24 de setembro, 2014 - Belém

Risco: 2014 pode acabar dia 4 de outubro


Foto: Everaldo Nascimento

Risco: 2014 pode acabar dia 4 de outubro

Véspera das eleições federais e estaduais, o dia 4 de outubro pode ser também a data do último jogo oficial do Paysandu e do Remo em 2014. O Águia vai se despedir deste campeonato da Série C, mas em novembro terá a seletiva do Parazão 2015. Para seguir em atividade na Série C, o Papão tem que derrotar o Treze em Belém e o Crac em Catalão, e ainda torcer por vários resultados de terceiros. O Leão só depende de si. Tem que eliminar o Brasiliense no primeiro “mata mata” da Série D. Afinal, eliminação precoce significa esvaziar as receitas, tendo que arcar com custos impagáveis. O caos. O risco tem dois motivos fundamentais. O fato de os dois clubes estarem nas Séries C e D, compostas de “mata-mata” a partir da segunda fase, e mais ainda o fato de serem dependentes de bilheteria. Tudo o que Remo e Paysandu têm para vender é a emoção nos estádios. Sem competição, caem no vazio. São clubes defasados, que não acompanharam os avanços de mercado e ainda não assimilaram as outras formas de fazer dinheiro no futebol, pelo marketing ou pela indústria de talentos.  

Finalmente, uma medida drástica

Nos últimos 16 anos, foram registradas cerca de 250 mortes, além de milhares de feridos, em confrontos de torcidas organizadas no Brasil. O Pará contribui com uma faixa de 7 a 8% nas estatísticas que fazem do Brasil o campeão mundial de violência produzida pelas rivalidades no futebol. 100% dos episódios violentos no Pará tiveram as mesmas “torcidas”: Remoçada, rebatizada de “Remista”, e Terror Bicolor, a atual “Bicolor”. Sábado, no jogo contra o Cuiabá, o Paysandu tratou de proibir a entrada de menores desacompanhados dos pais ou responsáveis. A medida nasceu da constatação de que os menos são 40% dos grupos violentos. O Remo adota a mesma atitude do rival e acrescenta uma medida drástica, necessária, ao proibir o acesso da tal Torcida Remista. O grupo até pode entrar no Mangueirão, domingo, mas sem qualquer tipo de identificação. Demorou, mas aconteceu.

Lima fez mal ao Papão e a si mesmo

Ao trocar o Paysandu pelo Ceará, o atacante Lima teve melhoria salarial, mas precisou pagar R$ 100 mil para ser liberado. Foi uma aposta do atleta na vitrine da Série B para maior valorização profissional. No entanto, depois de viver dias de ídolo bicolor em Belém, Lima (31 anos) virou fracasso alvinegro em Fortaleza. É reserva e nas poucas vezes que entrou no time, foi peça apagada. Não fez um único gol pelo time cearense. Pelo Papão fez 20 gols no Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e Série C. Vi Lima no jogo Ceará x Avaí, substituindo o titular Bill. Teve atuação tão discreta que foi substituído no segundo tempo. A saída de Lima fez muito mal ao Paysandu, que perdeu 70% do potencial ofensivo. As apostas em Gabriel Barcos e Rômulo foram pífias. Bruno Veiga acrescentou, mas não resolveu. No Ceará, Lima não está acrescentando nada e perdeu visibilidade, numa temporada em que era muito badalado, como um dos três maiores goleadores do país, junto com Magno Alves (Ceará) e Robert (Fortaleza). Não dá para garantir que se não tivesse perdido goleador o Papão estaria em melhor situação na Série C. Mas a lógica diz que sim. Afinal, o time bicolor caiu na produção ofensiva justamente quando melhorou o rendimento defensivo. Perdeu a chance de tornar-se um time equilibrado.

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