24 de agosto, 2015 - Belém

Produção Científica Qualificada


O desenvolvimento da ciência está na criação de novas oportunidades para a sociedade, oriundas das pesquisas acadêmicas desenvolvidas pelos professores Doutores e Pesquisadores das Universidades e Instituições de Pesquisa e Ensino. Os resultados destas pesquisas oportunizam novos conceitos, reflexões, produtos, processos, interpretações e ações que podem mudar o cenário atual que possuímos, para algo melhor que ainda não tenha sido percebido ou tentado. A descoberta possui diversos passos, que dentro deles venho a citar a Produção Científica para discutir-se a importância desta produção de forma a compartilhar e disseminar os conhecimentos e as novas proposições. 

Não basta ser uma descrição generalista ou redundante de algo já feito anteriormente e com modificações imperceptíveis a uma agregação comprovada. A qualificação desta produção deve ser discutida pelos pares científicos de cada área de estudo, onde outros especialistas precisam compreender a importância deste trabalho proposto, para que ele seja publicado e assim ampliado internacionalmente, podendo ser replicado, testado, confirmado e considerado apropriado para o que se indicou.

Revistas Periódicas para Produção Científica

Baseado neste contexto de produção e publicação, o governo brasileiro criou o sistema de qualificação das revistas nacionais e internacionais para nossos pesquisadores que produzem artigos no decorrer de suas carreiras acadêmicas. Todos os professores que estão em Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (Cursos de Mestrado e Doutorado), que possuem cursos com prioridade a pesquisa e disseminação do conhecimento, devem produzir artigos periodicamente e publicar para que estes sejam validados e transpassem uma ideia do que seu programa produz como conhecimento. Desta forma, a CAPES, coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior, avalia os cursos e lança quadrienalmente as notas respectivas de cada programa, informando o nível de resultados que este programa possui em termos de ações docentes, resultados discentes, orientações, qualidade das dissertações e teses, inserção social, implicações regionais, locais e nacionais, entre intercâmbios e projetos aplicados para a sociedade (empresa, governo e população).

Site da CAPES com atualizações das ações desenvolvidas nacionalmente e internacionalmente (Foto: reprodução)

Além de todos estes pontos avaliados, um dos pontos mais importantes é a produção científica qualificada, nome este denominado pela avaliação realizada pela CAPES, em todas as revistas que os professores de Programas de Pós produzem anualmente. Em função do resultado destas produções, relacionando a qualidade do periódico, que é avaliado pelo tempo da periodicidade, tempo de avaliação de um artigo, processo editorial e de revisão, quantidade de artigos submetidos e publicados, citação destes artigos por outras pesquisas (fator de impacto), entre outros pontos selecionados pela CAPES, os artigos apresentam classificações que são descritas de A1 e A2, que seria o nível internacional, ou seja, comparado com a produção internacional, podendo ou não ter revistas nacionais, caso estas possuam nível e inserção global.

Os artigos também possuem classificações que variam de B1 a B5, sendo o B1 mais importante e B5 uma revista nova e ainda em formação. Na atualidade, a área de estudos da administração da CAPES, começou a aumentar seu nível de classificação, elevando o nível de cobrança para determinar se uma revista continua como B1 ou desce para B2, B3, etc. O mesmo para o internacional, elevando o nível e a dificuldade de um pesquisador publicar em revistas nos estratos superiores, dado o nível de cobrança que uma revista altamente qualificada possui. As revistas nos estratos superiores, que são B1, A2 e A1, possuem hoje em ADM, fator impacto internacional, mensurado pelo JCR (Journal of Citation Reports) e Scopus (que é um órgão que possui o Índice H como avaliação de qualidade).

Não entraremos nos detalhes destas avaliações e valorizações do JCR ou SCOPUS e nem das bases internacionais de divulgação e qualificação como os indexadores e bases de dados do tipo SCIELO, REDALYC, etc. Existe uma infinidade de detalhes muito especialista sobre este cenário da validação das revistas, mas nosso enfoque aqui é explicar como isto agrega valor para a produção de nossos pesquisadores nacionais. O ponto chave muitas vezes descrito é a internacionalização que pode ser mal interpretada por alguns grupos, por não compreenderem e pensarem que estamos valorizando apenas o que existe no exterior, mas tentando situar que o conhecimento deve ser discutido de forma mundial, logo, se a língua internacional é o inglês, não significa que os artigos em inglês são de americanos, ingleses ou outros de língua mãe inglesa. Muitos chineses, indianos, europeus e outros publicam e discutem, onde o conhecimento é validado, compreendido e disseminado para o mundo, de forma a contribuir e ser criticado ou melhorado por qualquer grupo de pesquisa de qualquer lugar do planeta.

O importante aqui é compreender que precisamos sim crescer internacionalmente, mas não desvalorizando as revistas ou produções em nossa língua, mas compreendendo que estas possuem uma amplitude menor que uma produção internacional que pode ser lido por muitas outras pessoas. A produção nacional é importante e deve se manter, mas existe um limite onde grupos de excelência precisam de destaque no mundo, para poder garantir nossa participação global nas discussões e achados. Algumas áreas do conhecimento ainda não compreenderam isto e continuam valorizando de forma lenta suas produções sem motivar seus professores. Como na CAPES existem 48 áreas do conhecimento, muitas destas ainda estão em passos lentos para o desenvolvimento internacional, mas outras como determinadas engenharias, cursos da área biológica, física e poucos outros, já possuem seu impacto internacional contribuindo de forma sensível para o conhecimento.

A área de administração, mesmo sendo da área de ciências sociais aplicadas, a qual não é percebida como uma área forte, já possui seu destaque e luta por este desenvolvimento, mudando constantemente seu fator de impacto de referência para subir suas métricas de avaliação. Neste cenário, ainda muitos profissionais não compreendem a importância deste esforço, ou melhor, o quanto isto projeta o País e a área para um patamar de reconhecimento internacional que amplia as parcerias, projetos e financiamentos internacionais para ensino e pesquisa. Como centro a esta dificuldade cita-se o problema da valorização de nossos professores pesquisadores, que conseguem alcançar estas métricas, resultados e estar em um país que pouco compreende deste ambiente do fazer ciência.