24 de agosto, 2012 - Belém

Técnico Marcelo Veiga está em Belém e não tem nada a perder


Marcelo Veiga, nada a perder em Belém
        
Marcelo Veiga pode se despedir logo na estreia, como também pode levar o Remo à Série C em um mês (cinco jogos) ou até ao título nacional da Série D em um mês e meio (nove jogos). O novo técnico remista tem muito a ganhar e nada a perder. Se não der certo será dito que acabou de chegar e que o time não tinha condições. Se tiver êxito, será endeuzado.
        
Campeão da Série C em 2007, em longa e vitoriosa passagem pelo Bragantino/SP, Marcelo Veiga deve ter recebido o convite do Remo como oportunidade para enriquecer o currículo e abrir um novo mercado. Isso significa que o clube e o técnico estão fazendo uma aposta mutua, que apesar do afogadilho tem possibilidades reais de sucesso. A diferença é que o Remo faz a aposta em desespero, sob pressão para ganhar ou ganhar. O técnico veio com a ambição de ganhar, mas sem nada a perder.
 
 
Chefe ou líder?
     
Nem todos os comandantes conhecem a diferença. Edson Gaúcho teve no Remo admiráveis atitudes de líder, aglutinador, solidário aos funcionários, provocando a distribuição de cestas básicas. Ao mesmo tempo foi chefe na extrema concepção do termo, aos gritos, palavrões, mão de ferro. Por isso, mais uma vez teve curto prazo de validade, como na passagem anterior pelo Paysandu.
      
Givanildo Oliveira também já foi mais chefe do que líder. Mas evoluiu, tornou-se mais habilidoso, sem perda alguma de autoridade. E a bagagem de conquistas deve ter contribuído para manter toda a força como comandante numa linha de maior respeito aos que o cercam. Além disso, Givanildo reafirma a cada trabalho a sua competência, ao contrário de Edson Gaúcho que se desgastou dentro e fora de campo.
      
Remo e Paysandu precisam de técnicos que extrapolam as funções e brigam por condições de trabalho. É a única forma de fazer trabalho profissional em realidades amadoras. Edson Gaúcho, porém, se fez vítima de se mesmo com seus excessos no uso do 'chicote'.       
          
 
Preço do atraso: a conta está chegando
       
Clubes das Séries C e D sentem agora o impacto financeiro do atraso de um mês e meio nos dois campeonatos, provocado pelos processos do Treze/PB e do Brasil/RS na Justiça Comum. Um dos casos mais graves é do Icasa, próximo adversário do Paysandu, que esta semana precisou vender o que lhe restava dos direitos econômicos da revelação Bismark (18 anos) e ainda fazer um empréstimo para pagar uma das folhas atrasadas. O próprio Papão teve as dificuldades financeiras seriamente agravadas, até porque enfrenta bloqueios de receita na Justiça do Trabalho.  O clube está com folha salarial em torno de R$ 400 mil. Em dois meses de competição, lucrou nas bilheterias R$ 660 mil, além dos patrocínios que rendem mais de R$ 200 mil mensais. O desequilíbrio das contas, porém, está nos bloqueios da Justiça por conta dos débitos.

 

Para ler a coluna completa, assine O Liberal Digital!