19 de setembro, 2014 - Belém

Depois do susto, Papão testa proibição no combate ao vandalismo


Foto: Paulo Akira

Depois do susto, Papão testa proibição no combate ao vandalismo

Menores de idade só vão entrar na Curuzu, amanhã, acompanhados do pai ou da mãe. Assim, o Papão evita cerca de 40% dos vândalos de torcidas organizadas, que “pintam e bordam” sob o favorecimento legal da idade. A providência é um avanço significativo, considerando-se o histórico de omissões dos clubes paraenses na questão do vandalismo. O Remo deve seguir o mesmo rumo. Tanto que já anunciou proibição do acesso da Remista, antiga Remoçada.

Do arremesso de uma garrafa plástica ao gramado da Curuzu no jogo contra o Salgueiro, restou o susto. O Papão foi absolvido, ontem, pelo STJD. O próximo julgamento no STJD poderá ser do Remo, pela baderna no jogo contra o River, em Bragança. Todo o trabalho dos remistas é para que o clube não seja denunciado pela procuradoria, o que parece inevitável, pela repercussão do fato.

Vândalos mostram mais organização que autoridades

Conversando com uma das lideranças do combate ao vandalismo nos estádios, comentei que vejo mais organização nos vândalos que nas autoridades. Houve uma breve reflexão e a aprovação, com base em constatações que alimentaram a conversa. As torcidas organizadas mais brigonas têm milhares de componentes e conseguem articular suas investidas, desafiando e driblando a Polícia. Conhecem a fragilidade da lei (Estatuto do Torcedor) e se beneficiam, mesmo quando apenados pelo Judiciário. Como ficou provado no episódio de Bragança, no último domingo, os infratores usam documentos falsos. Muitos se valem ainda do fato de serem menores de idade. E assim se divertem com as próprias barbaridades. Por outro lado, instituições de segurança parecem sem rumo, sem força.

Se na capital as polícias militar e civil vêm melhorando muito no engajamento, policiais do interior mostram completo desconhecimento do Estatuto do Torcedor. Esse despreparo se estende a promotores de justiça e magistrados interioranos. Em Belém, Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário fazem muito quando cumprem o papel fundamental. Não há um trabalho integrado. Falta a troca de informações. Enquanto as gangs se organizam para tumultuar, digladiar e até matar, as instituições de segurança e justiça não conseguem sequer fazer cumprir uma decisão judicial de 2007 que “extinguiu” a Remoçada e a Terror Bicolor, recriadas como Torcida Remista e Torcida Bicolor. Os clubes, que deveriam ser os maiores interessados, só agora estão saindo da omissão, em 11 anos de vigência do Estatuto do Torcedor. Enfim, o mal prevalece por estar mais organizado que o bem.

Segundinha cai no ridículo

Três dias antes da abertura do campeonato, o Grêmio Carajás oficializa desistência, tal como fez o Sport Belém também esta semana. A FPF se vê obrigada a adiar o início do campeonato. O adiamento já poderia ter acontecido por falta de laudos nos estádios. E assim a Segundinha vai sendo remendada mesmo antes de começar, como acontece todos os anos. Isso é cair no ridículo.

Os fatos, que mostram não só a falta de estrutura, mas também a falta de compromisso, precisa reforçar a ideia já lançada pela FPF de acabar com essa competição, que na prática é a 3a divisão do Pará. A verdadeira 2a divisão é a esquisita fase preliminar da 1a divisão, igualmente seletiva, programada para novembro. A mudança proposta pela Federação seria para 2015.

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