31 de maio, 2012 - Belém

Yago Pikachu, um caso raro no Pará. Entenda na coluna de Carlos Ferreira!


 

Yago Pikachu, um caso raro no Pará


Revelação regional ganhar elogios pela capacidade de assimilar função tática é raridade. Yago Pikachu é um caso. O técnico Roberval Davino não economiza elogios ao menino bicolor pela inteligência e pela disposição para trabalhar. No sistema tático que Davino está implantando no Papão, Yago tem função fundamental.


Vai jogar como ala, completando o meio de campo e o ataque. E está se encaixando com facilidade, na avaliação do treinador. Outra postura exemplar de Pikachu está nas atividades complementares. Terminam os treinos e ele permanece em campo se aprimorando em cobranças de falta. Atitude de quem tem espírito empreendedor, investindo num diferencial que pode alavancar sua carreira. Davino diz não ter a menor dúvida de que Yago Pikachu fará sucesso no futebol, em grandes clubes.


Ávalos, 10 anos sem atraso de salário


'Sorte minha. Desde 2002 eu não sei o que é atraso de salário na minha carreira. Quando passou da data foi coisa de cinco dias. Espero que no Remo não seja diferente'. Foi o que disse Ávalos, novo zagueiro remista, que nos últimos 10 anos defendeu Paraná, Suwon Bluewings, Santos, Sport Recife, São Caetano, Barueri, Itumbiara, Monte Azul/SP, Volta Redonda, Vilavelhense/ES e São José/SP.


A realidade financeira do Remo não tem sido tão boa quanto a de Ávalos. O atleta encontrou no Baenão um ambiente de insatisfação. Seus novos colegas ainda esperam por dinheiro de abril, enquanto o clube adianta salário para quem está chegando. Uma realidade que contrasta com os últimos 10 anos de Ávalos, mas está na média da Série D, que desde o ano passado é o mercado do veterano zagueiro. Com R$ 345 mil para receber do governo nos próximos dias, o Remo planeja pagamento de uma folha para jogadores, comissão técnica e funcionários. E espera pelas bilheterias da Série D para colocar essas contas em dia.


Uma crítica às críticas


O leitor Claudeci Oliveira não vê motivo para críticas ao Remo pela saída de Betinho, mesmo sem qualquer retorno financeiro para o clube. Duvida que Betinho dê lucro ao investidor que o assumiu, por ser 'um jogador que não tem preparo para aguentar uma vaia de pouco mais de 6.000 pagantes, como foi o caso do jogo contra a Tuna'.


O investidor Eduardo Uran fez com Betinho um contrato de quatro anos pagando R$ 80 mil de luvas e R$ 10 mil mensais, o vinculou ao Tombense/MG e vai colocá-lo num clube de maior projeção que lhe dê condições para se desenvolver física e emocionalmente, de tal forma que o talento possa fluir. No futebol, como em tudo na vida, todo 'que' tem um 'porque'. A diferença entre a capacidade de detectar o problema e a capacidade de resolvê-lo separa os que ganham dos que perdem.


Betinho é um talento, é muito jovem e tem ótima conduta. O investidor teve essa percepção. Isso vale para Reis e para Igor João, igualmente reprovados na avaliação de Claudeci, tanto quanto vale para Jhonatan, enfaticamente elogiado. Jhonatan, que fica sem contrato dia 31 de julho. Igor João está livre a partir de hoje, mas pode renovar.


É questão de querer ou de poder?


É do último dia 17 de janeiro a Resolução assinada pelo então vice-presidente em exercício da CBF, José Maria Marin, que estabelece normas, procedimentos, critérios e diretrizes para os clubes obterem o certificado de formadores de atletas, sem o qual não recebem a comissão nas vendas futuras dos jogadores que revelam. Nenhum clube paraense tem o certificado. Os clubes profissionais, como os tradicionais Remo, Paysandu e Tuna, estão muito longe do padrão estabelecido.


Como esta coluna publicou ontem, alguns dos pré-requisitos são: ter na base técnicos e preparadores físicos habilitados, proporcionar assistência educacional e assistência médica, avaliações cardiológicas regulares, calendário de vacinação atualizado, manter departamento médico equipado e em instalações apropriadas, manter prontuário médico de cada atleta, comprovar que propicia assistência psicológica, assistência odontológica e comprovação do pagamento mensal de bolsa aprendizagem.


A primeira avaliação é das federações estaduais, que emitem parecer à CBF, à medida que o clube pleitear o certificado. O pacote de exigências para certificação é mais um parâmetro da distância que separa o futebol paraense do profissionalismo. Assim, explica-se por que dos quase 400 clubes do país, menos de 10% são competitivos no mundo dos negócios. Nenhum do Pará.

 

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