29 de setembro, 2014 - Belém

Formação Acadêmica Continuada: a participação em eventos nacionais e internacionais


Nossas Universidades e Faculdades precisam compreender a importância da formação continuada no processo das participações dos eventos acadêmicos de suas áreas de conhecimento. Grande parte dos cursos superiores foca nas matrizes curriculares e esquecem as atividades complementares. Se formos pensar bem sobre o contexto experimental, grande parte da prática acadêmica quando relacionada à reflexão e discussão teórica deveria ser desenvolvida externamente ao curso, levando seus acadêmicos a experiências de extensão, pesquisa e realidades da sociedade. Do ponto de vista da realidade de uma sociedade acadêmica, os eventos nacionais e internacionais do tipo congressos, feiras, colóquios, encontros, simpósios, workshop, seminários, dentre outros, são ambientações específicas de crescimento teórico e prático aplicado, no qual todos os discentes e docentes deveriam participar comumente. Não basta um curso com disciplinas e laboratórios, sem a existência de compartilhamento nacional e internacional, onde se busca discutir, compartilhar, tirar dúvidas, ficar atualizado e mudar ideias. Nisto, os eventos são espaços para o novo e espaços para ajustar, redefinir e construir pensamentos diferenciados, logo, um discente ou docente sem participação em eventos periódicos não se constitui em um real acadêmico. 

Publicar ou participar? O que interessa é fazer parte no processo

Para os docentes universitários que fazem parte da área de pesquisa e dos programas de pós-graduação stricto sensu, publicar é dever. Um pesquisador deve publicar e compartilhar suas descobertas científicas, rediscutir teorias, contextos, categorias de pensar e os participantes devem se atualizar, discutir, concordar, discordar e chegar a um consenso para quais pontos deve se vincular. Os docentes que estão somente na graduação e/ou na pós-graduação lato sensu também precisam publicar, mesmo que em quantidade menor do que os pesquisadores que possuem grande tempo de suas atividades para pesquisa, entretanto, quem ensina precisa estar atualizado, apenas receber informações não demonstra construção acadêmica. Todo professor deveria orientar pelo menos TCCs de seus cursos, logo, bons trabalhos desenvolvidos com seus discentes podem se tornar bons artigos para congressos, elevando a produção tanto docente como discente.

O discente não precisa possuir uma periodicidade em produção e estar constantemente em eventos do tipo citados, mas deve ao menos uma vez participar de um congresso que seja importante em sua área específica de trabalho. Mesmo que o discente busque trabalhar no mercado e não ser um professor no futuro, fazer de seu TCC ou trabalho de sala, um artigo para apresentar em um evento, soma em diferenciação e conhecimento dado as interações das experiências. Este ainda poderá fazer estágios, trabalhos com grupos técnicos em sua área e outros, mas também terá conhecido o outro lado da moeda, que é o acadêmico.

Não existe divulgação sobre este tema de eventos pelos professores em sala de aula, nem dos coordenadores de cursos para estes discentes na maioria dos cursos nacionais, principalmente naqueles onde a Universidade ou Faculdade não possuem um curso de mestrado ou doutorado. O fato de não ter pesquisa corrente dificulta a percepção de valor com a participação no evento e como o próprio docente não participa, então, estimular os discentes a participarem fica ainda mais impróprio. Seria fundamental que todo o professor Universitário publicasse ao menos uma vez por ano um trabalho acadêmico em um congresso de sua área de expertise e que a cada dois anos fosse para algum evento que o atualizasse sobre algum tema específico de seu conhecimento. 

Existem ainda eventos técnicos relacionados a indústrias, empresas atuais do mercado e a distribuidores de produtos/serviços. Estes também são encontros importantes que devem ser seguidos e acabam por elevar a formação profissional continuada para o docente e aprimorada para o discente. Neste cenário, profissionalizar-se pelo básico desfigura uma base formal de nossos acadêmicos e leva a uma qualificação simples sem valor incremental ao mercado. Basta analisar quais os diferenciais de grandes grupos como a FGV, por exemplo, que possui eventos constantes desenvolvidos dentro da própria instituição, estágios diretamente ligados às indústrias e empresas com a formação para trainee, além de visitas a órgãos, empresas e setores do governo, levando uma parte de sua formação externa ao curso, como as disciplinas de mobilidade, as quais podem ser efetuadas em outras instituições e depois creditadas na escola de origem.

No Programa de Pós-Graduação em Administração (PPAD) da Unama, que faço parte e atualmente coordeno, isto já foi constituído e executado por diversos estudantes, que fazem períodos de estudo na FGV ou outros locais do Brasil e estrangeiro, além de participarem constantemente em congressos como EnANPAD, EMA, SEMEAD, CLAV, ENAPEGS, etc. Neste contexto, como recentemente retornei do EnANPAD 2014 no Rio de Janeiro, vejo a importância de compartilhar a relevância deste ambiente de eventos e, assim, estimular ainda mais a participação de discentes e docentes, principalmente de nossa região que possui uma carência enorme pelo fazer o diferente.