24 de agosto, 2017 - Belém

Segurança e Privacidade nas Redes Sociais: Uma realidade crítica no uso de dados pessoais online


Após o período de migração da rede móvel 2G para o 3G e 4G, tivemos um grande crescimento no uso das redes sociais, com geração de conteúdos e compartilhamentos específicos de uma enorme gama de usuários. A facilidade de compartilhar, replicar, gerenciar e criar conteúdo se diversificou e aumentou em uma proporção ainda pouco explorada, mas extremamente perigosa. O número e tipo de informações sobre as pessoas aumentou, e as vezes o que é dito como democratização da informação, pode se tornar uma porta aberta para a depredação social. Se qualquer pessoa tiver passado em um concurso público, ou tiver tido bolsa de estudos, por exemplo, basta colocar seu nome no google e seu CPF aparecerá. O CPF é uma porta de entrada para diversos cadastros das pessoas, onde dentro do Facebook, se pode buscar as outras informações necessárias. Então a democratização pode se complicar quando pessoas erradas possuem seus dados e suas informações. A forma de uso da sociedade é outro problema, pois todos querem novos aplicativos e aceitam suas inscrições logando-se pelo facebook que tem tudo seu, e o que uma plataforma possui, todas as outras inscritas por ela, também vem possuir. Então me pergunto, que tipo de informações está sendo compartilhado e qual percepção de risco os usuários das redes sociais possuem no seu processo de uso diário?

Percepção de Risco e Compartilhamento Online

A percepção de risco com a informação online é muito baixa pelos usuários de internet e das redes sociais. Até o momento em que alguém tenha tido algum problema específico com suas informações, a privacidade não é percebida como algo relevante. Os usuários online querem se conectar, integrar e assim assumem a perspectiva de que qualquer pessoa pode somar ao seu grupo social. Também existe o contexto em que a informação é simplesmente aberta e colocada em blogs, sites, facebook, instagram, etc, de forma livre, onde todos podem ver ou quem tem acesso, pode compartilhar com um amigo que acaba replicando para outro e assim por diante. 

Com o uso exagerado do whatsapp, e as potentes câmeras digitais dos celulares, qualquer pessoa filma, grava e distribui ações e acontecimentos, onde estamos constantemente vivendo um Big Brother na cidade em que moramos. É extremamente complicada a mistura de toda esta informação, onde nome de nossos filhos, pais, amigos, além de fotos destes e locais que frequentam estão disponíveis, podendo esta mistura de informações subsidiar ações criminosas e situações desagradáveis.

Neste ambiente, ao mesmo tempo que para o mercado e as empresas, esta quantidade de dados, pelo uso de bigdata, é uma grande oportunidade de negócios e compreensão comportamental, estas informações podem servir como manipulação pelo governo, roubo pelos bandidos e insegurança para a sociedade. O Compartilhar não é algo mais agradável ou posicionador de status pessoal como antes, mas um ato de se colocar como alvo para algum problema social.

Toda a contextualização de nossas vidas, nossas viagens, trabalhos, redes sociais pessoais, redes de trabalho, de relacionamento, etc, além de nossos cartões de crédito, identidade, nome de familiares e amigos, fotos e localizações atuais, trazem um mix de compreensão sobre o que cada um faz, o que fará em determinado cenário ainda não estudado, e ainda provém acesso ao uso de dados particulares para se aproximar ou usar o que temos como base para sermos flagrados, rotulados, controlados e até roubados.

É importante compreender o que pode ser compartilhado e o que é pessoal. Uma foto jantando em um bom restaurante quando se viaja a trabalho, demonstra para pessoas que não sabem o contexto, que você está se divertindo em vez de trabalhando, então o constrangimento e a mal interpretação leva a contextos complicados socialmente. Da mesma forma, informar tudo que se faz para um número grande de pessoas torna sua individualidade algo coletivista, que na sociedade atual não temos compreensão e valores adequados para aceitar e não julgar.

O importante deste artigo não é apenas criticar, mas alertar aos usuários da rede social que conteúdos devem ser cuidadosamente manipulados e organizados, para não cometermos o erro de informarmos assuntos sensíveis ao mundo e nem nos expormos a situações críticas de insegurança pessoal. Acredito que ainda temos muito a aprender neste novo ambiente, mas para isto, muitos erros ocorrerão e pessoas sofrerão com este aprendizado. A ideia é reduzir este sofrimento para um aprendizado mais brando e reflexivo.