10 de junho, 2015 - Belém

Novas Universidades na Amazônia Paraense


Por

Doriedson S. Rodrigues
Doutor em Educação (UFPA)
Mestre em Linguística (UFPA)
Coordenador Geral do Campus Universitário do Tocantins/Cametá – UFPA
Membro do Grupo de Estudos sobre Trabalho e Educação da UFPA - GEPTE
E-mail: doriedson@ufpa.br

Este ensaio é resultante de reflexões realizadas em prol da criação da UFAT – Universidade Federal da Amazônia Tocantina –, a partir da Universidade Federal do Pará – UFPA –, tal qual o que ocorrera com a UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará – e a UNIFESSPA – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará –, tomando como foco os avanços para o Sul e Sudeste do Pará com a criação da UNIFESSPA, em junho de 2013, que tivera sua gênese com o histórico Campus de Marabá, um dos primeiros campi da UFPA.

Inicialmente, registramos que as considerações que fazemos sobre as contribuições da UNIFESSPA para com o desenvolvimento regional do sul e sudeste do Pará partem de visita, a trabalho, que realizou-se, em maio de 2015 (na companhia do Dr. Emílio José Montero Arruda Filho, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração da UNAMA (Mestrado e Doutorado), Dr. Fábio Fonseca de Castro, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPA, Dr. Marco Antônio Silva Lima, Docente do Centro de Estudos Sociais Aplicados da UNAMA, ao Reitor da UNIFESSPA, Dr. Maurílio de Abreu Monteiro, ao Vice-Reitor, Dr. João Crisóstomo Weyl A. Costa, e ao Pró-Reitor de Administração, Prof. MSc. Leandro de Oliveira Ferreira, bem como à Diretora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas de Rondon do Pará, Profª. MSc. Érica Júcio dos Reis Ferreira.

Isto posto, registra-se que a criação da UNIFESSPA possibilitou à região sul e sudeste do Pará de imediato 04 Institutos e 03 campi, impactando positivamente na criação de novos cursos, abertura de mais vagas para docentes e técnico-administrativos, bem como novas estruturas para o fortalecimento da Universidade criada em 2013, corroborando para uma ampliação do processo de formação de massa crítica necessária para o desenvolvimento da região, bem como de recursos necessários para a realização de atividades de pesquisa, ensino e extensão também necessários para esse desenvolvimento.

Nessa lógica, por exemplo, com a UNIFESSPA viera a criação, em Rondon do Pará, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, onde se encontram os cursos de Administração e Contabilidade; em Xinguara, do Instituto de Estudos do Trópico Úmido, onde se encontra o curso de História, e com previsão dos cursos de Zootecnia e Medicina Veterinária; em Santana, do Instituto de Estudos do Araguaia, com os cursos de Matemática e Engenharias; em São Felix do Xingu, do Instituto de Estudos do Xingu, onde se encontra o curso de Letras.

Ainda nessa lógica, em Marabá, onde se encontra a sede da UNIFESSPA, está havendo o fortalecimento/construção dos 03 campi aí presentes: o Campus I, onde se encontram o Instituto de Ciências Humanas e o Instituto de Estudos em Direito e Sociedade; o Campus II, com o Instituto de Geologia e Engenharia e o Instituto de Ciências Exatas; e o Campus III, onde se encontra a Reitoria, bem como o Instituto de Letras, Linguística e Artes, o Instituto de Estudos em Desenvolvimento Agrário e Regional, e o Instituto de Estudos de Saúde e Biológicas.

Não menos importante está o fato de que com a implantação da UNIFESSPA a região saíra de 16 cursos em 2013 para 32 cursos em 2014, com previsão de 33 cursos para 2015 e 38 cursos para 2016. Quanto a servidores técnicos e docentes, a UNIFESSPA tivera, em 2013 – ano da criação da nova Universidade, 182 servidores, em 2014, 342 servidores, com previsão para 2015 a chegar em 400 servidores e para 2016 a 549 servidores.

Em termos financeiros, há uma previsão de custeio para 2015 de mais de 18 milhões de reais. Trata-se de uma Universidade mais que necessária para a região, potencializando elementos favoráveis ao desenvolvimento regional, dando conta de atender a aspectos regionais distintos do espaço paraense, a partir do sul e sudeste. Em termos de pós-graduação, a UNIFESSPA avança para mais cursos de pós-graduação stricto sensu, bem como para outros cursos de graduação, vencendo os desafios que a uma Universidade em construção se colocam.

E é nessa perspectiva de desenvolvimento regional que, nos últimos oito anos, o campus de Cametá (UFPA) e o de Abaetetuba (UFPA) vêm potencializando ações para se constituírem a Universidade Federal da Amazônia Tocantina – UFAT, de modo a permitir mais recursos financeiros e potencial para criação de novos cursos (Graduação e Pós-Graduação – o Campus de Cametá já possui o Mestrado em Educação e Cultura) e novas estruturas, tanto nas sedes dos atuais campi, bem como em seus Núcleos Universitários, como o de Baião, Mocajuba, Oeiras do Pará e Limoeiro do Ajuru (Pertencentes a Cametá) e o de Tomé-Açu (Pertencente a Abaetetuba), considerando que os recursos disponíveis nos campi ainda necessitam ser ampliados, de modo a dar conta do estágio de desenvolvimento alcançado nos últimos anos, o que pode ser potencializado com a criação da UFAT, a exemplo do que ocorrera com a criação da UNIFESSPA. 

Em termos teóricos, essa perspectiva de expansão universitária parte de uma leitura de Antônio Gramsci, intelectual italiano do início do século XX, que defendia que todos os trabalhadores tivessem acesso à cultura, dominando os conhecimentos relacionados às ciências, que resultam do trabalho humano, bem como aqueles decorrentes das relações humanas no campo de seus direitos e deveres.

Sua preocupação com essa formação, dentre outras razões também importantes, decorria da existência sofrida que vivera numa região da Itália com enormes dificuldades políticas, sociais, econômicas, defendendo, diante disso, que os trabalhadores tivessem condições de se constituir dirigentes dos rumos da sociedade, de modo a superar as relações que historicamente desumanizam a vida. 

É essa perspectiva de formação humana, então, que pode explicar, dentre outras possibilidades, o compromisso de Unidades da UFPA, como o Campus de Marabá, do qual partira a criação da UNIFESSPA em 2013, e o Campus de Cametá e o de Abaetetuba, que ensejam a criação de uma nova Universidade, a UFAT, de modo que sejam criadas novas condições/instalações e captação de recursos que propiciem a sempre presença e fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão, de modo que mais filhos e filhas de trabalhadores/trabalhadoras estejam em uma Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade, sempre capaz de potencializar a formação de massa crítica necessária para o desenvolvimento regional numa perspectiva humanizadora.

E essa nova Universidade (a UFAT), a exemplo da criação da UNIFESSPA, será possível em decorrência do trabalho coletivo de docentes, técnico-administrativos (integrantes dos campi de Cametá e de Abaetetuba – UFPA), prefeituras, movimentos sociais, discentes, parlamentares, sociedade civil organizada da região nordeste do Pará ligada pelo Rio Tocantins, partindo-se do princípio, em Tecendo a Manhã (do poeta João Cabral de Melo Neto), de que um “Um galo sozinho não tece a manhã:/ele precisará sempre de outros galos./De um que apanhe esse grito que ele/e o lance a outro: de um outro galo/que apanhe o grito que um galo antes/e o lance a outro; e de outros galos/que com muitos outros galos se cruzam/os fios de sol de seus gritos de galo/para que a manhã, desde uma tela tênue,/se vá tecendo, entre todos os galos./E se encorpando em tela, entre todos,/se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo/(a manhã) que plana livre de armação./A manhã, toldo de um tecido tão aéreo/que, tecido, se eleva por si: luz balão”.