01 de junho, 2012 - Belém

Séries C e D: um nó cada dia mais apertado


 

Um nó cada dia mais apertado

Nenhuma saída em vista. O nó das liminares está cada dia mais apertado, amarrando a CBF e os clubes das Séries C e D. Num blefe evidente, a CBF acenou ontem com a ameaça de cancelar os dois campeonatos, inclusive alegando que economizaria cerca de R$ 30 milhões. Ao contrário, gastaria muito mais indenizando os clubes prejudicados, que fatalmente iriam à Justiça cobrar ressarcimento do que estão investindo.


Enfim, a CBF terá que dar seu jeito para desatar o nó que ela própria provocou, ano passado, no acordo espúrio que fez com o Rio Branco e com o STJD, dando garantia de vaga ao clube acreano, passando por cima de um direito do Araguaína. Não está descartada a possibilidade de as Séries C e D começarem no próximo dia 10 de junho. É possível, mas improvável. A novela tende a se prolongar. E o Cametá, que 'vendeu' a vaga na Série D para o Remo e sofreu turbulências por isso, constata agora que saiu de cena na hora certa, no lucro.


Reforma estatutária sai ou não sai?


No início dos anos 90, na gestão de Alcir Braga, o Conselho Deliberativo promoveu a última reforma do estatuto do Remo. Nos últimos quatro anos, desde a gestão Felício Pontes, uma nova reforma é assunto recorrente e travado, como quase tudo no clube. Esta coluna expôs diversas propostas contidas num projeto do novo estatuto, que o Condel deveria debater a partir de 16 de abril. Deveria! O debate não aconteceu.


E o que deveria ser uma sessão trimestral do Condel, na quinta-feira da semana passada, foi inviabilizada porque teve apenas 12 dos 150 conselheiros. Dá para acreditar nesse Conselho? Benedito Wilson Sá, vice-presidente do Condel, é quem conduz o projeto do novo estatuto. Através desta coluna, proporcionou esperança à nação azulina ao citar propostas louváveis, tais como a 'Responsabilidade Solidária'. 


O presidente do clube passaria a ser obrigado a indenizar o clube pelos prejuízos que causasse por má gestão. Se a medida existisse nas últimas quatro décadas, o clube não teria sido vítima de extremas irresponsabilidades, como as farras absurdas de contratações, não teria perdido o Posto Azulino (1985), a sede campestre (2008) e o vínculo de 20 jogadores (Justiça do Trabalho) a partir da Lei Pelé, desde 1998. Enfim, não estaria em tamanha penúria financeira e moral, endividado e desacreditado no mercado.


O projeto prevê ainda a proibição da antecipação de receitas junto a patrocinadores, eleição direta para presidente e vice-presidente, 'impeachment' do presidente em casos de infrações graves previstas na carta magna do clube, criação de um Conselho de Administração com executivos do mercado, que não precisariam integrar o quadro social do clube. Criação de Ouvidoria Permanente, destinada à comunicação dos torcedores com o Conselho Deliberativo. Redução gradativa do quadro de beneméritos, de 40 para 20. E cobrança mensal de um terço do salário mínimo (R$ 207,00) de cada conselheiro. 40% para o futebol de base e 60% para custos do Conselho Deliberativo, que 'atualmente não tem dinheiro nem pra comprar água mineral', segundo Benedito Wilson Sá.


Papão no mesmo atraso


O Paysandu chegou a aprovar um novo estatuto e fez eleição direta em 2006, mas o documento não foi registrado em cartório no prazo legal e perdeu a validade. Tanto que o clube voltou a fazer eleição indireta em 2010. O retrocesso ainda não foi corrigido. E pouco se fala no assunto dentro do clube.


Tudo indica que em dezembro Paysandu e Remo terão presidentes eleitos novamente pelos conselheiros. Pelo Código Civil Brasileiro deveriam ser eleitos pelos associados (Assembleia Geral). De mãos dados, fieis um ao outro, Papão e Leão dão mais uma prova de que estão juntos no mesmo atraso e mesmas consequências, com seus 'Conselhos Decorativos'.                          


A emergência fala mais alto


Nada é mais urgente para o Conselho Deliberativo do Paysandu, atualmente, que a decisão sobre o destino da sede social, que está prestes a ser leiloada pela Justiça do Trabalho para pagamento de R$ 5,5 milhões aos ex-jogadores Arinelson e Jobson.


Estatuto e outras questões vitais caem para segundo plano. Se bem que ainda não há sessão programada nem mesmo para a decisão sobre venda da sede, que depende de autorização do Condel ou da Assembléia Geral. Isso não está claro, apesar da emergência.


 

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