27 de julho, 2012 - Belém

Na 'era' Galvão, Davino é o 14º técnico do Papão


Na 'era' Galvão, Davino é o 14º técnico do Papão

João Galvão é o técnico do Águia desde julho de 2008, com 156 jogos consecutivos. Nesse período, o Paysandu fez 168 jogos com 14 treinadores: Dário Lourenço (19 jogos), Mário Henrique (5), Édson Gaúcho (28), Valter Lima (6), Nasareno Silva (9), Luis Carlos Barbieri (8), Charles Guerreiro (26), Sérgio Cosme (24), Roberto Fernandes (08), Edson Gaúcho (04), Andrade (04), Lecheva (12), Nad (10), Roberval Davino (05).

Os 14 técnicos fazem parte de um pacotaço de cerca de 180 contratações do Paysandu nos últimos quatro anos, com investimento três vezes maior que o orçamento do Águia, para campanhas semelhantes na Série C, na Copa do Brasil e no campeonato estadual. Enfim, Paysandu e Águia, são dois clubes de absolutas diferenças na história, na estrutura, na pressão, no orçamento. No entanto, se igualam em campo. Segunda-feira, mais um jogo disputadíssimo, sem favoritismo.

Nos 156 jogos consecutivos de João Galvão, o Águia teve 72 vitórias, 34 empates e 50 derrotas. Isso equivale a 60% de aproveitamento, mas sem título algum. O máximo que conquistou foi o vice-campeonato estadual de 2010, além de ter 'batido na trave' em 2008, na disputa do acesso à Série B. Foi o 5º colocado entre 63 clubes. Perdeu a vaga no
saldo de gols.

Um 'carregador de piano' no Águia

Quem é Diogo? O volante é titularíssimo do Águia desde o ano passado, mas não é badalado. Praticamente não aparece para o público. É o típico 'carregador de piano'. Trabalha para os pianistas aparecerem. Diogo Luiz Abreu da Silva é um carioca de 30 anos que está no futebol profissional desde 2000. Foi revelado pelo Serrano/RJ e passou pelo Bonsucesso/RJ, Guanabara, São José/SP, Guarani de Palhoça/SC, Rio Branco/ES, Ypiranga/AP, Cannes France (França), CFZ/RJ e Águia. Diogo é a figura do bom e barato, algo muito raro nas contratações dos clubes paraenses.

Gaúcho arruma a casa, mas não o time

Profissionalismo implantado no grito e pulso forte. Mudança drástica, rápida e bem assimilada. Édson Gaúcho botou ordem no Baenão. Conseguiu arrumar a casa, mas não o time. Como treinador, faz um trabalho muito questionável. Teve duas invencionices que fragilizaram o time diante do Náutico e do Atlético/AC. Em Roraima, escalou André como único volante e deixou a defesa desprotegida. Corrigiu no intervalo, acionando Jhonatan, e virou o placar. Em Belém, anteontem, sobrecarregou Jhonatan e deu espaço para o time acreano comandar o meio de campo. Novamente, corrigiu no intervalo, acionando André para recompor a dupla de volantes. O time cresceu e conseguiu o empate, que teve muito a ver também com a saída do quase imóvel Mendes para a entrada de Fábio Oliveira. A improdutividade de Mendes é outro ônus de Édson Gaúcho, que se responsabilizou pela contratação que o clube não queria.

Se o Remo subir à Série C de 2013, será graças ao comando administrativo de Édson Gaúcho, que está organizando o Baenão e disciplinando o elenco. Mas para ter essa glória, Gaúcho precisa fazer algumas reavaliações. Não pode ser arrojado, tão ofensivo, com uma defesa lenta e um time sem estabilidade nos serviços básicos da troca de passes e da marcação.

Time muito ligado

O aspecto mais positivo do Remo é o comprometimento dos jogadores com a missão do acesso. Mérito de Gaúcho! É flagrante a aplicação de todos. Isso explica os justos aplausos da torcida ao final do jogo contra o Atlético/AC, apesar do frustrante empate. O Remo precisa de atuações convincentes para passar confiança à torcida. Mas, um outro ponto de vista nos mostraria que o Leão pode ter mais possibilidades com dificuldades. Se estivesse traduzindo sua grandeza em campo, atropelando os adversários, folgado na tabela, o Remo logo se tornaria vítima do próprio Remo. A euforia e as vaidades fatalmente atrapalhariam na hora 'h', como vimos em outras ocasiões. Vejo mais chances de êxito assim, com sofrimento, com o time muito ligado, jogando contra as próprias limitações, respeitando os adversários, se superando. Foi assim em 2005, na conquista da Série C. Enquanto o time for guerreiro, mesmo com mau futebol, terá o apoio da torcida. Essa é a força que pode fazer o Leão subir. E desta vez o caminho é bem mais curto e bem fácil que aquele de 2005.

 

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