29 de dezembro, 2015 - Belém

Teremos novamente uma chance de mudar, vem aí: 2016!


Estamos a 2 dias de findar mais um ano e entrarmos em um novo ciclo com a mesma esperança que chamo de 'a fantástica esperança da agenda nova', onde achamos que do dia 31 de dezembro para 1 de janeiro tudo vai simplesmente mudar, mas não vai, pelo menos não dessa forma.

Tudo ou uma parte só muda se mudarmos, se realmente modificarmos nossas atitudes e comportamentos, se adicionarmos uma pitada gentil de disciplina e colocarmos muitas gotas de determinação, aí sim a receita começa a melhorar seu sabor. Se ficarmos apenas querendo não iremos conseguir quase nada, ou melhor, até iremos, conseguiremos nos frustrar e lá por meados de setembro já iremos ansiar por um novo último dia de dezembro.

Para não me deter ao mundo pessoal, tão importante, mas tão egoísta, que tal pensarmos em coletividade, palavra tão falada, mas tão pouco praticada em terras brasilis.

Devemos em 2016 refletir sobre as mazelas de nossa pátria mãe gentil, que está tão pouco doce conosco (ou será que somos nós que perdemos a gentileza com ela?). Para ser fácil vamos dividir 4 temas: educação, saúde, violência e política.

Começando pelo mais nobre e campeão de audiência em 2016, ano de eleições, a educação sempre está no topo de nossas intenções, mas pouco de nossas ações. Passamos a confundir a palavra pública como sendo de outro, não nossa, e, portanto, ou não nos envolvemos ou não cuidamos, mas público é de todos nós. Que tal em 2016 fazermos parte de grupo de ajuda nas escolas públicas, mesmo que seu filho ou filha não estude lá? Que tal como profissionais irmos às universidades falarmos da carreira para estudantes? Ou ainda darmos exemplos para nossos filhos como leitura e conversa, em vez de TV, wi-fi e games? 

Será que essa geração é viciada em tecnologia ou será que nós não fazemos nada para dar opções? Não vejo crianças estimuladas a correr, jogar bola, tomar banho de igarapé, rio, mar ou o que o valha. Não vejo muitas amarras para ficarem em jogos eletrônicos, com exceção dos casos crônicos. É recorrente filhos de amigos me ligarem para saberem sobre história, pois precisam para seus trabalhos e seu pais não sabem e nem se esforçam para tirar as dúvidas dos pequenos. 

Muitos desses 'responsáveis' com todas as aspas possíveis foram alunos relapsos e agora querem que os filhos estudem, mas sequer dão exemplos de pontualidade aos seus e querem exigir. Como? Pensemos que só a educação – e só mesmo! – é que pode mudar este país, sem isso, podem esquecer e procurar o aeroporto.

Na saúde, devemos mais do que nunca nos cuidar, comendo melhor, fazendo mais exercícios, algo que a região Norte do Brasil tem excelentes índices, como se fala: é cultural. Precisamos, porém, mais e mais cuidar de coisas simples, como a saúde psíquica, dos dentes, tão deixados de lado sempre, e evitar querer dominar o mundo em um ano e com isso morrer de estafa e cansaço crônico. Pensemos em 'dominar nossa boca', comendo melhor e menos, quem sabe uma dieta correta, com acompanhamento. E como muitos não podem, quem sabe um trabalho voluntário para ajudar os mais necessitados, quem sabe abrir vagas em grupos de corrida para pessoas com menor renda ou criar a figura do corredor anjo, que vai ajudar uma pessoa carente na corrida. Assim tudo vai ficando melhor e mais leve. 

No caso da violência, pouco se pode fazer e muito se pode ajudar, a começar em não comprarmos nada que seja pirata, em não comprar objetos de origem duvidosa, pois se algo é roubado é porque ele tem valor de revenda, senão jamais seria. Devemos também estar atentos aos nossos movimentos, pois vivemos em guerra civil, infelizmente, então, todo cuidado é pouco ou vamos virar exceção. Vamos evitar e combater o consumo de drogas, muitos contestam a maconha, mas todas as drogas não podem ser permitidas, nem as lícitas como o álcool, portanto, nada de incentivar menores a beber, o que na idade deles não é permitido. A base da violência é o descumprimento leve da lei, que depois vem mais grave até que explode em algo sem controle. Novamente o coletivo é a barreira para isso.

E chegou mais uma eleição e nossa chance de fazer algo inovador, eleger quem presta e quem vai fazer alguma coisa, eleger quem não fique me dando coisas ou me prometendo coisas antes da eleição, pois depois ele terá que pagar isso de alguma maneira e será da pior possível, pode ter certeza. Chegou a hora de eleger pessoas com sabedoria e capacidade técnica de produção na vida pública, mais da metade de nossos vereadores no Brasil são analfabetos funcionais, quando não conseguem interpretar de maneira simples pequenos textos. Chegou a hora de votar em que pode fazer e não em que é famoso, como o caso do palhaço Tiririca, que é muito defendido por ser honesto, mas que não produziu praticamente nada durante seu mandato. Temos que parar de colocar o cara da rádio ou da TV como se apenas isso fosse o que precisássemos para eleger alguém. Se você fosse contratar alguém para sua empresa colocaria alguém sem qualificação apenas por ser famoso? Como eleger alguém que vai gastar três vezes mais que vai ganhar no exercício do cargo? A conta não fecha de maneira nenhuma e alguém precisará pagar a diferença e sem dúvida somos nós.

Torço para que 2016 seja realmente diferente, precisamos pelo menos voltar a ter o mínimo de dignidade, mas isso não depende de ninguém, apenas de todos nós, que no final somos os responsáveis pelas manchetes dos jornais do dia seguinte. Feliz 2016 cheio de realizações e mudanças. Fiquem na paz e lembrem-se: pouca conversa e resultado sempre dá certo!