27 de agosto, 2013 - Belém

Paysandu extrapola limites no orçamento e sacrifica projetos no clube


Rédeas soltas, clube sem êxito

A idéia geral de planejamento no futebol sempre consistiu nos mesmos passos: contratação do técnico (nem sempre confiável), que aponta e avaliza (ou veta) jogadores e demais integrantes da comissão técnica. Em quase todos os clubes do país é assim que funciona. Os cartolas atribuem poderes excessivos ao técnico porque esperam dele todas as soluções, com ou sem condições de trabalho. E se o técnico não resolve, é fácil concentrar nele todas as culpas e trocá-lo por outro, que concentrará as mesmas expectativas e cobranças, para um novo ciclo. Nas crises, como no Paysandu, agora, os torcedores atiram para todo lado: comissão técnica, jogadores, dirigentes e até imprensa. Nesse estresse, a busca por soluções mágicas leva à multiplicação dos equívocos. O Papão extrapolou os limites orçamentários do planejamento original e está sacrificando projetos estruturantes com uma folha salarial que já passou de R$ 900 mil, elenco inchado e resultados pífios nesta Série B. Continua dispensando, indenizando e contratando. Nessa permanente reforma, o Papão não consegue harmonia e muito menos compromisso dos seus profissionais com a causa fundamental, da reação no campeonato. Nas suas obrigações, o clube parece ver o pagamento regular de salários como se fosse bastante. Falta o encurtamento das rédeas! Nem todos os contratados se comportam como profissionais na vida extracampo. A história sempre foi a mesma: rédeas soltas, clube sem êxito.

Arturzinho, o "espalha brasa"

No estilo "espalha brasa", Arturzinho faz lembrar Edson Gaúcho. É um técnico trabalhador, inteligente, mas pouco habilidoso no gerenciamento de pessoas. O jeito agressivo de impor seu ritmo e suas normas no ambiente que encontrou parece já ter causado desgaste. No futebol isso é muito embaraçoso. Uma postura estratégica, de líder, para ganhar o grupo, poderia ter sido mais proveitosa. A vinda de jogadores tão fora de forma, apontados por Arturzinho, repercutiu muito mal dentro do elenco. Ao sair do Joinville, Arturzinho foi alvo de comentários sintomáticos. O goleiro Ivan, por exemplo, disse no programa Debate Esportivo, da TV Sul Brasil, que "95% dos jogadores não aceitavam mais trabalhar com o Arturzinho. Não tinha mais clima. O Nereu (Martinelli, presidente do JEC) acertou". Técnicos com o estilo "chefão", como Arturzinho, costumam ter melhores resultados com elencos que eles próprios formam, com quem se encaixa bem na proposta de trabalho.

Paragominas, 5º entre os 101 times das quatro séries

De 24 pontos possíveis, o Paragominas conquistou 17. Com os mesmos números do Botafogo-PB, 70,8% de aproveitamento, o "Jacaré" só foi superado por quatros dos 101 clubes das quatro séries do Campeonato Brasileiro: Tupi-MG (87,5%), Tiradentes-CE (79,2), Palmeiras (78,4), Chapecoense (75%). O Paragominas enfrentaria o Salgueiro-PE na segunda fase da Série D, não fosse a lambança do próprio clube na utilização ilegal de um atleta e perda de 6 pontos no STJD. O 5º melhor índice de aproveitamento entre os 101 clubes no gramado sucumbiu pela mais dolorosa lambança de bastidores das quatro séries. O Jacaré foi vítima da sua própria mordida.

Paragominas-PA

PG  J   V  E   D   GP  GC   SG   %
 17    8   5    2   1     15     7       8     70,8