22 de abril, 2014 - Belém

O fim de um sonho no Paysandu e o pesadelo do Remo


Fim de um sonho e de uma invencibilidade

Foram 21 jogos em 81 dias sem derrota. E o Paysandu perdeu justamente o jogo que não poderia perder, deixando escapar o título da Copa Verde. A decisão de ontem deixou polêmica no gol anulado de Lima, com marcação de impedimento. Também deixou frustração pela infelicidade do artilheiro Lima (17 gols na temporada) ao perder o pênalti na cobrança que daria o título, como também pela cobrança sem sucesso de Heliton. A dupla derrota foi dolorosa para o Paysandu, mas não descredencia o trabalho que está sendo feito por Mazola Júnior, comandados e comandantes.

O sonho acabou, mas sem motivo para pesadelo. O que deve ficar da perda da Copa Verde e do acesso à Sul-Americana é uma avaliação muito criteriosa das potencialidades e das carências do elenco para a campanha na Série C e para a reta final do Parazão, como também da sequência da Copa do Brasil. O Papão não foi ao céu, mas também não precisa fazer seu próprio inferno. Abatimento agora seria fraqueza. A hora é de reação. E a derrota em Brasília não deixou de ser parâmetro para uma releitura da equipe.

Remo virou refém dos “medalhões”

A temporada do Leão Azul já teve 19 jogos no Parazão, seis na Copa Verde e um na Copa do Brasil. Em 26 jogos, nenhuma atuação convincente. A conquista do 1º turno do campeonato estadual vai salvando a lavoura. É fruto de um período em que o time compensava as deficiências com bravura, numa correria que passou a não ser suficiente à medida que os concorrentes evoluíram. Eliminado da Copa Verde e acumulando empates no 2º turno estadual, o Remo buscou em Roberto Fernandes um educador tático. No início do trabalho, sinais animadores. Em Tucuruí, domingo, na derrota por 3 x 0 para o Independente, a pior das atuações azulinas, com a desarrumação de sempre e a apatia habitual dos “medalhões” Eduardo Ramos e companhia, já contaminando quem em jornadas anteriores correu por eles.

Roberto Fernandes chegou botando ordem na casa. Mais trabalho, mais disciplina e menos folga. O normal, em todo o trabalho já feito, seria o time ganhar competitividade. Em Tucuruí o time mostrou o contrário. Ficou a impressão de que o Remo está refém dos “medalhões”, que, incrivelmente, são mantidos titulares, apesar da improdutividade. Isso vale para Eduardo Ramos, Leandrão e Thiago Potiguar, como também para Zé Soares, assíduo freqüentador do departamento médico. E não deixa de ser o caso também de Athos, embora seja desses “medalhões” quem ainda tem lampejos de bom futebol.

Tiros no pé

No “oba oba” dos contratações impactantes, o Remo tratou tão mal os frutos da base que liberou Jayme, um dos principais, gratuitamente para o Fluminense. Os demais ficaram “largados” no próprio clube. Por força das circunstâncias, Rony ganhou uma chance e se destacou. O fato é que o Remo está refém de jogadores descompromissados com quem fez contratos caros e longos. Como demiti-los sem poder indenizá-los? A quem recorrer se tirá-los?

Ao fazer as contratações impactantes, o presidente Zeca Pirão se encheu de autoridade para dizer que mandaria embora quem não produzisse. Está em débito com a própria palavra, tanto quanto os “medalhões” estão em débito com o presidente que os contratou. Deram nisso os tantos tiros no pé.   

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