16 de setembro, 2014 - Belém

Nos últimos nove jogos, nenhuma derrota paraense


Foto: Akira Onuma

Nos últimos nove jogos, nenhuma derrota paraense

Três fins de semana com jornadas gloriosas de Remo, Paysandu e Águia. Na Série D, o Leão engatou uma sequência de três vitórias: 4 x 2 no Guarany em Sobral, 3 x 0 no Interporto e 3 x 2 no River em Bragança). Na Série C, o Papão vem de 1 x 0 no Salgueiro em Belém, 1 x 0 no Botafogo em João Pessoa e 1 x 1 com o Fortaleza em Fortaleza, enquanto o Águia vem de 1 x 1 com o Treze em Campina Grande , 4 x 1 no ASA e 2 x 1 no CRAC em Marabá. Esse ciclo tão positivo levou o Remo a antecipar classificação, o Paysandu a se aproximar do G4 e o Águia a tornar viável o objetivo de evitar o rebaixamento.

A reação está diretamente associada à volta de Mazola Júnior ao comando do Paysandu e de João Galvão ao comando do Águia. Eles deram consistência às duas equipes, com organização defensiva e competitividade. O Remo cresceu em bravura, na forte pressão que recebeu da torcida e da imprensa, depois da derrota em casa para o Guarany de Sobral. Ou seja, a pressão fez o time azulino sair da auto-suficiência e se investir do espírito de Série D.

Clubes viram reféns dos seus “monstros”

Presentes nos estádios desde os anos 1970, as torcidas organizadas (tanto as do bem como as do mal) ganharam impulso em Belém nos anos 90. Na época,  Remo e Paysandu abraçaram esses grupos, principalmente os mais barulhentos, que se tornaram os mais violentos. Em alguns casos, a relação chegou a ser de cumplicidade. Pois bem! Agora os clubes são reféns dos “monstros” que criaram. Pagam o preço com os frequentes casos de vandalismo nos estádios que vêm resultando em punições no STJD, com perdas de mando de campo e de muito dinheiro.

Em 11 anos do Estatuto do Torcedor, o Remo já sofreu 14 e o Paysandu 13 condenações. Na próxima quinta-feira o Papão vai ter mais um julgamento (pelo arremesso de uma garrafa plástica ao gramado no jogo contra o Salgueiro) e o Leão poderá ser punido por causa dos brigões que deram show de selvageria no Diogão, domingo, durante o jogo contra o River. O documento da Polícia Civil, com identificação de “torcedores” acusados de provocar o confronto, deve servir de escudo na defesa do Remo no STJD, mas apenas como atenuante.

Um milhão e meio de reais no fogo

O Remo age nos bastidores pela reabertura do Mangueirão para seu jogo do “mata-mata” na próxima fase da Série D e planeja a cobrança de 30 reais pela arquibancada. Ouvi do presidente licenciado Zeca Pirão que o clube está devendo R$ 1,5 milhão de empréstimos no mercado. Isso explica salários em dia. Toda a aposta do Remo foi feita nas bilheterias ao voltar a jogar em Belém. A aposta fica ameaçada pelo risco de nova perda de mando no STJD.   Como a Polícia Militar tem apurado no seu monitoramento, os confrontos nos estádios e nas ruas são planejados e programados através das redes sociais. O futebol está sofrendo as consequências de um processo bem orquestrado.

O que fazer diante de tantas punições, provocadas por essas “torcidas organizadas” que a Justiça “extinguiu” em 2003? O Ministério Público e a Polícia Militar parecem impotentes. Os clubes estão perdidos na história. Resta a frustração do juiz Marco Antônio Castelo Branco, que há 11 anos sentenciou em vão a extinção das duas torcidas (Remoçada e Terror Bicolor). É hora de sua substituta, juíza Marisa Belini (3ª Vara da Fazenda), entrar em campo pelo cumprimento da decisão judicial. Ou será que a causa está perdida?

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