08 de setembro, 2015 - Belém

Erramos desde o início!


Dois jovens adolescentes de algum lugar do Brasil, desses que usam redes sociais, jogos, vivem ao celular e lidam com todas as dúvidas inerentes da idade, tinham de fazer um trabalho sobre história das nações em seu colégio. Para cada aluno “caia” um país e para nossos dois amigos caíram Estados Unidos e Brasil, respectivamente.

    Algumas pesquisas depois eles no ônibus para casa foram conversando sobre o trabalho quase pronto.

- João e aí tudo pronto?

- Beto “tá pegando”, fazer a apresentação eletrônica, mas “o resumo tá na mão cara de mamão!” 

- Pô Beto! Fui pesquisar sobre o Brasil, “ave maria meu filho” pense num país que sempre foi esculhambado.

- (João) Por quê? 

- Cara aqui começou depois daquela parte de Cabral, da Carta e das Índias, para organizar o povo que vinha para cá e olha que só veio para cá a nata.... A nata da pilantragem...risos, eles dividiram nas tais capitanias hereditárias, cara eram umas faixas de terra gigantes que eram dadas para os apadrinhados dos reis e conde e visconde e sei lá que tanta gente tinha em Portugal que vamos combinar era uma potência Naval, mas era uma esculhambação como gestão de governo, aí “os caras” vinham para cá com esse monte de terra viravam “os bambans” e dividiam pelo amigos e pelos amigos dos amigos, ou seja daí que vem essa história de apadrinhamento, por isso que já naquela época com as comemorações das colheitas que foi a tataravó das nossas festas juninas, o cara era padrinho de fogueira, de mingau,  só para ter os ricos perto dos outros e forçar o tal “apadrinhamento”, aí hoje eles vem reclamar de reforma agrária.

- Beto, lá na terra do tio Sam o negócio foi diferente, primeiro por que vieram muitas famílias para começarem uma nova vida mesmo e aí o cara traz a “patroa”,“os moleques” então vem com vontade de vencer e não tinha esse negócio de terra assim não! A terra era dividida em loteamentos e era dono quem chegasse primeiro, fazia-se uma espécie de competição onde as famílias realmente corriam após o tiro de canhão ou de rifle e aí quem chegasse nos lotes primeiro, que eram do mesmo tamanho, ficava lá e tinha até 3 anos para fazer algo lá, dessa competição que vem a expressão corrida pelo velho oeste, pois eles partiram da costa leste para a costa oeste e não podia vender – claro que tinham também os pilantras, mas quando eram pegos iam para forca facilmente e aí o outro pilantra pensava dez vezes antes de se “meter a doido”, tá vendo nem precisou de reforma agrária, pois começaram certo. Só que Beto a Luíza está escrevendo sobre a Austrália, e lá também só foi pilantra, aliás era uma ilha prisional e deu certo? Como tu me explicas? 

- Pô João, mas lá mesmo sendo 90% do nosso território, bora concordar que não tinha tanta fartura como aqui, ou seja, o “cabra” trabalhava ou “se lascava” e têm mais, os ingleses que fundaram lá, não aliviavam a barra de ninguém, a ordem era sempre em dia e do mais, de todos os lados tem água, uma enorme parte do território era pântano e a outra era deserto e no meio cheio de aborígenes com gosto pelo canibalismo, então a ordem foi mais fácil, “né” parceiro?

- Quer dizer que nossa fartura nos atrapalhou? 

- Não era para atrapalhar, era para ser o que a professora Beatriz falou, uma vantagem competitiva, mas aí só pensamos em explorar e fomos ficando para trás.

- Betinho presta atenção: Nos Estados Unidos, mesmo com o preconceito que eles tiveram e com uma “porrada” de problemas de ordem no início, eles só liberavam cidades com igreja, xerife e escola, educação sempre foi algo muito sério lá e com os conflitos eles entenderam que mesmo quem perdia, seguia em frente por um bem maior que era o próprio país, veja que hoje até nas escolas fundamentais a demonstração dessa adoração pelo país e pelas instituições ocorre naturalmente, aqui o “cara” perde e fica “enchendo a paciência até o final”.

- É João, mas aqui até tínhamos isso, pelo que pesquisei, existia muita disciplina aqui, mesmo com todo nosso jeito forte de querer “furar fila” ser esperto, mas era controlado, só que aí com o golpe de 64 tudo que era voltado para disciplina virou símbolo de militarismo. Sabia que tinham umas disciplinas chamadas EMC (Educação Moral e Cívica) e OSPB (Organização Social e Política Brasileira) mas aí acabou-se com isso, até com o ensino religioso, pois eram consideradas dominações do sistema, só não entendo que hoje em dia tem textos em livros dizendo que a Venezuela é uma grande nação? Palhaçada isso, não acha?

- Cara, nem sei, mas aqui é complicado, quer ume exemplo?

- Manda!!

- A Constituição Brasileira, que diga-se de passagem é a 7ª que temos tem 250 artigos que se completa por uma série de códigos e leis complementares, aí como “o cara” vai obedecer o que ele nem entende? Restam os problemas de quem rouba um biscoito no mercado é preso e quem desvia milhões da Petrobrás fica em liberdade, são as chamadas brechas da lei.

- Lá nos “states” só teve uma constituição que tem 7 artigos e 27 emendas, quase todo americano conhece, fora que eles “botam é no 14” para o “cara” cumprir a lei, sobram brechas, mas elas são muito pequenas, por isso advogado lá é quase sempre milionário, porque quando o cara se mete em confusão, pra sair é quase mágica, aí não sei se pagam honorários advocatícios ou ingresso para show de mágica!! Rsrsrsrsrsr

- “Maluco” então nós estamos “ferrados”? Aqui não tem infraestrutura adequada, matamos mais gente por arma de fogo que as 3 guerras atuais nos Balcãs, na Síria e na Faixa de Gaza, a educação já viu, “pegando completamente” e olha que estudamos num baita colégio, imagina quem nem estuda por tanta greve, não vejo ninguém se entender, o que vejo é muita gente honesta desistindo ou de ser completamente honesta ou indo embora do país! Cara já fomos o país do futuro, agora estamos entre o país do desespero ou o país dos sem futuro e vai sobrar para nós?

- Irmão, agora fiquei “malzão” realmente os americanos que um monte de gente vive perturbando, os caras são diferentes mesmo, a Gabriela “tava” elogiando a Suíça que ela “tá” pesquisando, mas “pô” cara é um Estado dos Estados Unidos, então é mais fácil cuidar de condomínio pequeno que de conjunto habitacional, mas nós temos saída?

- Temos sim: uma é o aeroporto e a outra, que seria a melhor, é que pudéssemos valorizar o ser e não o ter, ou até dá pra valor o ter, mas junto com o ser e que quem nos comandasse não fosse tão ruim, assim estimulava todo mundo a estudar, a trabalhar direitinho e aí devagarzinho íamos saindo dessa bronca. Na boa começamos muito errado.

- Eu vou descer na próxima parada Beto, amanhã temos que entregar o trabalho, a apresentação é semana que vem, “partiu pra casa meu velho”

- “Falou”!

E mais um dia de aula acaba, só que dessa vez a viagem de ônibus lotado, passou rápido, bacana esse trabalho escolar dos meninos. Fiquem na paz e lembrem-se: Pouca conversa e resultado sempre dá certo!