17 de abril, 2015 - Belém

Ciência e Geração Milênio


Muito se ouve falar sobre a Millennials Generation também conhecida por Geração Y ou Geração Internet. A expressão Millennials foi utilizada por Niel Howe e William Struass, no livro Millennial Rising (2000). 

Considerada por representar os nascidos entre 1980 e 2000 que desenvolveram seus hábitos focados na informação e oportunidade. Possuem hábitos saudáveis, gostam de esportes, aventura, viagens, curtem o corpo, são vaidosos, consumistas e escolhem fazer somente o que lhes satisfazem.

Buscam se qualificar e estudam em ambiente com diversas opções de conexão em redes sociais e multitarefas. Gostam de trabalhar, mas não vestem a camisa da empresa, pois consideram que eles são o foco de tudo. Normalmente, vivem bem mais tempo na casa dos pais e não buscam independência antes dos 30 anos.

Dentro deste contexto, ainda representam pessoas que não concordam com os pais quanto à necessidade de estudar. Esta aversão ao estudo formal não combina com o mundo mágico da informação embora entendam que pode ser um caminho. Neste sentido não são acanhados em mudar diversas vezes de curso ou de carreira uma vez que a insegurança não faz parte de seus sentimentos. Gostam de ser empreendedores desde que o futuro seja próximo e próspero, também não entendem que trocar de empresa é erro ou pressa em conseguir e sim perseverança e persistência na busca pelo caminho certo. Jogam-se de cabeça em projetos mesmo que sem compreender muito, seus instintos são a chave do sucesso. O caminho para o sucesso é uma trajetória motivadora.

Esta geração de Millennials é focada em tarefas múltiplas, em desafios e prêmios. Alguns vídeos da Internet ressaltam a forma que estes jovens encaram os desafios e focam em sua felicidade.

Sob o ponto de vista de processo de capacitação e aprendizagem, como deve ser os cursos para atender a estes jovens?

Os colégios buscam se adaptar e direcionar questões como regras, normas e obrigações. Além disto, buscam inserir a tecnologia da Internet e suas múltiplas possibilidades no ambiente de ensino-aprendizagem. 

Este movimento é muito recente ainda no Brasil. Alguns colégios e professores ainda resistem a esta inovação que faz parte do cotidiano de todos. Quem não usa um navegador da Internet ou mecanismo o de busca para solucionar um problema ou encontrar um texto ou explicação? Qual adolescente não tira suas dúvidas das aulas que não assistiram com devida atenção nos diversos sites de web aula? Quem não recorre a uma ferramenta de comunicação via Internet para descobrir se tem ou não tarefa para amanhã?

Esta realidade está presente nas universidades, pois os Millennials que atenderam as demandas dos pais, e buscam estudar formalmente, ter título, estão chegando ou ocupando bancos da graduação. 

E depois? Será que quando ficarem nos cursos que escolheram e encontrarem uma resposta as suas expectativas, como serão profissionais? 

Como estarão aptos a entender que os problemas não dependem somente da informação correta e a busca por guias ou soluções criativas e, muitas vezes, a busca por passos e tarefas que se baseiam em normas e procedimentos que podem não ser criativos.

Como será que este grupo de profissionais que estará atendendo a demanda do mercado de trabalho se comportará na fase de qualificação profissional? Será que os programas de especialização como MBAs e tantos outros poderão suprir as expectativas dos jovens Millennials ou estes deverão buscar outras formas de se capacitar?

Esta dúvida somente será respondida quando estes ultrapassarem os 30 anos e tivermos dados para olhar para eles e analisar o que são e o que buscam ser ou alcançaram.

Os processos de formação de mestres e doutores buscam métricas e valores de mensuração da qualidade da pós-graduação no nível Stricto Sensu, avaliam desempenho de docentes e discentes. Este movimento pode ser um atrativo! 

Entende-se que os desafios crescentes propostos para academia brasileira frente à necessidade de melhoria em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, e busca por posicionamento dos resultados em ambiente internacional, pode ser uma excelente alternativa a estes jovens.

Inteligentes e incansáveis, diante de desafios, e cheios de vontade e aparatos tecnológicos para realizar uma tarefa são o futuro da ciência. A ciência que parte de uma dúvida, a pesquisa e busca por teste de hipóteses, a análise de resultados, pode se tornar um excelente lócus para esta geração.

Serão os Millennials os responsáveis pela nova geração de pesquisadores brasileiros? Se estes jovens buscarem com afinco aquilo que acreditam ser um desafio, no ambiente de pesquisa e desenvolvimento de produtos, utilizando todas suas habilidades multitarefas, a ciência muito avançará!

Texto produzido pela professora Dra. Cristiana De Muylder, convidada pelo professor Emilio Arruda. Cristiana faz parte do Programa Doutorado e Mestrado em Administração da Universidade FUMEC e do Programa Doutorado e Mestrado em Sistemas de Informação e Gestão do Conhecimento Universidade FUMEC