21 de janeiro, 2015 - Belém

O significado de uma publicação de impacto na academia internacional


Muitos professores acreditam que finalizar seus doutorados e orientar alunos de mestrado e doutorado seja o suficiente para ser considerado um professor experiente e de alta qualidade, mas a realidade é outra. Poucos são aqueles no Brasil que possuem o que realmente a academia internacional pede ao pesquisador. Ser professor de Programas de Pós-Graduação no nível stricto sensu é muito mais do que simplesmente ter um doutorado e conseguir ministrar aulas neste nível de ensino. 

A produção bibliográfica, que na atualidade mundial vem se modificando para todas as áreas, possui neste momento outro foco de geração de impacto na sociedade acadêmica, que são os artigos em periódicos acadêmicos. Estes artigos científicos são avaliados por pares (indivíduos da mesma área de atuação do autor) e pela relevância da proposta, dadas as qualificações dos órgãos ou associações nacionais e internacionais competentes. Então, o que seria importante e como fazer para gerar impacto, produzir conhecimento e contribuir de forma positiva e abrangente para a educação superior?

Do Livro ao Periódico

No passado o educador, quando lançava um livro, estava reconhecendo e apropriando conhecimento à comunidade científica, onde os Doutores, que são pesquisadores que concluíam seus doutorados, tinham como objetivo desenvolver livros para solidificar seu conhecimento e experiência para a academia.

Nas últimas décadas este valor da produção do livro foi modificando. Ainda hoje o livro é algo importante para se ter em seu currículo, porém, como uma contribuição a mais para a academia e não como o foco da produção acadêmica de um professor. Os artigos científicos em revistas acadêmicas qualificadas no Brasil pelo QUALIS da CAPES (órgão responsável pelo posicionamento da qualidade da produção brasileira) ou ainda por órgãos internacionais relevantes em cada área do conhecimento são hoje a prioridade da comunidade acadêmica.

Site do QUALIS da CAPES para busca de informações de revistas qualificadas e seus posicionamentos

O Doutor não pode mais concluir um doutorado e não ter como resultado a produção em periódicos, assim como aquele que exerce a função de Professor com o título de Doutor também não pode deixar de ter uma periodicidade na sua produção de forma contínua nestes periódicos. Em geral, todos aqueles que exercem a função de professores, sendo ou não doutores, precisam publicar e publicar em revistas de boa qualidade, pois o MEC também cobra na atualidade produção para a graduação.

O grande problema neste cenário está nos cursos e professores antigos que não se atualizaram. Estes não conseguem mudar sua forma de produzir e nem estimular novos discentes a alcançar este nível e modelo de publicação, logo, estamos em um país em que a pouca produção existente é ainda parte de uma coletânea de estudos nacionais descritos na língua local. Podemos e devemos produzir artigos em Português, mas devemos produzir artigos em Inglês, pois devemos compartilhar e discutir no mundo o que nossa área de estudo propõe e o que nossa pesquisa desenvolve.

Na realidade, não estamos valorizando o que está em Inglês como sendo melhor, mas é diferente que algo produzido em Português que possui 100 experts locais em uma área bem específica pensam, do que 10.000 experts ao redor do mundo escrevem sobre o mesmo assunto. Quando escrevemos em Inglês, estamos escrevendo e sendo avaliados, discutindo e melhorando reflexões com Chineses, Indianos, Americanos, Russos e assim por diante.

Temos, então, uma necessidade de melhorar nossas pesquisas para que se tenha um entendimento mundial e que seja relevante para a academia como um todo e não apenas para mim como pessoa. Estamos também refletindo na importância da internacionalização e, por assim dizer, na melhoria de nossa comunicação em Inglês, algo ainda pobre em nosso país. 

Um ponto bem claro sobre o que seria relevante em uma área do conhecimento é hoje baseado na forma como o produzido é aceito pela avaliação dos pares de nosso conhecimento, onde quando o artigo é aprovado em uma boa revista, já temos o reconhecimento que a pesquisa é importante, a descrição do estudo foi bem realizada e a contribuição é de interesse da academia neste argumento apresentado. O segundo ponto de validação desta produção e atualmente o mais importante é quando esta nossa produção é citada por outros pesquisadores, claro que em boas revistas também qualificadas, ou seja, quando outros pesquisadores usam nosso estudo como base para construção de suas pesquisas, demonstrando que é importante o apresentado para contribuir com a continuidade do assunto abordado.

Neste cenário, a academia brasileira ainda está longe de possuir resultados relevantes, baseado em quantidade. Alguns pesquisadores já conseguiram alcançar este nível no Brasil, mas ainda em números pequenos que não atribuem para nosso país representatividade. Então, espero que este artigo contribua para que mais doutores e mestres busquem suas formações com a atualidade mundial, lendo, desenvolvendo discussões impactantes e produzindo reflexões e resultados relevantes para nossa academia brasileira e internacional.