05 de março, 2014 - Belém

Novo gramado do Zinho Oliveira deve beneficiar a tática do Paysandu


Repertório bicolor contra muralha indígena

Taticamente, o Paysandu é o time de melhor repertório no campeonato, e terá seu toque de bola favorecido pelo novo gramado do “Zinho Oliveira”, apesar das dimensões (100m x 65m) abaixo do padrão. O campo de Marabá é cinco metros menor no comprimento e três metros menor na largura que as medidas oficiais da Fifa. Vitor Jaime, o “cacique” do Gavião Kyikatejê, armou uma muralha indígena com três zagueiros para conter o ataque bicolor, que é o mais produtivo do campeonato, com 20 gols. Esses são apenas os primeiros lances de um promissor duelo tático. Outro aspecto muito importante do jogo é o entusiasmo da torcida indígena.

Pela primeira vez, o Gavião Kyikatejê vai receber um grande da capital. Isso empolga toda a aldeia e gera motivação especial nos atletas. Em outras palavras, o Paysandu vai enfrentar um time muito aguerrido, que, mesmo cumprindo o plano tático do treinador, deve tratar de se impor na correria para compensar a inferioridade técnica. Apesar das credenciais de time grande, o Papão não deverá ter vida fácil, hoje, em Marabá.  

                        

Público: Papão em busca de uma resposta

Pelo que ouvi numa entrevista do presidente Vandick Lima, o Paysandu rejeita os argumentos de quem atribui aos preços de ingressos a sua baixa média de público no Parazão: 8,9 pagantes por mando de jogo, enquanto o Remo tem média de 13,4. O Papão mantem um padrão, cobrando 30 reais pela arquibancada, mas mostra que dá aos torcedores a possibilidade de ver até quatro jogos por mês pagando apenas 50 reais como sócio torcedor. Com faturamento líquido acima de R$ 160 mil mensais através do programa sócio torcedor, o clube tem seus próprios indicativos para considerar que está fazendo bom negócio. Assim, o clube alimenta sua própria angústia de ter um público médio abaixo do potencial da torcida.

Mesmo antes de elevar os preços de ingressos e apostar no programa sócio torcedor, o Paysandu já experimentava o distanciamento da sua torcida em plena campanha vitoriosa na Série C de 2012. Fica a impressão de que a fase de fortuna (Série B 2001, Copa dos Campeões 2002 e Copa Libertadores 2003), seguida de rebaixamentos no campeonato brasileiro, produziu um inconformismo refletido nas arquibancadas.

Mobilizados pelo sofrimento

Diferente do rival, o Remo passou por situações humilhantes nos primeiros anos do século, ganhou fôlego com a conquista da Série C de 2005, mas voltou à rotina de sofrimento, a ponto de virar aspirante à Série D. A dor gerou tamanha cumplicidade no Leão Azul que o clube lidera a média de público em toda a região norte desde 2009, justamente quando começou a disputar acesso à 4ª divisão nacional. Como diz a lição do marketing, é o sentimento produzindo comportamento e o comportamento gerando atitude. Pela quinta temporada consecutiva, o Remo é tocado por mutirão dos torcedores, que, quanto mais sofrem, mais unem forças.

Neste campeonato, o Remo ganhou metade de toda a renda líquida do 1º turno. Levou R$ 1.519.088,51 (50,9%), enquanto o Paysandu ganhou R$ 1.032.753,02 (34,6%), restando 14,5% para todos os demais clubes. Em contra-posição aos números recentes, a centenária história da rivalidade está repleta de dados que confirmam a igualdade de força das duas maiores e mais apaixonadas torcidas da Amazônia. Sem dúvida!

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