02 de maio, 2017 - Belém

Compartilhando o Desenvolvimento de uma Sociedade: Perspectiva Tecnológica


Nesta última década, o cenário da economia compartilhada veio criando espaço e ocupantes para este novo ambiente sustentável na sociedade. As trocas não são especificamente financeiras, as quais podem possuir um processo milenar que foi utilizado como troca de valores no passado, ou ainda, troca de conhecimentos. Pode ser visto como um processo de emprestar coisas e compartilhar os custos, onde o centro da discussão viabiliza-se em um momento de crise pelo qual o mundo passa, onde a riqueza precisa de economia e não aumento na receita, até mesmo porque não existe de onde tirar esta receita. A redução dos custos e melhor aproveitamento dos recursos existente são pontos favoráveis para novos negócios e redução do uso dos negócios passados. Neste cenário fica a dúvida sobre o rumo que esta economia compartilhada tomou baseado no ambiente tecnológico atual, o qual pelo uso das redes sociais, móveis e aplicativos, teve-se este conjunto de comunicação digital ampliando o alcance do contexto individual de um grupo próximo de cada participante, para uma expansão mundial podendo multiplicar e dividir possibilidades por um número infinito de participantes.

Ambientes Digitais e Negócios Móveis

Novos serviços utilizando da teoria de economia compartilhada, tiveram sucesso nos últimos anos, onde pode-se citar o Airbnb e o UBERno qual o primeiro apresenta a possibilidade de qualquer indivíduo que possua um quarto ou habitação livre, alugar por um período específico menor do que um aluguel de moradia, podendo ser dias ou poucos meses, para que este espaço livre que a pessoa possui em casa e fica inutilizado, além de ficar mantendo custos de manutenção constantes no decorrer do tempo, seja transformado em ativo. O Uber, que muitos pensam ser um competidor do Taxi sem regulamentação adequada, na realidade deve ser visto do ponto de vista de quem oferece o serviço e não de quem usa, pois o que está sendo provido na realidade é a possibilidade de uma pessoa comum que possui carro, poder nos horários livres, utilizar de seu automóvel para ter alguma provisão financeira,disponibilizando o serviço de transporte por um valor baixo e ainda por cima seguro, dado que o pagamento é feito via cartão de crédito online pelo celular, sem precisar da presença física do cartão. Isto facilita para o motorista, o usuário e a empresa intermediária que acaba por gerenciar e receber sua lucratividade pela prestação do conceito.

Estes tipos de serviços demonstram a participação da sociedade comum no processo de trabalho, que por mais que seja informal, este agiliza alguma rentabilidade e acesso a trabalho para qualquer pessoa que possua ambientes disponíveis não utilizados no seu controle. Se pensarmos, todos nós temos em algum momento de nossa vida um quarto livre, nosso carro vazio, possibilitando carona a outros, além de termos a maior parte do tempo nosso carro parado sem ter um uso ativo.

Os casos explicados são diretamente relacionados a um pagamento a alguém, mas na Alemanha, por exemplo, algumas cidades compartilham mesas de jantar, ou ainda carros particulares e, existem ainda prédios sustentáveis, onde áreas comuns como cozinhas e salas de televisão, são comuns para uso conjunto, de forma que o ambiente individual do usuário seja mais barato e este tenha um local único que possa ser dividido por diversos usuários reduzindo o custo geral e individual dos participantes. Este modelo de economia compartilhada, não possui um indivíduo recebendo pagamentos, mas indivíduos dividindo para reduzir custos, e ainda reduzindo poluentes.

O carro emprestado é bastante comum em algumas áreas, onde a manutenção deste é compartilhada dentre os usuários. Um amigo meu na Alemanha, tem um carro que ele divide com outros dois vizinhos. Ele fica com o carro nas quintas e Sábados, um vizinho nas segundas e sextas e o outro nas terças e quartas. Nos Domingos, quem precisar informa primeiro aos outros e pode utilizar. Como o transporte público é extremamente prático, todos se movimentam com este e acabam por ter o carro para tarefas em que a família precisa estar junta, ou transportar algo mais pesado e em grupo, assim para que ter um carro ou dois em casa se pode-se reduzir tantos custos como plaqueamento, seguro, manutenção, etc?

Neste contexto, onde entra a perspectiva tecnológica? Na realidade ela é a responsável pela funcionalidade deste processo. Tudo isto descrito já existe há muitos anos e era pouco utilizado porque a dificuldade de informar e gerenciar o sistema eram muito complexos. Com a Era Digital, o Airbnb pode desenvolver o pagamento, controle da qualidade do usuário e do responsável pela hospedagem, tudo online sendo enviado para seu celular. O Uber, gerencia a distância que você vai se deslocar, gerencia o custo antecipado para você, o pagamento online já pré-programado no sistema e detalhes de seu motorista, como experiência e notas de serviços anteriores prestados. Existem aplicativos de agenda coletiva para conversar e organizar tarefas em conjunto que ajudam no empréstimo e uso conjunto de materiais, além do whatsapp que facilita a comunicação conjunta para os grupos que possuem um interesse em comum. Em geral, existe de tudo neste mundo digital com a internet das coisas, que facilita integrar todas as facilidades, mudar rotinas, informar pessoas e interagir com os interesses, facilitando que a economia seja realmente compartilhada e colaborativa.

A dificuldade neste cenário fica agora no processo cultural e com relação ao respeito à sociedade. Uma sociedade corrupta ou sem respeito pelo espaço comum e conjunto, acaba por dificultar o desenvolvimento de um processo compartilhado e colaborativo. É necessário que a segurança do espaço e ambiente comum, estejam sempre intactos para que a confiança desenvolva o crescimento de oportunidades e negócios, logo, a tecnologia existe para dar suporte a construção técnica e da logística ao conceito, mas é necessário ainda a interação humana que precisa estar treinada e adaptada a este contexto. No dia em que tivermos coragem de perguntar para duas pessoas sentadas no restaurante em uma mesa de 4 cadeiras, se podemos sentar para comer em uma das duas cadeiras livres, e quando estes sentados acharem que isto é normal e claro, aceitarem isto tranquilamente, estaremos no caminho para um cenário mais compartilhado (coletivista) do que individualista.