04 de setembro, 2014 - Belém

O “internetês” – a revolução da linguagem


Hoje partilho com vocês o artigo do meu parceiro de pesquisa, Bruno Cavalcante, professor e mestre em Mestre em Comunicação, Linguagens e Cultura.

Pq vc n resp m wzp?  

Por que você não responde meu whatsApp?

Kd vc?

Cadê você?

Tô c sds de vc.

Estou com saudades de você.

Nd hj ta bm.

Nada hoje está bem.

Comunicar é partilhar, repartir, tornar comum, muitos teóricos da área da comunicação enfatizam que “tudo é comunicação”, outros reiteram que “tudo é linguagem”.  Afinal, o que é comunicação? O que é Linguagem? E qual a influência do internetês na prática dos escreventes contemporâneos?

Linguagem é o sistema pelo qual o homem comunica suas ideias e sentimentos exteriorizados por meio da fala, da escrita ou de diferentes signos convencionais, esses signos compõem um universo de expressões que identificam a relação entre significante e significado nos diferentes níveis linguísticos de aplicabilidade.

Quando se refere à comunicação, os seres humanos e os animais partilham de diferentes informações entre si, tornando o ato de comunicar uma atividade essencial para a vida em sociedade. Quem nunca identificou por meio de pegadas na areia um índice de que havia pessoas trafegando naquele local, ou através de gestos e atitudes interpretou o estado de espírito de um amigo ou chefe, e, ainda, por meio de índices de fumaça identificou o tamanho da “desgraça”?

Diante disso, este ensaio refere-se à língua como um objeto vivo, dinâmico, sujeito a mudanças, sendo utilizada com diferentes sentidos e intencionalidades, daí surge o termo “Internetês”, como uma forma grafolinguística comumente evidenciada por meio de chats, blogs e demais redes sociais. 
 

Internetês

Tradução

Internetês

Tradução

    vc, vs

   você

     fmz

    firmeza

    xau

   tchau

      ag

     agora

    kbça

  cabeça

      abç

     abraço

   ñ, naum

   não

      vlw

     valeu

     jg

   jogo

      flw

     falou

   hj, oj

   hoje

     9da10

   novidadades

   blz, bls

  beleza

      t +

    até mais

   aki, aqi

  aqui

       k

      cá

    ksa

  casa

       p

     para

     q

   que

       s

     sim

    eh

    é

     fla

     fala

    axo,

   acho

      d

     de

   Kkkkkk

  risadas

Bj, bjos, bjok

beijo, beijos

O internetês difere-se à prática de escrita que se caracteriza pelo registro divergente da norma culta padrão, razão pela qual seus adeptos são vistos por muitos estudiosos da linguagem como "assassinos da língua portuguesa". 

Há marcas muito peculiares do uso do internetês, como a prevalência de abreviação, o desuso à acentuação gráfica, o acréscimo ou a repetição de vogais, as variações no registro gráfico padrão, omissão de letras, entre outros. Esses são alguns dos traços que podem ser observados na ortografia da linguagem virtual, que, caracteriza-se, de um lado, à simplificação da escrita, aceitável por meio do ambiente interativo, de outro, a morte da língua, por se distanciar da norma padrão utilizada na escrita. Para tanto, Pavan enfatiza as diferenças da Língua Coloquial X Língua Culta, propondo aproximação dos falantes para o uso adequado da linguagem aceitável para diferentes contextos comunicacionais. A língua coloquial, por ser descontraída, relaciona-se à fala (língua oral), enquanto a culta, à escrita.

Língua coloquial:

•    Variante espontânea;

•    Utilizada em relações informais;

•    Sem preocupações com as regras rígidas da gramática normativa;

•    Presença de coloquialismos (expressões próprias da fala), tais como: pega leve, se toca, tá rolando etc.

•    Uso de gírias;

•    Uso de INTERNETÊS - formas reduzidas ou contraídas (pra, cê, peraí, etc.)

•     Uso de “a gente” no lugar de nós;

•    Uso frequente de palavras para articular ideias (tipo assim, ai, então, etc.);

 Língua culta:

•    Usada em situações formais e em documentos oficiais;

•    Maior preocupação com a pronúncia das palavras;

•    Uso da norma culta;

•    Ausência do uso de gírias;

•    Variante prestigiada.

    Portanto, nota-se a influência do internetês no uso da escrita padrão e com isso a necessidade dos escreventes em diferenciar o que pode ser usado no ambiente virtual ao que deve ser usado na escola, pois se trata de ambientes divergentes. Diante da era digital, não podemos considerar o uso do internetês no ambiente virtual – de modo informal, como um assassino da língua portuguesa, mas, considera-se de modo preciso que usar o “vc”, “pq”, “ag”, nos documentos empresariais, nas redações dos vestibulares, demonstra inadequação ao uso formal da linguagem, que precisa ser utilizada de modo adequado e conciso.

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Bruno Cavalcante - Mestre em Comunicação, Linguagens e Cultura - UNAMA. Atua como docente na Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA, Faculdade de Belém - FABEL e Colégio Santa Catarina de Sena.

Referência

PAVAN, M. G. R. Lingua Culta e Coloquial. Disponivel em: http://www.portugues.com.br/redacao/lingua-culta-coloquial.html. Acesso dia 28/08/2014, 16h.