12 de fevereiro, 2016 - Belém

Empreendedorismo virou moda!


Nos últimos 20 anos empreender tem sido muito mais que uma necessidade aqui no Brasil, tem sido um modismo que gera dinheiro para muita gente, que de uma maneira pouco honesta criou a máxima que 'todo mundo pode ser empreendedor!!'

Depois de 25 anos como executivo e professor universitário, inclusive como facilitador do programa das Nações Unidas (ONU), aqui reproduzido pelo Sebrae chamado Empretec (que aliás creio firmemente ser um dos poucos sérios, pois lá claramente deixa claro essa possibilidade de não estar apto ao empreendedorismo, inclusive as atividades são extremamente reflexivas sobre esse fato), e de ser membro da Endeavour (www.endeavor.org.br) uma das maiores organizações sobre o tema, fico muito tranquilo em afirmar: nem todos podem ser empreendedores empresariais, aliás, nem todos conseguem empreender sequer a própria carreira quando empregados de outras instituições de diversos formatos e objetivos finais, pois podemos ser empreendedores de nós mesmos, sem abrirmos qualquer negócio.

Ser empreendedor antes de tudo é lidar com enormes pressões e aprender a fazer muito com quase nada. Isso não é para tantos, muitos se atrapalham, se deprimem e ficam atordoados com as dificuldades do empresário.

Empreender é ter que 'assoviar e chupar cana ao mesmo tempo', como diziam os antigos e sábios; é vender e cobrar; é organizar e pensar no todo; é contratar e demitir; é formar pessoas e se decepcionar e é, principalmente, fazer o melhor e não adiantar de nada em termos de resultado.

O melhor que você faz tem que ter valor para alguém chamado cliente, muitos perdem tempo ou encarecem o produto fazendo o melhor, 'caprichando' ao máximo, de quem adianta? Muitas vezes de nada, existe um triângulo QUALIDADE – TEMPO – PREÇO que é mortal se mal feito, tem que haver equilíbrio. Mas qual é esse ponto? Ninguém sabe! O que dá certo para meu negócio não se aplica no seu, o que funcionou há 30 anos já não adianta de nada.

Poxa!! Então não devo empreender? Não devo arriscar? Deve-se, antes de qualquer coisa, se você for apto para tal e se o seu risco for muito, mas muito bem calculado. Não significa que você tem que ter muito dinheiro para empreender, mas veja se o que você poderá perder é algo que vai mudar sua vida, que vai lhe trazer consequências terríveis que não poderão ser recompostas. Existem empreendedores que começaram do nada realmente. Para esses não houve escolha, era um caso de subsistência. Para outros (os chamados investidores), com mais recursos, era a roda do jogo que girava mais uma vez em mais um investimento e que podia ou não dar certo e bingo!! Eles iam lá e jogavam novamente suas fichas num novo empreendimento.

Empreender vem do francês 'entrepreneur', que curiosamente na origem tem a ver com os incentivadores de briga, os convocadores, e foi evoluindo aos que se submetiam ao risco, os inovadores e cada autor importante como Drucker, Say ou Schumpeter melhorava o significado, mas em todos é presente o termo coragem, que está subentendido por trás de cada palavra, portanto, coragem não é para todos, realmente é para poucos.

E o que devo fazer? Primeiro procure instituições sérias como as que citei aqui, a maioria faz testes e verifica possibilidades iniciais de empreender que existem em você; depois se informe muito e muito e muito mais, tem gente que diz: vamos para prática logo! Ocorre que essa fase é cara demais para irmos despreparados; feito isso, pense em quem pode te ajudar direta ou indiretamente, seja com dinheiro, seja com conselhos ou com presença física, pois tudo isso será muito importante. Lembre-se que ninguém tem receita e que 90% das vezes você vai pensar em desistir e se sentirá exausto, mas quando um negócio, seja ele de qualquer dimensão que você pensou ali sozinho ou numa conversa despretensiosa, começa a ficar bom e começa a lhe dar frutos (nem sempre é dinheiro), ah! é uma sensação orgasmática, de êxtase, é bom demais você ver através de suas ideias, seus medos e suas inseguranças sendo destruídas uma a uma. 

Em cada fase e em cada período que passa e você supera vem mais alegria e aí você tem certeza que fez a coisa certa. E se deu errado? Maravilha, foi um aprendizado que não tem curso em nenhum lugar que te ensine isso.

Apenas não se iluda com receita disso, empreender passo-a-passo. Isso é papo furado. Se fosse assim o cara que está te ensinando fazia para ele. Sempre digo isso quando presto consultoria em empresas: não acredito em consultor que não tem negócio próprio a não ser que seja uma consultoria técnica e específica, mas se for consultoria de pequena empresa, que é 95% dos casos, o sujeito tem que saber fazer para poder ensinar. Normalmente vejo a empresa do cara ser apenas ele e vir ensinar a melhorar a do clientes com dezenas de funcionários e operações muito complexas. Isso não é consultoria, é apenas um trabalho temporário sem vínculo empregatício.

Pensem nisso sempre e evitem apenas surfar na moda. Como essa tem inúmeras outras que vão passar e o que vai ficar são negócios simples e reais e entenda por real o que tem utilidade e, portanto, que alguém queira pagar por ele. O resto é sonho ou propostas e produtos-conceito, ou seja, servem para alguém pegar pequenas melhorias e aplicar em um que seja real. Vale ressaltar que os conceitos são importantes, eles apenas precisam de mais tempo para virarem realidade, mas sem eles não existe a inovação.

Fácil? Jamais! Impossível? Claro que não. Apenas desafiador e por isso que quando dá certo a recompensa é enorme, mas tem gente que prefere não se arriscar. Estão errados? Não, são talvez mais conscientes. Fiquem na paz e lembrem-se: pouca conversa e resultado sempre dá certo!