17 de setembro, 2014 - Belém

Torcidas: até quando clubes e autoridades vão enxugar gelo?


Foto: Igor Mota

Torcidas: até quando clubes e autoridades vão enxugar gelo?

Depois de muito protegerem as torcidas organizadas violentas, agora Remo e Paysandu pedem socorro às instituições que tanto contestaram, como o Ministério Público e a Polícia Militar. Até o Judiciário está desgastado nessa história. Afinal, em setembro de 2004 o juiz José Torquato Alencar (14a Vara Cível) atendeu ação civil pública do promotor de justiça Oirama Brabo com a extinção da Terror Bicolor e da Remoçada. Três anos depois, no dia 11 de novembro de 2007, veio sentença do juiz Marco Antônio Castelo Branco extinguindo as mesmas torcidas. Passados mais sete anos, pede-se a extinção das sucessoras Torcida Bicolor (antiga Terror) e Remista (antiga Remoçada). Até quando as instituições vão enxugar gelo?

Terror Bicolor e Remoçada seguem barbarizando nos estádios e nas ruas, com histórico de mortes e mais ainda de vandalismo com consequentes punições para Paysandu e Remo na Justiça Desportiva. Clubes, Polícia Militar, Polícia Civil e o Judiciário agem em frentes isoladas. O Ministério Público não consegue juntar as instituições num sistema. Os vândalos parecem mais organizados para os seus propósitos e assim fazem a glória do crime, favorecidos pelo Estatuto do Torcedor. Sim! Favorecidos! Afinal, num raio de cinco quilômetros dos estádios em que haja evento de futebol, eles estão sob uma lei branda, ainda timidamente aplicada, agindo em grupos, sentindo-se livres para barbarizar, virar notícia e contabilizar novos crimes. E tudo isso é ainda mais prazeroso para eles na clandestinidade proporcionada pelas “extinções”. Alguém duvida?

Finalmente, reação dos clubes

O Paysandu decidiu que a partir de sábado, no jogo contra o Cuiabá, na Curuzu, menores de 18 anos só terão acesso na companhia do pai ou da mãe. Estudantes têm que se cadastrar no site oficial do clube para ter direito à meia-entrada. O Remo anuncia a proibição do acesso da Remista (antiga Remoçada) aos próximos jogos em que for mandante. Assim começa a reação dos clubes, sufocados pelas sucessivas perdas de mando em punições do STJD, provocadas pelos dois grupos de vandalismo.

A reação precisa ser de todos, conjuntamente, organizadamente. Basta de trabalhos isolados. Basta de enxugar gelo. Afinal, enquanto os clubes perdem dinheiro nas punições, as instituições perdem credibilidade e a sociedade perde o direito de curtir o futebol como entretenimento. Em alguns casos, perde o direito de sair às ruas, pelo risco de pedrada, paulada, tiro...

Tímido faturamento em 2014

O Remo, que em 2005, na Série C, teve a maior média de público de todas as séries do Campeonato Brasileiro (mais de 42 mil pagantes por jogo), está este ano com média de 3.403 pagantes. Em quatro mandos, em Bragança, faturou R$ 219.324,00 e lucrou apenas R$ 54.831,00. Esse valor não cobre os custos do deslocamento. Ou seja, até agora o Remo pagou para jogar. E está ameaçado de nova punição, justamente quando pode “bamburrar”.

O Paysandu só teve bilheteria em três dos sete mandos, até agora, na Série C. Vendeu 27.031 ingressos, enquanto o Fortaleza, com a mesma força de público, vendeu 85 mil, em seis mandos. A média bicolor é de 9.010. O Papão faturou R$ 553.361,00 e lucrou R$ 418.805,00. Números muito tímidos para o apelo que o clube tem. O Águia vendeu 5.683 ingressos em oito mandos. Média de 710 por jogo.

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