20 de maio, 2014 - Belém

O futebol 'tech' à serviço do Paysandu


Ciência e tecnologia a serviço do Papão

Quatro meses de atividade, quatro competições, 35 jogos, quatro lesões musculares leves e outras três medianamente sérias, apesar dos campos encharcados no campeonato estadual e de toda a maratona de jogos e viagens. Além da baixa incidência de lesões, o time teve pouca variação no rendimento. Tanto que até o 34º jogo, foram 20 vitórias, 11 empates e apenas três derrotas. Para quem tem noções de fisiologia, os números são impressionantes, sobretudo porque o elenco bicolor não teve pré-temporada. Por trás desse resultado estão a ciência e a tecnologia, num trabalho preventivo muito bem sucedido.

Com monitoramento através de exames regulares de sangue e de urina, usando um sistema de GPS nos atletas para controle de quilometragem em treinos e jogos, a comissão técnica do Papão teve a mensuração do desgaste físico dos atletas. Quem se aproximou da faixa de risco foi poupado de treinos e de jogos. Isso aconteceu na Copa Verde, no Parazão e até na Série C, em Salgueiro/PE, ontem, quando Mazola Junior abriu mão de metade dos titulares para tê-los na plenitude física contra o Remo, quinta-feira.

Tenho absoluta segurança em dizer que jamais foi feito no clube um trabalho tão científico, tão tecnológico e tão bem sucedido no objetivo de evitar ou amenizar lesões. Sem essa prevenção toda, o departamento médico do Papão teria virado “hospital” e os resultados em campo poderiam ser pífios.

Ônus e bônus na longa folga do Leão

Do último para o próximo jogo oficial do Remo, um intervalo de três semanas. Os azulinos se queixam de perda de ritmo. Maior que esse ônus, com certeza é o bônus do aprimoramento físico, técnico e tático. A tendência natural é o time azulino ter expressiva evolução no rendimento físico nessa decisão de turno, até pelo desgaste do rival.

Os azulinos se deram o luxo de cumprir uma etapa de reforço muscular, seguida de reoxigenação. Isso é um privilégio às vésperas de uma decisão a ser jogada em gramado fofo, como está o do Mangueirão. Roberto Fernandes não fala sobre o assunto, mas deve estar preparando o Remo para impor um ritmo intenso nos dois Re-Pas, com o preparo físico que está acumulando. Algo semelhante ao que fez o Paysandu em 2009, na decisão estadual com o São Raimundo, numa situação semelhante de folga esticada no campeonato. Naquela cartada o Papão se deu bem, aplicando 6 x 1 logo no primeiro jogo de decisão. Desta vez, porém, trata-se de Re-Pa, onde vantagem e desvantagem são sempre relativas e muito discutíveis.

Quem está no lucro?

Na disputa direta entre os rivais, o Remo se valeu da vantagem de dois empates e conquistou o 1º turno. É a mesma vantagem que o Paysandu tem agora na decisão do 2º turno. O Papão eliminou o rival da Copa Verde com uma vitória e um empate. Portanto, uma festa de cada. Mas só os remistas ergueram troféu. Os bicolores, em pleno ano do centenário, construíram um débito com a torcida ao perderem a decisão do 1º turno estadual e da Copa Verde.

Afinal, entre perdas e ganhos, quem está no lucro? O Remo atingiu o objetivo fundamental ao se garantir na Série D. Livrou-se de um peso. O Paysandu carrega a responsabilidade extra de dar um título à torcida para coroar os festejos dos 100 anos de história. Enfim, uma decisão pra lá de temperada.