30 de maio, 2012 - Belém

A culpa pelo enfraquecimento da dupla Re-Pa é da modernidade


 

Re-Pa: a culpa é de quem mudou o mundo        


Quem mandou inventarem rebaixamentos, marketing, centros de treinamentos, Lei Pelé e Estatuto do Torcedor? Remo e Paysandu sofrem o que sofrem por causa dessa modernidade, dessa tal de gestão profissional. A culpa é de quem mudou o mundo nos últimos 40 anos. Os dois mais importantes e tradicionais clubes paraenses têm o 'mérito' de resistir à transformação do mundo, mantendo-se próximos da concepção original, embora isso custe muito caro. Dívidas multiplicadas, patrimônios perdidos (ambos pelo Remo: Posto Azulino e sede campestre), descrédito no mercado, rebaixamentos sucessivos, jogadores desvinculados, frustrações... Mas Leão e Papão seguem fiéis aos anos 70, por conta de bilheteria, no velho e cômodo amadorismo.         


O Remo é o mais bravo da resistência. Tornou-se 'fora de série' e voltou ao Campeonato Brasileiro pelos bastidores, revivendo o tempo em que tudo se resolvia no “jeitinho”. E agora dá nova prova da sua heróica resistência à modernidade. Alheio à Lei Pelé, dá mais uma revelação de presente a empresários. Betinho entra numa lista que já tinha Thiago Alves (Santos), Cicinho (Ponte Preta), Andrezinho (exterior), entre tantos outros. Betinho é a 22ª perda nos 14 anos da Lei Pelé. E a lista pode ganhar em breve outros nomes. Jhonatan, por exemplo, fica sem contrato no próximo dia 31 de julho.                                 

 

Vítimas da concorrência         


Remo e Paysandu são vítimas de clubes que não foram solidários e embarcaram na modernidade. Clubes da concorrência que já foram parceiros de atraso, como Ceará, Avaí, Figueirense e até o ABC que se atreveu a fazer transação imobiliária para ter hoje um dos melhores estádios particulares do país. Ah! E esses clubes também resolveram ser diferentes, usando de competência na implantação e na exploração do Sócio Torcedor.         


Viva Leão e Papão, que não precisam de planejamento, de profissionalismo, de credibilidade, de organização... Não dependem de nada tão trabalhoso para encherem estádios e continuar grandes, pelo menos na paixão dos seus milhões de torcedores e no colorido das arquibancadas. Enfim, sejamos solidários a esses coitadinhos e muito mais à Tuna, que se apequenou no cenário regional a ponto de sumir do cenário nacional.                        

 


Remo vai pagar para ficar sem Betinho          


A menos que Betinho abra mão, o Remo ainda tem que pagar seus direitos trabalhistas, como se não bastasse liberá-lo de graça. E o pior é que se o atleta fizer sucesso, o Leão não terá comissão de formador em futuras transferências. Na realidade, nenhum clube paraense está habilitado para ganhar comissão de formador.          


Mesmo orientados pela FPF, nossos clubes ainda não se cadastraram na CBF como formadores, como exige a Fifa. Por isso, não podem requerer comissão alguma. Ao contrário do que imaginam, juntar provas documentais, como súmulas de jogos da base, não é suficiente. Precisariam cumprir rigorosa burocracia só para o cadastramento como formadores, como pode ser checado no site oficial da CBF. Isso significa que Tuna e Paysandu não terão faturamento algum quando Paulo Henrique Ganso for vendido pelo Santos. Ganso foi do Estrela a partir de 21 de julho de 1999, quando transferiu-se para a Tuna, onde permaneceu com vínculo federativo por quatro anos. E no Paysandu foi registrado de 30 de maio de 2003 a 20 de dezembro de 2005. Pela Lei Pelé, a cada  venda de Ganso, a Tuna teria direito a 1% e o Paysandu 0,9%. Teriam! Se tivessem cumprido a burocracia. Pelo valor da multa rescisória prevista no atual contrato do craque (US$ 50 milhões), seriam cerca de R$ 900 mil para a Tuna e R$ 810 mil para o Paysandu. Mas esse é um direito perdido. De quem é a culpa? É de quem mudou o mundo, claro!

                                 


Pela lógica, crítica em vão
       

No máximo, as críticas ao atraso de Remo e Paysandu fará efeito nas suscetibilidades pessoais dos cartolas. E só! O ideal seria que provocassem reflexões e redirecionamento. Mas os dois clubes não expressam esse compromisso. Dentro dos clubes o debate é sobre quem fez pior gestão. Os comparativos começam e terminam nos fracassos. Quem comandou conquistas estaduais já se vangloria. Título nacional, então, é honra máxima. Mas ninguém, nem mesmo os campeões, está livre dos desgastes de rebaixamentos, contratações graciosas, perda de jogadores ou outras expressões de amadorismo.

 

 

Para ler a coluna completa, assine O Liberal Digital!