29 de outubro, 2013 - Belém

Um novo Paysandu hoje contra o América. Ao menos no papel, sim!


Dá para acreditar no Papão?
         
Vânderson compondo um trio de zaga com Fábio Sanches e Dagostini, Jaílton como segundo homem de marcação no meio de campo e Diego Barboza como ala esquerda. Essas são as peças e funções que mudam o perfil do Papão para o desafio de hoje, em Belo Horizonte, contra o América Mineiro. Em tese, um time mais encorpado tanto no serviço defensivo como no serviço ofensivo. São jogadores que já cumpriram essas funções no time. Acima da questão tática, porém, está a questão do compromisso. Se o Papão levar a campo o espírito competitivo que Vagner Benazzi está prometendo, dará sim para acreditar numa atuação digna e até na primeira vitória como visitante no campeonato.
        
Oitavo colocado com 48 pontos, cinco pontos abaixo do G4, o América Mineiro trata de manter suas possibilidades de acesso à Série A. Mas jogando em Belo Horizonte ganhou apenas quatro jogos, metade do que conseguiu ganhar fora. O time carrega uma certa cabula pelo mau aproveitamento em casa. Cabula maior é a do Paysandu, por ser o único desta Série B que ainda não ganhou fora de casa. Hoje, para ambos os lados, a vitória deve ser uma questão de atitude. O que a noite nos reserva? Um Papão valente como ainda não vimos? Ou sem alma como nos habituamos a ver?
 

Números do Papão como visitante
       
Este ano o Paysandu venceu duas vezes fora do Pará, ambas pela Copa do Brasil: 2 x 0 no São Raimundo em Roraima e 1 x 0 no Naviraiense no Mato Grosso do Sul. Pelo campeonato brasileiro, porém, o Papão não vence como visitante desde julho de 2012, quando aplicou 2 x 1 no Guarany/CE, em Sobral. Em 40 participações (20 na 1ª, 13 na 2ª, 07 na 3ª divisão, com 364 jogos como visitante, o Paysandu venceu 36 (9,9%), perdeu 215 e empatou 113. Só nesta Série B o jejum está em 15 jogos, com 12 derrotas e 3 empates.
      
O melhor ano do Paysandu fora de casa no Campeonato Brasileiro foi em 1994, na 1ª divisão, com Mirandinha, Oberdan, Flávio Goiano, Antônio Carlos e companhia. Um time formado em cima da hora, que venceu o Vitória no Barradão (1 x 0), o Atlético-MG no Mineirão (3 x 1), o São Paulo no Morumbi (2 x 1) e o Palmeiras no Parque Antarctica (1 x 0). Em 2000, outras quatro vitórias, mas na Série B da Copa João Havelange. Com Vânderson, Rohgerinho, Jóbson, Edil, Tico e companhia, venceu o CSA no Rei Pelé (3 x 0), o América-RN no Castelão (2 x 1), o Bandeirante no Metropolitano (1 x 0) e o Fortaleza no Presidente Vargas (1 x 0).
      
 
Obras do Baenão dão a medida do arrojo
       
O Remo experimentou décadas de mesmice. Eram os mesmos 'dirigentes' se revezando no poder, com a mesma prática. Plantava-se pepino com a esperança de colher tomate! Até que um dia todos se juntaram para 'abraçar' o Baenão em defesa do patrimônio, após da derrubada de um símbolo que só foi reconstruído dois anos depois, por um torcedor. Agora, sob a presidência da Zeca Pirão, um nome que surgiu ano passado na alta direção, o Remo arregaça o Baenão com obras transformadoras, inimagináveis para um clube que este ano chegou a acumular seis meses de atraso nos salários dos funcionários, antes da renúncia do ex-presidente Sérgio Cabeça.
       
Zeca Pirão tirou o Remo uma inércia crônica para passos largos de reconstrução. É um presidente que peca por excessos, pelo estilo mandão, às vezes inábil, mas faz acontecer. Está prometendo um time vitorioso para 2014. Esse talvez seja o maior desafio.