21 de junho, 2016 - Belém

O desemprego e as novas possibilidades, sim elas existem!


Nos meus quase 30 anos de profissão como trabalhador e empregador, nunca tinha visto um momento tão ruim relacionado ao desemprego clássico no Brasil como tenho observado nos últimos 2 anos e meio. A quantidade de curricula (não xinguem!! O plural em latim de curriculum vitae é este mesmo) que tenho recebido é enorme, seja impresso ou ainda mais via as redes sociais.

Tenho visto nas seleções que fazemos na empresa, que diga-se de passagem caiu cerca de 80% neste período, que antes uma vaga de médio porte com qualificação no nível de pós graduação quando enviávamos ao cliente cerca de 5 finalistas, 3 eram ótimos e 2 tinham possibilidades. Hoje os 5 são excelentes e topando ganhar cerca de 50% do salário anterior e menos benefícios, pois não aguentam mais ficar desempregados. É assustador este cenário!!

A tendência no Brasil num prazo de até 18 meses não é de grandes consolos, devido a queda enorme da indústria em aproximadamente 20,5% (comparando com o mesmo período de 2009, segundo o IBGE – Pesquisa PIM/PF), o que significa retração em toda cadeia produtiva e com isso o ciclo do crescimento prejudicado e praticamente parado. Dessa maneira, o esforço para recolocar novamente em movimento positivo será enorme e muito, mas muito lento. O governo que aí está tem mais preocupações na página policial do que na análise estratégica e produtiva, assim como seu sucessor, e a perspectiva com as próximas eleições não é das melhores.

Existem, porém, tendências em novas profissões e relações de trabalho que vão compensar e ajudar nesta retomada. Uma turma jovem (pelo menos de cabeça e vivacidade) tem feito coisas diferentes em alguns setores. 

No caso do entretenimento, como se fosse uma espécie de saída, as grandes produções têm sido cada vez maiores e sempre com sucessos de público e arrecadação, mas com um viés de baixa nos ingressos e nas negociações com estrelas de toda ordem para chegarem ao sucesso e evitarem shows cancelados por artistas descompensados e desconectados com o momento atual que insistiam em colocar ingressos com preços de quase extorsão e aí o público não ia e pronto!! Festas nas redes sociais e sites de fofoca, então, a ordem foi negociar e fazer eventos enormes.

Outro momento bom é para as áreas de educação, em que, sem emprego e sem perspectivas, as pessoas buscam de alguma maneira se qualificar para aumentar suas chances de se recolocar. Assim, cursos, principalmente os populares, vão crescendo e fazendo um bom caixa. Entretanto, deve-se ter enorme atenção com a qualidade de suas aulas e não ser apenas caça-níqueis, pois não existe realmente mais consumidor besta (não tão besta pelo menos). 

Na área de alimentação vemos inúmeras adaptações, talvez o melhor caso de agilidade e rápida adaptação de restaurantes e chefes de cozinha com seus festivais rápidos e de excelentes resultados e das mudanças de preço e cardápio que fazem para não perder o público e até conquistar, além da parte de alto luxo, que também criou atrativos e buscou parcerias com fornecedores de alto padrão, fazendo eventos exclusivos e atraindo os mais abastados de dinheiro, e tem dado muito certo.

A parte de concurso público tem sido absurdamente favorecida pela crise, pessoas que nunca pensaram em fazer um concurso público hoje têm com grande opção de melhoria, só que estudar para os maiores e melhores concursos, estamos falando de quase 20 mil pessoas para 1 vaga, então, a dedicação é quase a mesma de um atleta olímpico sem o glamour deste. Outro fator nessa área para ser analisado são as crises enormes em governos que têm atrasado salários antes apenas no nível municipal e agora já em diversos Estados e, tenham certeza, logo na esfera Federal também teremos enormes chances de atrasos de vencimentos por conta do fosso que se encontra nossa economia. Então, podemos pensar que seria talvez mais fácil empreender com a mesma dedicação que temos para um concurso, mas que é enormemente mais difícil que fazer um negócio acontecer. Mesmo assim, investir nessa área tem valido muito a pena para quem ensina e para quem aprende.

Outro profissional que está se destacando é o profissional ondemand, que atende em casa sob todos os aspectos. Aqui se aplicam muitos da área de estética e cuidados pessoais, incluindo a parte fitness, que conseguem melhorar e muito seus vencimentos com atendimento de boa qualidade e no conforto da casa ou com hora marcada em clínicas e academias. A falta de tempo e estacionamento e os altos custos de local para abrir um negócio estão fazendo este conjunto 'profissional – casa – hora marcada' ser de grande valor agregado para todos: clientes e profissionais.

Por falar em estética e altos custos, aproveitando o primeiro e fugindo do segundo, é cada vez maior a quantidade de empresas que partem fortemente para o Marketing Multi Nível (MMN). Com baixos investimentos, as empresas passaram a descobrir que grandes estrelas mundiais até emprestam certos charmes para suas marcas, mas além de cobrarem muito caro para serem garotos e garotas propaganda, os custos de veiculação das propagandas é enorme, então, pensando nisso, elas criam seus planos de marketing e premiam sobre maneira seus participantes, que por sua vez trazem novos participantes e de uma hora para outra empresas desconhecidas conseguem ter crescimento de mais de 2.000% de faturamento no período de 1 ano e, aí, como falar de crises? Este mercado é tão forte que em 2015 a Associação Brasileira de Vendas Diretas- ABVED registrou faturamento global de US$ 221,3 bilhões e o Brasil ocupa o 3º lugar com quase US$ 16,7 bilhões, gerando emprego para 6,3 milhões de pessoas (eram 4,6 milhões em 2014), ficando atrás apenas de Estados Unidos, Japão e China. 

Sobre esse mercado paira a questão de pirâmide financeira (o nome científico chama-se Pirâmide de Pozzi) devido um italiano chamado Charles Pozzi, que na década de 1910 descobriu que selos do correio internacional podiam ser vendidos por mais dinheiro nos Estados Unidos e divulgou isso e muita gente deu dinheiro para ele e um dia poi!, propriol'abbondanza (Então!, acabou a fartura – numa tradução livre). Os 100% de lucro acabaram e muita gente perdeu dinheiro. Esse caso mostra bem o que precisa ser analisado nessas empresas: a empresa deve ter pelo menos 10 anos de existência (isso não tem haver com MMN e sim com análise financeira), precisa ter uma rede mínima de consultores ou vendedores de mais de 20 mil pessoas pelo menos, o que gera consumo dos seus produtos e mantém quase sempre positivo o fluxo de caixa da empresa (entrar antes pode ser bom, porém, muito arriscado) e o principal: tem que ter produto, o grande astro do negócio é o produto. Se não tiver produto e este produto não for vendido exclusivamente através da rede de consultores, caia fora que isso é pirâmide ou uma variação de vendas diretas e porta-a-porta, que vai prejudicar o lado menor, que é o distribuidor independente. Além disso, é muito importante que seja analisada a regulamentação da empresa em órgão da área, como a ABVED no Brasil. Este mercado em sido uma grande saída para muitos e com enormes casos de sucesso.

Independentemente do que você vai fazer nessas ou em outras áreas, precisa se preparar muito bem, precisa se dedicar sim em tudo que faz e fazer o melhor que pode e principalmente nesse momento tão difícil, como costumo falar, rascunho de país precisa crer! Sem crença nada será mudado, nem o país e muito menos sua vida, mas tenha certeza, existem saídas, basta você escolher uma. Fiquem na paz e lembrem-se: pouca conversa e resultado sempre dá certo!