23 de fevereiro, 2015 - Belém

A Tecnologia e a Convergência Verde


Nos últimos anos, mais especificamente desde 2010, muitos produtos tecnológicos assumiram a responsabilidade ou diversidade de possuírem características verdes integradas às suas diversidades funcionais. Esta multifuncionalidade com a inclusão de características para além do que apenas fatores hedônicos (divertidos) ou utilitários (funcionais), veio a descrever uma responsabilidade socioambiental de grandes marcas, demonstrando a importância de termos mais sensibilidade a contextos sustentáveis. A dúvida é compreender quem realmente aposta no verde como responsabilidade ou aposta no verde como diferencial, para apenas ocupar um novo espaço no mercado e ainda se posicionar como moda, para alcançar grupos que consomem pelo posicionamento social (status).

Egoísta ou Altruísta? Como você se identifica?

No mundo moderno ainda temos um grande número de consumidores egoístas que buscam se satisfazer sem responsabilidade com o resto da sociedade ou mesmo do grupo ao que pertence. O altruísmo antiquado ou pouco reconhecido foi esquecido por grande parte da população, onde se colocar em segundo ou terceiro, e ainda deixar de fazer algo, ou consumir algo, por uma causa maior, é algo devidamente esquecido por uma sociedade extremamente competidora, a qual está ligada as tecnologias como uma diferenciação dentre os outros, para se ter maior atenção.

Os valores de consumo deveriam criar na mente, tanto da parte da empresa, como da parte do consumidor, uma perspectiva de responsabilidade, que não colocasse acima de tudo o status que pudesse de alguma forma prejudicar o ambiente ou ainda prejudicar pessoas que não possuem acesso, e passam por dificuldades que são esbanjadas e descartadas por outros.

Neste contexto, algumas características verdes foram incluídas em produtos tecnológicos, como celulares, tablets, notebooks, carros, apps de aparelhos móveis, etc. Estes produtos começaram a encontrar um espaço específico no mercado, mas com uma identidade sem apelo moral ao sustentável ou mesmo responsável. Simplesmente características verdes, aplicativos verdes e etc, começaram a ter um acesso discreto como parte de uma integração diversificada, entre muitas outras características de um produto convergente. 

Desta forma, percebe-se certa mudança de hábitos sociais, mas até que ponto estas mudanças são verdadeiras e não intencionais? Não basta compreender que estamos tendo novos consumos, novos produtos e em geral dispositivos com características verdes, precisamos saber se isto é sustentável ou apenas um modismo pontual que pode acabar de uma hora para outra. Se não houver uma mudança drástica na experiência e no uso corrente buscando um consumo mais sustentável, jamais teremos certeza que dará certo e se manterá.

A reflexão principal deste texto vem em função de prioridades da sociedade em um conceito muito maior do que o EU propriamente dito, mas de NÓS como sociedade, grupo, nação e população, descobrindo e agindo de forma consciente, para tratar de garantir uma nova ideologia que há muito podemos ter perdido. A consciência e a responsabilidade não agem conjuntamente, então são necessários dois fatores de discussão para que seja compreendido o porquê de escolher consumir algo mais verde do que o tradicional.

Sejamos menos egoístas e mais altruístas levando nossos atos a consumos conscientes e responsáveis, buscando aprender o que são características verdes e como podemos nos aproveitar destas para buscar qualidade de vida e garantir assim nossa parte na sociedade. Os valores sociais vão sempre existir, mas buscamos com isto não deixar que estes sejam a prioridade em nossas vidas, mas consequências de nossos atos e ações.