09 de outubro, 2014 - Belém

Remo: Mudam os dirigentes, repetem-se as lambanças


Foto: Paulo Sampaio

Remo: Mudam os dirigentes, repetem-se as lambanças

Em meio à melancolia por mais uma eliminação precoce, ações trabalhistas pipocam, jovens atletas se desvinculam aproveitando-se da incompetência do clube, o horizonte escurece e candidatos fazem promessas de mudanças. O filme do Remo neste fim de temporada, a dois meses de novas eleições, é o mesmo do fechamento de gestões passadas. No Leão é assim: mudam os dirigentes, repetem-se as lambanças. A gestão de Zeca Pirão, que chegou a causar boas expectativas na missão de desatolar o clube, está se fechando com perdas absurdas de revelações do clube. Depois de dar Jayme para o Fluminense, Rodrigo para o Corinthians, Ameixa para o Grêmio e dispensar Igor João, o clube teve ontem a confirmação de perda de Tsunami, que antecipou a saída, embora o contrato só termine em novembro, mesmo caso de Ameixa. É bom lembrar que Jayme e Tsunami foram artilheiros e considerados os melhores jogadores da Copa Norte sub 20 de 2013 e 2014. Aos 18 anos Tsunami sai pela segunda vez. Diz que vai para o Rio ou São Paulo. Em 2013 ele saiu para o Sport Recife, mas se arrependeu e voltou. Essas perdas traduzem mais que descaso, mais que incompetência. Isso é estupidez, tal como em gestões passadas, quando o clube perdeu Cicinho (titular do Santos, Tiago Alves (Paraná), Tiago Cametá (Fortaleza), Raul (Figueirense), Anderson Pará (Bahia e seleção brasileira sub 20), além dos atacantes Marcelo e Bruno, que saíram do sub 15 para o Cruzeiro/MG e Beira Mar/Portugal.

Em 16 anos, 27 atletas perdidos

Somando os jovens citados no comentário acima com os atletas desvinculados na Justiça do Trabalho, por causa de salários atrasados, como Velber, Belterra, Rodrigo Sarará, Balão, Da Silva, Cicinho, Andrezinho e outros, o Remo chega a 27 perdas em 16 anos da Lei Pelé. No mesmo período o clube só faturou R$ 750 mil em venda de jogadores: Rogerinho (550 mil), Reis (130 mil), Heliton (70 mil), enquanto o Paysandu faturou R$ 5,2 milhões em transações de atletas para o exterior (Balão, Robgol, Thiago Potiguar, Fabrício) e para o mercado nacional, como Velber, Rodrigo Sarará, Giovanni Augusto, Genison, Rafael Oliveira) e prepara a venda de mais um, Pikachu. A mais indecente das perdas remistas na Justiça foi Thiago Belém, então recém-promovido do sub 20 em 2005. O clube não só perdeu o vínculo por descumprir obrigações trabalhistas como teve que arcar com multa rescisória de R$ 900 mil. A dívida subiu tanto, que apesar do que já foi pago, o valor está em torno de R$ 1,5 milhão. O resgate dos fatos mostra que o sofrimento dos remistas não é fruto do acaso. E apesar das humilhações o clube segue no mesmo rumo, sem indicativos de mudanças, a não ser no discurso vazio de candidatos.

No Papão, avanços flagrantes

O Remo animou a torcida com reforma no Baenão e a aquisição de um ônibus. As obras do estádio azulino ainda estão pela metade, e o Paysandu fez muito mais na Curuzu e fechar a primeira etapa de um programa de obras, além  de também estar com seu ônibus e ter construído sua academia de musculação e centro de fisioterapia. A comparação entre os rivais é inevitável e sempre saudável. Um sempre será o parâmetro do outro. O Papão ainda é um clube bastante defasado, mas anda, enquanto o Leão patina no atoleiro da incompetência, das ilusões, das fofocas, das vaidades...

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