13 de outubro, 2015 - Belém

O namoro acabou definitivamente


O dólar ultrapassa a casa de R$ 4 reais, os cortes nos programas sociais que eram a base do discurso e da sedução são cortados vertiginosamente e os ajustes necessários que deveriam ser feitos lá atrás até agora não foram por que ao mesmo tempo em que o governo precisa gigantemente de apoio político e, portanto, não pode brigar com ninguém dentro e fora do Congresso Nacional, precisa tomar medidas demasiadamente duras  em diversos setores, ou seja, está igual aquele pai que descobre que a filha ficou reprovada na escola, está usando drogas, mas ela descobriu que ele é alcoólatra e tem uma amante, aí nenhum e nem o outro fazem nada, fingem que não ocorreu nada e “empurram tudo com a barriga”, resultado disso é que a família se destrói aos poucos, assim está acontecendo com o que resta do Brasil.

A falta de postura e conhecimento econômico aliado ao fato que no auge da pujança econômica, que se diga de passagem não teve assim tanta ajuda nossa, pois tratava-se de minérios e como sabemos eles não são plantados, estavam aí a milhares de anos e quando o preço subiu bastou extrair e vender os mesmos. Nesse momento deveríamos ter focado muito, mais muito na melhoria de nossa infraestrutura produtiva e de bem-estar social, em vez disso pegamos montanhas de dinheiro e criamos a facilidade de crédito, que é uma espécie de droga eufórica, no momento que usamos é maravilhoso, mas tal qual uma droga na hora da “ressaca” tudo é muito dolorido e confuso.

O Brasil historicamente é muito prejudicado, pela formação social, costumes e ausência de muitos pilares que nos levariam ao desenvolvimento, como o cumprimento rigoroso das leis, quando em 1994 o Plano Real foi implantado com sucesso conseguimos matar algo que nos afligia a séculos: a inflação e o descontrole de preços. Quando houve a mudança de governo em 2002, o novo presidente inteligentemente manteve tudo que se fazia e fez sua maquiagem política mudando nomes e processos, mas deu sequência, algo raro no Brasil, então tínhamos realmente tudo para subir sem parar como mostrava uma revista inglesa, especializada em economia, com a figura do Cristo Redentor decolando como um foguete, porém quem não está acostumado com o melado se lambuza e aí ocorreu a grande falha, formou-se uma quadrilha gigante que não mais quis saber de fazer nada consistente, apenas cobrar pequenos “pixulecos”, só que quem ganha fácil quer mais e mais e mais, o nome disso é ganância e o que consegue destruir esse mal? Um mal maior: a vaidade.

E a vaidade como larvas de um vulcão foram subindo e acaram queimando todos os envolvidos e agora expondo nos rios (de corrupção e não de larva) a situação calamitosa que o Brasil está enfiado.

Me surpreendo com a disputa de partidos, esse não pode jamais nesse momento ser o cerne da questão, devemos punir todos que estejam envolvidos em todos os escândalos, independente da sigla partidária, passar realmente à limpo e tentar juntar o que sobrar e recomeçar, porém não acontecerá isso!!, pois não percebemos esse lado chamado Nação, na maioria tratamos o Brasil como um final de novela, onde concordamos ou não com os rumos das personagens, defendemos os que podem nos ser agradáveis, comentamos nas redes sociais por alguns dias e logo em seguida começamos a acompanhar a próxima novela e em 3 ou 4 meses já não lembramos nem os nomes das figuras que nos fizeram perder horas na frente da TV, assim fazemos com o país, eleições vem agora em outubro e claro que muita gente vai se reeleger e muitos vão indicar os filhos, esposas e demais parentes, pois estão “queimados” mas tem seus redutos eleitorais e seus parceiros de longas eleições e isso vale ouro. Não adianta querer ir para estas eleições com idéias somente, precisa ter dinheiro, precisa ter uma estrutura que é caríssima para eleger alguém e depois vem a conta que precisa ser paga e começa tudo de novo.

Não temos coragem para começar do zero, para cortar a própria carne, chegamos numa encruzilhada enorme que temos que tomar enormes atitudes, mas não conseguimos mais raciocinar, estamos como numa fuga em massa, queremos tentar pegar alguma coisa, perdemos a noção de sociedade e queremos uma parte do que tem na nossa frente, parece apocalíptico? E é, chegamos em um momento que o Brasil precisa se reinventar, passar a agir corretamente para seguir em frente ou fazer como faz há séculos, fingir que arrumou e na verdade fez uma enorme “gambiarra” econômica, política e social e com isso vamos até que apareça o próximo problema. 

Nosso maior problema não é a falta de dinheiro é a falta de coragem, de vergonha e a pouquíssima quantidade de esperança que nos resta. Nossas feridas nos doem mais que nossa vontade nos move, mas precisamos fazer algo, certo e urgente para termos o mínimo de decência para viver em um país com um pouco de seriedade ou realmente nos nivelaremos por baixo e seremos como nossos “ermanos” latino americanos que sempre nos admiraram e hoje alguns são maiores do que nós. Depende de nós como diz uma cantiga infantil da década de 80, que tem em sua primeira estrofe algo que se encaixa muito bem aqui: Depende de nós, Quem já foi ou ainda é criança, Que acredita ou tem esperança, Quem faz tudo pra um mundo melhor! e parafraseando Caetano: Ou não!! Mas o namoro com o atual governo e tudo que ele representa e prega, acabou definitivamente. Fiquem na paz e lembrem-se: Pouca conversa e resultado sempre dá certo!