10 de junho, 2014 - Belém

Os “caras” da competição


Felizmente, o futebol venceu as mazelas de bastidores

O Parazão 2013 passou sete dias suspenso, ameaçado de não ser concluído, por causa de uma batalha jurídica do Santa Cruz de Cuiarana, em polêmica que chegou à tribuna do Senado com acusações de corrupção e resultou em CPI na Assembleia Legislativa. Tudo isso deu em nada. Virou folclore. Mas no recomeço do campeonato houve acentuada queda na presença de público, inclusive nos Re-Pas. Este ano, fanfarrões de Papão e Leão se superaram no esforço para convencer os torcedores de que o campeonato era uma fraude, enquanto vândalos e brigões davam “show” de selvageria até mesmo no gramado. Mais uma vez, o resultado foi a fuga do público. Tal como em 2013, novamente o campeonato estadual teve números decrescentes de público. Isso mereceria reflexão, se houvesse compromisso dos clubes e da FPF, os donos do Parazão. Apesar dos pesares, o futebol venceu caprichosamente. Mesmo apunhalado por todos os lados, o Parazão terminou em festa para as duas grandes torcidas. Com bola rolando na decisão, o Papão festejou a vitória sobre o rival. Ao último trilar do apito, o Leão festejou a conquista do título. Jogadores azulinos e bicolores trocaram abraços em campo, num resgate de civilidade.

Pensando bem, o campeonato paraense ainda não acabou

A bola parou, o Remo fez sua festa de campeão, mas, pensando bem, o Parazão 2014 ainda não acabou. Ainda bem! Afinal, as suspeitas levantadas precisam ser esclarecidas. Havia esquema de favorecimento, como o técnico bicolor Mazola Júnior denunciou e o presidente remista Zeca Pirão respondeu acusando árbitros? O torcedor pagou por um campeonato fraudado? Essas questões estão no Ministério Público (promotoria de Defesa do Consumidor), no Tribunal de Justiça do Estado e no Tribunal de Justiça Desportiva. Se houve leviandade de quem acusou, que haja punição aos levianos. Se há procedência, que sejam punidos os autores de qualquer que seja a ilegalidade. Está em jogo a credibilidade de todas as instituições envolvidas, que precisam dar uma resposta à sociedade.

Os “caras” da competição

Pensei em escalar minha seleção do campeonato, mas desisti. Alguns que eu escalaria deram vexame na reta final do campeonato, ou com mau futebol ou na selvageria da decisão do 2º turno. Nesses casos, não vejo merecimento de homenagem. Resolvi, então, citar alguns destaques. Os “caras” do campeonato: Rafael Paty e Rony. O maior destaque individual foi Rafael Paty, o principal artilheiro, com 13 gols, disputando apenas 13 jogos pelo Santa Cruz de Cuiarana. Uma façanha! Em segundo plano, Roni, 19 anos, revelação do Remo. No meio do campeonato, ele era apenas um torcedor, que havia jogado na base azulina e desistido de seguir a carreira de jogador. Já trabalhava como mecânico e mototaxista. Teve uma chance, na interinidade de Agnaldo de Jesus, e tornou-se peça decisiva na conquista do campeonato. Robinho (Cametá), Chaveirinho, Ezequias e Chicão (Independente), Caçula (São Francisco), Pikachu, Charles, Lima e Augusto Recife (Paysandu), Max, Dadá e Leandro Cearense (Remo) são outros profissionais que somaram comportamento decente à competência em campo, também merecendo admiração.