24 de novembro, 2016 - Belém

Um sem vergonha chamado Brasil!!


Dizem que raiva e tristeza são bases fortes de inspiração para boas músicas e bons textos, não sabendo se é verdade isso, a primeira me faz começar a escrever esta coluna. Estive há pouco em um banco público e vi uma senhora humilde querer depositar 300 reais na conta de algum parente e ao pedir a senha a atendente ainda fora do banco indagou qual o valor? Ao saber que eram 300 reais disse que não poderia ser feito na agência, que deveria ser feito nos caixas eletrônicos, área onde a referida moça estava dando informações. 

A senhora insistiu e disse que nos caixas demoraria para liberar o valor na conta e que o tal parente estava esperando o dinheiro para sacar (devia ser necessário, como o é sempre na vida de quem quer que seja, imagina no dos mais humildes, naquele momento aquilo era quase uma fortuna!), a atendente disse que era uma regra do banco e que não poderia ter exceção, aí minha indignação falou muito mais alto, eu informei que aquilo não era legal e muito menos moral, que o cidadão pode fazer depósito onde quiser desde que obedecido o horário de abertura da agência, que era o caso pois faltavam 35 minutos para o fechamento. Ela em tom exasperado perguntou se eu era parente da senhora ou algo similar? Respondi que não e nem precisava, que não estava com tempo para discutir e ou ela dava a senha para senhora ou eu chamaria a polícia para atuar no caso com flagrante de discriminação e repasse de informação indevida em órgão público (confesso que nem sei se o segundo seria crime, mas enfim!) Ela muito a contragosto chamou uma gerente que chegou também querendo dar razão ao que não havia e que foi informada novamente pela minha opção de chamar a polícia, quando ela viu que estava ligando realmente para polícia, deu a senha e a senhora que já estava prestes a desistir fez seu depósito de 300 reais e o seu parente onde quer que seja pode sacar. 

A pergunta que aqui cabe é: Por que se faz isso tão facilmente neste rascunho de país? Usar de cargo público ou de “poder” com todas as aspas possíveis e imagináveis e para coagir quem é menor e pior a senhora me agradeceu fervorosamente como seu eu tivesse sido herói. Não! Eu não fiz nada demais é este tipo de situação que faz tanta gente depender de vereadores, prefeitos e demais políticos para conseguir o que tem por direito de lei e sabe quando isso vai mudar? Nunca!!

Em 2013 segundo reportagem do Jornal o Globo havia 410 municípios a serem criados que se somariam aos 5.570 existentes além de tentar levar para as Assembléias Legislativas dos Estados a prerrogativa de criação, para ter mais uma penca de gente que não serve para muita coisa e para poderem ser os que conseguem as coisas para os que tem direito a elas. A PLP 137/15 está para ser analisada no congresso sobre a criação de novas cidades por leis estaduais, novamente faço uma indagação: Para que? Para aumentar o tamanho da ineficiência da máquina e poderem criar formar de roubar, empregar de forma errada e gastar indevidamente o dinheiro recolhido por uma carga tributária que precisa ser explicada em trabalhos acadêmicos no exterior, pois as bancas examinadoras acham que é erro de digitação.

Segundo um estudo da FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro de 2010, 83% do municípios brasileiros não geram sequer 20% de sua receita necessária para funcionar e hoje, 6 anos depois o quadro é pior e só vai piorar. Há 10 anos eu escrevia que não haveria dinheiro para os Estados pagarem as folhas de pagamento e eu era chamado de maluco, que prefeituras tudo bem mas Estados, jamais iam deixar de pagar, pois bem eu afirmo em alguns poucos anos o Governo Federal também não vai pagar em dia, apenas aguardem.

Não paramos de ter despesas, as empresas não suportam mais tanto imposto em cascata, alguns estados se vangloriam de ter caixa, mas sobretaxam a energia elétrica acima do permitido e fica por isso mesmo, mas é motivo de comemoração de contas “saudáveis”. Há algumas colunas atrás eu mostrava a necessidade da mudança de governo, não por defender A ou B, mas por mostrar que estava impossível continuar com aquele tipo de gestão, a mudança veio melhoraram alguns pontos, mas o geral continua podre e ridiculamente ruim. Aqui a parte pública tanto quanto com o ex presidente de 9 dedos, quanto o candidato da terra do pão de queijo e com o ministro que pede favores e é recolado em outro cargo e não demitido, isso só mostra que mudaram os palhaços mas o Circo não foi desmontado.

É uma pena com um país geograficamente tão perfeito como o nosso, não há nenhum nem de perto parecido em aspectos positivos de clima, relevo, hidrografia, mas realmente perdemos a mão, deixamos de ter idéia de como fazer correto. Temos sim muita gente boa, esforçada e competente, mas enquanto não entendermos que aquela senhora dos 300 reais lá do início e muitos mais que são menos próximos de soluções e de seus direitos, puderem fazê-lo sem achar que devem favor a ninguém e simplesmente ter conduta que permita o direito ser atendido com dignidade, de nada adiantará o resto.

Continuaremos com uma classe dominante brega, que brinda com bebidas caras sem sequer saber a origem da mesma ou porque são mais caras, que vai a Paris muito mas pelas fotos em redes sociais do que para aproveitar a história e lugares daquele país, teremos sempre uma fábrica de espertos e uma grande horda de otários enfurecidos, mas sem grande rebeliões e isso é muito perigoso e só aumenta a violência cada vez mais, porém o tal Brasil, achando-se malandro e sabendo que é sem vergonha,  vai “empurrando tudo com a barriga” e muitos dos seus filhos, acabam indo para outras terras dar o seu melhor para outras pátrias e ficando tristes e se perguntando por que não pode fazer aquilo de bom no seu país, na sua terra natal? E dói muito nos que vão, pois se pudessem ficavam, ou pelo menos escolheriam ir ou não e assim a juventude de hoje absurdamente pensa em viver fora daqui e diferente de outras gerações, sem querer voltar! Triste Brasil, você realmente é sem vergonha, pois seu filho não foge à luta, mas não quer tombar sem chance de se defender. Por quê Brasil, Por quê? Fiquem na paz e lembrem-se: Pouca conversa e resultado sempre dá certo!