaças à reeleição da presidente Dilma Rousseff continuam mais entre os aliados do que na oposição. Na prática, sua reeleição depende muito mais dela mesma que do desempenho de seus adversários.

Apesar da brutal perda de popularidade, ela ainda tem prestígio suficiente para ganhar a eleição de 2014. Entretanto, embora haja tempo para reverter o cenário adverso, os desafios não são pequenos (relação ruim com a base aliada, situação da economia etc.). No próximo ano, teremos uma disputa pulverizada com candidatos fortes e competitivos (Dilma, Aécio Neves, Marina Silva, Eduardo Campos e, talvez, José Serra).

Para mudar a atual conjuntura, a economia precisa melhorar um pouco, o PT e o PMDB precisam causar menos problemas e, sobretudo, o governo precisa começar a funcionar melhor.

O PT é uma permanente fonte de problemas por colocar os interesses partidários acima dos interesses do governo. Tal comportamento se revela na intolerância em ceder espaços para aliados, na forma de tratar o mundo político não petista e, mais recentemente, na insistência em promover a campanha “Volta Lula”. Além de querer “expulsar” o PMDB da coligação.

O PMDB atrapalha quando faz retaliações ao tratamento que recebe votando contra os interesses do Executivo.

O governo atrapalha quando é ineficiente, quando não promove um bom entendimento com a base governista e, principalmente, quando não dá autonomia aos ministros, que são tolhidos em seu poder de ação. Tanto pelo centralismo de Dilma quanto pelo deslocamento das competências para outros ministros.

No entanto, é importante mencionar que os problemas para o governo e a presidente não são somente econômicos ou políticos. As manifestações de junho mostraram que, embora exista uma insatisfação com o aumento da inflação e seu impacto no poder de compra dos brasileiros, a opinião pública cobra respostas novas a uma nova agenda que brotou das ruas, cuja prioridade é a melhoria dos serviços públicos.

Enfim, a meses do início da campanha eleitoral, Dilma deve rever seus conceitos e sua forma de agir para restabelecer seu favoritismo, além de criar uma marca para sua gestão e respostas às novas demandas. Ou decidir abrir mão para o retorno de Lula, hipótese menos provável e de alto risco político nesse cenário. 

Como o ex-presidente foi o responsável pela chegada de Dilma ao Palácio do Planalto, somente um argumento muito forte seria capaz de justificar a troca de candidato a essa altura do campeonato. Como existe uma simbiose entre Dilma e Lula, aspectos positivos e negativos do governo repercutem diretamente na imagem de ambos.

As manifestações de junho abalaram a política e desmontaram um governo que era popular, mas profundamente incompetente na forma de se relacionar com o mundo político e empresarial e com as forças da sociedade organizada. Apesar de ter boas intenções, falta ao governo tanto competência para fazer as coisas acontecerem quanto vocação para o diálogo - dois fatores primordiais para o sucesso de qualquer governante.