04 de dezembro, 2014 - Belém

O Remo e o carma da dívida trabalhista


Dívida trabalhista, o nó mais apertado na vida do Remo

Pelo interesse dos eleitores, os candidatos Zeca Pirão e Pedro Minowa focam no futebol as suas promessas eleitorais. Isso é natural, mas não é coerente. Afinal, o nó mais apertado da vida do clube está na Justiça do Trabalho, onde existe sinalização de bloqueio de 100% das receitas do clube, caso não sejam quitadas as parcelas pendentes no acordo firmado no final do ano passado  R$ 120 mil por mês. Já são seis parcelas em atraso e no próximo dia 17 vence a sétima, totalizando uma pendência de R$ 720 mil, além de percentuais de renda não repassados. A julgar pelas campanhas eleitorais, a questão não parece constar nas urgências, nem nos compromissos dos candidatos, nem nas exigências dos eleitores.

Henrique Custódio, candidato a vice pela oposição, garantiu ao colunista que seria programada uma reunião da equipe jurídica da chapa com os representantes legais dos principais credores, Henrique Lobato e Carlos Kayath.  No entanto, os dois advogados disseram ontem que ainda não foram procurados para qualquer conversa por nenhuma das chapas. O débito trabalhista judicializado está acima de R$ 10 milhões, mas novas ações, deste ano, “pipocam” no Tribunal Regional do Trabalho contra o Leão Azul e outros débitos salariais ainda não chegaram ao TRT.

Papão pagou quase R$ 3 milhões em dois anos

Nos últimos dois anos o Paysandu pagou na Justiça do Trabalho R$ 1.590.000,00 aos credores Arinelson e Jobson, no período de fevereiro de 2013 a outubro de 2014. Faltam R$ 3,8 milhões, numa programação de pagamento que vai até 2020. O crédito total é de R$ 3,6 milhões para Arinelson e R$ 1,8 milhão para Jobson. Segundo o presidente-eleito Alberto Maia, o Papão pagou mais R$ 1 milhões em parcelas de outros acordos. Em 2015 o Papão terá que iniciar o pagamento de mais de R$ 1 milhão para Gilson, atacante que defendeu o clube na Série A de 2005. E está nos planos a busca de outros acordos, como no caso de Sandro Goiano, que tem um crédito de R$ 480 mil.

Alberto Maia estima a dívida trabalhista do Papão na faixa de R$ 11,5 a 12 milhões, por causa dos juros. Por isso a intenção de formalizar novos acordos e garantir o congelamento através de parcelas programadas.

Um risco na redução dos Re-Pas em 2015

O novo sistema do Parazão implica no mínimo de um e  máximo de quatro duelo Remo x Paysandu. A redução deve valorizar o clássico como evento, mas o resultado financeiro pode não valer tanto a pena. Afinal, este ano, os oito Re-Pas tiveram quase 120 mil pagantes e proporcionaram 40% de todo o público dos 70 jogos do campeonato, que teve a terceira melhor média de público dos 27 estaduais. Paralelamente ao Parazão, a Copa Verde teve outros dois Re-Pas, em abril. E nos 10 clássicos o lucro das bilheterias, segundo os borderôs, foi de R$ 2.052.883,00 para o Leão Azul e R$ 1.616.739,00 para o Papão. Essa diferença ocorreu porque na divisão das rendas cada clube levou o lucro da sua própria venda de ingressos. O Remo vendeu 89.600 (54%) e o Paysandu 76.720 (46%).

Com menos Re-Pas, o Parazão será igualmente produtivo às finanças dos dois clubes? Essa é uma dúvida sem resposta, mas muito preocupante.

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